Marrom: histórias da cantora maranhense e do jornalista baiano que têm o mesmo nome

entretenimento
15.08.2020, 04:00:00
(Foto: Acervo Pessoal)

Marrom: histórias da cantora maranhense e do jornalista baiano que têm o mesmo nome

Osmar Marrom Martins revela seus segredos

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Quase todo mundo deve saber que esse apelido de “Marrom” foi dado pela cantora Alcione, ou seja, como eu digo: A Marrom original. Isso tem mais de 30 anos quando eu estava começando no jornalismo tive a honra de conhecê-la em Salvador nos bastidores da TV Aratu (então Globo). Ela olhou para mim e disse: Você é o Marrom da Bahia. Nesse momento quem passava pelo local era minha amiga a jornalista Letícia Muhana, que depois disso ficava falando na emissora: conhece o Marronzinho da Bahia. Pronto: daí para frente só quem me chamava de Osmar era minha mãe, a saudosa Dona Bené, e os amigos mais velhos.

Com uma nova identidade fui levando a vida. De vez em quando eu encontrava Alcione. Seja em algum show que ela vinha fazer em Salvador (em alguns ela chegou a falar publicamente desse batismo), seja em viagens internacionais. Certa vez estava indo para Portugal e ela para a Itália. Coincidentemente pegamos o mesmo vôo. Só que eu desci em Lisboa e ela prosseguiu.

Pois não é que eu estou sentado e de repente passou a irmã dela que me reconheceu voltou e falou para Alcione que eu estava no mesmo vôo. De repente aparece a Marrom com aquele sorriso maravilhoso e falou: "olha gente está vendo esse jornalista baiano ai. O nome dele é Marrom fui eu quem o batizou assim". Claro que minha moral foi lá para cima. Sem contar que eu sou fã de seu trabalho.

Depois desse encontro passei um tempo sem encontrá-la, mas sempre atento aos lançamentos de seus discos, seus shows, e sua participação no desfile da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, outra paixão dessa maranhense. Além das comidas típicas de sua terra como o arroz de cuxá. Que ela faz tão bem segundo quem teve o privilégio de almoçar na casa dela. O que eu ainda não tive. Mas ainda vou queixar.

Até que em 2014 fui convidado pela baiana Joelcia Gerber, que mora na Suíça, para um evento que ela realiza chamado Jam session de Montreux, na mesma cidade onde acontece o Badalado Festival de Montreux. Jô, como é conhecida pelos amigos, estava produzindo uma festa comemorativa aos 80 anos do grande músico João Donato. Para isso convidou Gilberto Gil, Armandinho  e Alcione. Na verdade o convite para a Marrom nada tinha a ver com o aniversário já que ela não tinha muita relação com o aniversariante. Foi uma escolha pessoal como comentou Joelcia em conversa via telefone:

Gil, João Donato Joelcia e Alcione  - Foto: Acervo Pessoal

“Eu chamei Alcione pelo fato da admiração que eu tenho pelo seu trabalho musical por ela ser uma grande cantora e instrumentista. Era como se eu estivesse prestando uma homenagem dentro da homenagem. Tanto assim que eu a trouxe em 2017 para uma apresentação Co cassino de Montreux  fiz outros shows com ela em outros países como Portugal”.

Eu cheguei a Montreux um dia antes de Alcione. Tinha combinado com Flora Gil de encontrá-la com Gilberto Gil para entregar pessoalmente uma foto que eu tinha no meus arquivos que era uma raridade. Flora no ínicio do namoro com Gil, num evento que eu realizava no Hotel Meridien, o Troféu Martin Gonçalves no qual Gil fez a entrega de um prêmio. Eles adoraram e não conheciam essa foto;

Combinamos de nos encontrar cedo antes do ensaio no Salão Stravinsky onde aconteceria o show à noite. Cheguei, fiquei sentado num canto esperando Flora aparecer. Nesse momento eu vejo de longe uma pessoa me olhando e comentando com outra: “aquele rapaz ali não é o Marrom o jornalista da Bahia. Quando eu vi quem era, claro que eu falei: sou eu mesmo Marrom”. Aí foi uma festa. Ela me chamou me apresentou ao seu staff, conversamos muito fizemos a foto e foi uma tarde noite muito divertida.

Dai por diante eu a encontrei umas duas vezes no aeroporto em Salvador. Na sala de espera para o embarque. E a resenha comia solta. As pessoas passavam e comentavam: olha a Marrom e o Marrom. Eu prontamente rebatia: ela é a original eu sou o genérico. Mas que privilégio....


 

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