Marina Lima reúne em songbook todas as 175 músicas gravadas por ela

entretenimento
15.04.2021, 06:00:00
(foto: Candé Salles)

Marina Lima reúne em songbook todas as 175 músicas gravadas por ela

Lançamento é gratuito e inclui as quatro novas composições da artista, do EP Motim

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Quando Marina Lima despontou nos anos 1980, o Brasil tinha na época, e também em toda sua história musical até ali, poucas mulheres compositoras. “Antes de mim, me lembro de muito poucas mesmo. Maysa, Dolores Duran... Isso não era só no Brasil, mas uma questão cultural mesmo, de um mundo que era dominado por homens. Mas isso mudou: hoje, as mulheres compõem, tocam, escrevem, ganham prêmio Nobel...”, diz a artista carioca, de 65 anos.

Na estreia na carreira, em 1979, o álbum Simples Como Fogo trazia a primeira canção composta integralmente por ela, Maneira de Ser. Ali estavam também músicas de Moraes Moreira (Revolta), Angela Ro Ro (Não Há Cabeça) e parcerias dela com o irmão Antonio Cícero. De lá para cá, Marina já gravou 175 composições, incluindo canções de outros autores, das quais ela foi apenas intérprete.

Agora, todas essas músicas estão no songbook Marina Lima - Música e Letra, que está disponível gratuitamente para download no site da artista. O livro inclui as quatro canções mais novas da cantora, que estão no EP Motim, recém-lançado.

Marina explica por que incluiu no songbook canções de outros compositores: “São mais de 40 anos de carreira e 21 discos gravados. Percebi que, para mim, era muito importante fazer um registro desses 21 discos. Era até mais importante que fazer um livro apenas com todas minhas canções autorais”.

A ideia do songbook - livro com letras e partituras de um artista - ronda a cabeça de Marina há bastante tempo. Os primeiros convites para uma publicação desse tipo surgiram ainda nos anos iniciais da carreira dela, mas Marina preferiu adiar.

“Eu ainda estava em meu sétimo ou oitavo disco. Me convidaram para fazer, mas eu achava cedo, achava uma loucura porque não sabia se estava nem no meio de minha obra. Não era a hora”, observa Marina.

Somente no ano passado, depois de 21 discos lançados, a compositora se convenceu que a hora havia chegado. E, diante do isolamento provocado pela pandemia, ela decidiu aprofundar-se nos estudos musicais. “Com a impossibilidade de sair, de encontrar amigos e de fazer shows, decidi estudar música, que é minha aptidão”. Enquanto isso, Giovanni Bizzotto se encarregava de transcrever as composições.

Durante os estudos, Marina foi encontrando inspiração para as novas composições, que deram origem ao EP Motim. “A música é um lugar que não tem fim. Então, quanto mais estuda, mais ideias ocorrem e mais você compõe. Uma coisa leva à outra”, diz. E daí surgiram as músicas Motim, Kilimanjaro, Pelos Apogeus e Nóis. As duas primeiras resgatam um velho parceiro, Alvin L., autor de Não Sei Dançar, um dos grandes sucessos da cantora.

As quatro músicas novas ganharam vídeos que já estão no YouTube. Marina, embora não seja entusiasta do formato, acabou se rendendo: “Música hoje em dia, no mundo inteiro é audiovisual. A forma de consumir música é através do audiovisual. Todo mundo quer o vídeo, embora para mim música continue sendo áudio”. Para realizar os vídeos, ela convidou Candé Salles. 

Um parceiro muito frequente de Marina é o irmão dela, Antonio Cícero, poeta e filósofo membro da Academia Brasileira de Letras, dez anos mais velho que ela. Nos primeiros álbuns, Antonio era colaborador intenso. No primeiro disco dela, assinava quatro composições; no segundo, seis; no terceiro, outras seis. E assim seguiu por muito tempo.

Foi o irmão que a incentivou a escrever. “Tivemos uma parceria muito intensa por anos, mas ele acabou enveredando por escrever livros de filosofia, poemas e lógica. E eu, por influência dele e pelas minhas leituras, passei a fazer as letras e busquei outros parceiros. Mas continuei com ele também”. 

Um registro curioso: a primeira música da dupla de irmãos que ganhou registro fonográfico foi Alma Caiada, gravada por Maria Bethânia nos anos 1970, mas que nunca foi lançada, devido à censura. Marina nunca gravou, mas Zizi Possi lançou uma versão em formato de samba, que não correspondia à original.

SONGBOOK MÚSICA E LETRA 

Partituras de Giovanni Bizzotto

Composições de Marina Lima e outros

Download  em www.marinalima.com.br

Preço Grátis

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas