Mesmo incluindo custos de viagem, é mais barato comprar no exterior

variedades
28.05.2013, 09:35:00

Mesmo incluindo custos de viagem, é mais barato comprar no exterior

Casais brasileiros optam por comprar todo o enxoval dos filhos no exterior, por causa do preço bem mais acessível, graças à carga tributária menor

Priscila Chammas
priscila.chammas@redebahia.com.br

O pequeno Martin nasceu em Salvador, há 10 meses, mas a maioria de suas coisas foram compradas bem longe. “Carrinho, roupas, chupeta, mamadeira, protetor de quina... trouxe tudo dos Estados Unidos”, conta o pai, o advogado Pablo Patterson. Segundo ele, tudo uma pechincha! “Sabe esses protetores de porta e tomada, que aqui custam R$ 25? Lá tinha várias opções, por US$ 2 (R$ 4,10, aproximadamente)”. Mas o que Pablo e a esposa Maria Helena mais gostaram foi do preço do carrinho de bebê: US$ 149, ou cerca de R$ 300, pelo mesmo produto que comprariam em Salvador por R$ 1 mil.


Pablo e Maria Helena compraram quase todo o enxoval do pequeno Martin nos Estados Unidos

Pablo e Maria Helena são apenas mais um casal brasileiro que optou por comprar todo o enxoval do filho no exterior, por causa do preço bem mais acessível, graças à carga tributária menor. A coordenadora da agência Happy Tour, Kika Mamede, diz que é crescente o número de pessoas que vão e voltam dos Estados Unidos especificamente para comprar. Não só coisas de bebê, mas eletrônicos, roupas, cosméticos, e tudo o mais que se possa imaginar. “Vale a pena, mesmo contando com passagem e hospedagem”, garante.

Tanto que na Happy Tour já foram criadas excursões com roteiros de compras para esses lugares (veja página ao lado). A melhor época, ela aconselha, são os períodos de baixa estação, como de abril a junho e entre outubro e início de dezembro. “Ir em novembro é melhor ainda, por causa do Black Friday“, emenda, lembrando da tradicional liquidação que ocorre nos EUA.

Novembro foi o mês em que o advogado Felipe Almeida foi a Miami pela última vez. “Eu sempre vou com duas malas vazias e volto com duas cheias. Até supermercado eu faço”, diz. E explica: “Você acha muita coisa legal e barata. Por exemplo, existe um molho da Heizn para camarão que lá custa 1 dolar, e aqui na Perini é 18 reais”, compara.

E apesar de tantas compras, excesso de bagagem não costuma ser problema. “O limite de peso por pessoa é de duas malas, de 32 quilos cada. Dá para trazer bastante coisa”, diz Kika. Peso suficiente para renovar o guarda-roupa. A consultora de imagem Priscila Seijo dá as dicas para quem está pensando em começar a gastação. “Para quem gosta de comprar câmeras fotográficas e acessórios tem a loja BH, em Nova York, perto do Madison Square. Roupas, tem a Macy's. Vende multimarcas para todos os gostos e preços. Também tem a Century 21”, enumera. Entre as aquisições de Priscila em sua última ida ao país estão sutiã de US$ 1, blusa de US$ 9 e até um ipad de US$ 499.

E tem quem compre de tudo nos EUA. A empresária Luciana Aguiar, por exemplo, achou uma pechincha o apartamento que adquiriu há dois anos, em Miami. “Aproveitei a época da crise e comprei mais barato. Custou US$ 500 mil, mas um similar aqui, certamente custaria R$ 1,8 milhão”, estima. O imóvel veio com todos os eletrodomésticos, mas foi necessário mobiliar. “Olhei o modelo que queria no showroom e, 72 horas depois, estava tudo pronto na minha casa. Por um preço muito melhor que os do Brasil. E aqui todo mundo pede prazo de 90 dias”, compara. 

De acordo com Leo Ickowicz, sócio-fundador da Elite Internacional Realty, imobiliária focada na venda de imóveis em Miami, Nova York e Orlando, “muitos brasileiros estão comprando imóveis nos EUA, pois estes podem sair por até um terço do preço dos imóveis no Brasil, além das baixas taxas de financiamento”.

Classe C
Os Estados Unidos são o destino de compras preferido pelas classes A e B. Mas e os consumistas da classe C, vão para onde? “Pra Miami também”, garante Luís Zelada, da Alcance Turismo. “Está muito barato. Um pacote de cinco dias para Miami custa a mesma coisa que pro Rio e Janeiro”, diz.

Já Luiz Augusto Leão Costa, da Shalon Turismo, diz que os pacotes que mais fazem sucesso com a nova classe média são os para Foz do Iguaçu, por causa da fronteira com o Paraguay. “A Cidade do Leste é um formigueiro. Dá para comprar de tudo, desde pacotes de meia e cueca, de R$ 10, até bolsas, bijuterias, cosméticos”.

E para quem quer deixar seu dinheiro mais pertinho do Brasil, outra opção é o Peru. “Fui para Lima esse ano e me surpreendi. O povo não descobriu ainda como tudo lá é muito barato”, conta o empresário Eduardo Mathias. “Comprei tudo. Roupa, sapato, coisa para casa e um conjunto de dez mamadeiras pro enxoval de uma amiga. Custou US$ 30. Aqui é uns US$ 80”, compara. Antes dessa viagem, ele tinha ido para a Alemanha. E garante que a regra é a mesma. “Comprei uma Barbie para minha sobrinha por 10 euros. Aqui é R$ 100”.


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