Mete Dança! Conheça o nome por trás do sucesso FitDance

carnaval
13.02.2017, 07:00:00

Mete Dança! Conheça o nome por trás do sucesso FitDance

Conversamos com Fabio Duarte, fundador do programa coletivo de dança, para entender o fenômeno que tem 2 mil instrutores e mais de 3 milhões de inscritos no YouTube

Em apenas três anos, a FitDance revolucionou a dança no Brasil. Com coreografias que misturam técnica e o que está rolando nas ruas e academias, a startup baiana foi além das salas de ginástica e conquistou a internet. Para entender este fenômeno, conversamos com Fabio Duarte, que juntamente com o irmão, Bruno, comanda a Fit com o “objetivo se tornar a maior e a melhor empresa de dança do mundo”, diz o coreógrafo e diretor, de 37 anos.

Além de meter dança nos vídeos e palcos, Fabio também se reinventa: atuou no clipe mais recente da Vingadora, Calcanhar de Prego, e comandou as 50 horas de transmissão do Réveillon de Salvador no YouTube. O sucesso do programa coletivo de dança que dita os passos do verão baiano e vai desfilar, pelo segundo ano, em um bloco de Carnaval, o Burburinho, é sintetizado por números que impressionam: mais de 2 mil instrutores espalhados pelo país e na Argentina, três canais no YouTube totalizando mais de 3 milhões de inscritos, 100 milhões de views mensais e quase 50 produtos licenciados. Ainda dá tempo de aprender as coreografias para o Carnaval

As plataformas da FitDance até se tornaram parte da estratégia de lançamento de novas músicas por artistas. Preta Gil, por exemplo, já divulgou sua música de trabalho Eu Quero e Você Quer com coreografia da Fit.  

Fábio Duarte: CEO da FitDance (Foto: Luca Castro / Divulgação)

As coreografias das músicas baianas já estavam aí nas academias e barracas de praia há muito tempo, mas de alguma forma a FitDance revolucionou com um formato que supera fronteiras. Como surgiu a proposta?
A gente viu que o mercado da dança precisava de união e de uma metodologia de profissionalismo. A FitDance surgiu nas academias como um curso para formar professores e usar a internet para que as pessoas pudessem aprender em casa e treinar na academia. São coisas bem complementares. A internet é nossa plataforma de marketing, de  divulgação. A academia é onde as pessoas dançam e ouvem a música todos os dias da semana. A gente fez com que a dança se tornasse o momento mais alegre do dia das pessoas. Elas passam o dia trabalhando pesado, esperando o momento chegar para se divertir. Querem dançar junto. A proposta é o coletivo e não a individualidade. A gente conseguiu reinventar a relação das pessoas com a dança no Brasil.

Nos ensaios de salvador, independentemente da classe, opção sexual, de ser na pista ou no camarote, todo mundo dança a partir dos clipes da FitDance, uma espécie de  aula de suingue baiano em casa. Como você visualiza isso?
Vejo como uma realização de um grande objetivo. A gente começou a  criar um movimento em que as pessoas vão para as festas preocupadas com a diversão. Antes tinha muito de ir pela social, fazer pose. Hoje a galera vai com a intenção de dançar, colocar em prática. 

Você tem relato de quem usa os vídeos como atividade física para perder peso?
A gente sempre é marcado em fotos, depoimentos que as pessoas mandam. Mas esse não é o objetivo principal e sim a diversão. Apesar do nome, não é uma marca fit. Como toda atividade que a gente faz com frequência, a perda de peso é consequência, acontece porque a pessoa entra em um estilo de vida mais saudável, com mais movimento. 

Qual estilo musical bomba mais?
Digitalmente, o funk está se tornando muito forte no meio da dança. É uma batida que hoje se assimila muito com as de hip hop, reggaeton e tem um público internacional forte, no México, Argentina, Portugal e Espanha. 

Como nascem as coreografias da FitDance? 
A gente olha o que está acontecendo no palco do artista, mas também pega movimentos que realmente fazem a cabeça das pessoas nas ruas. Aí começamos a moldar a coreografia, de uma maneira técnica e didática, que faz com que o corpo da pessoa consiga dançar melhor. 

A FitDance abre espaço para todo mundo, como Daniel Vieira, um artista que foge dos padrões. Como é isso?
Todo mundo pode dançar. O mais importante é estar se divertindo. Se você vai dançar perfeitamente ou não, não importa. Daniel Vieira mete dança. Os artistas estão percebendo a força que a gente dá na carreira deles. Estão fazendo questão de dançar com a gente. Muitos vêm mudando a proposta musical para tornar a música mais dançante. 

Como surgiu a parceria com Preta Gil em Eu Quero e Você Quer?
Preta entendeu que estando com a gente o público criaria um link com ela. Ela é minha amiga há bastante tempo, me ligou e a gente bolou uma coisa juntos. Hoje em dia, a FitDance faz parte de uma estratégia de lançamento dos artistas e das gravadoras. Semanalmente, a gente lança em média nove coreografias nos nossos três canais: FitDance TV, FitDance life (mais voltado para o mercado internacional) e o FitDance Kids, que traz coreografias e músicas que são adequadas para o público infantil. 

A Agência Califórnia é responsável pela qualidade dos vídeos da FitDance. Como as duas empresas se relacionam? 
Sou sócio fundador da Califórnia. São empresas separadas. Ela foca na inteligência de conteúdo que a FitDance precisa. A FitDance tem como objetivo se tornar a maior e a melhor empresa de dança do mundo. A gente tem muita preocupação com qualidade. É um programa coletivo de dança, com um sistema de educação continuada, que faz com que o instrutor esteja semanalmente se capacitando e elevando seu padrão de qualidade. Isso é refletido em todas as outras áreas. Os pilares da empresa são 5 Ds: dança, divertido, dinâmico, democrático e desafiador. 

O que você gosta mais: coreografar, dançar, atuar, apresentar, dirigir?
Eu gosto de poder fazer tudo. Isso é importante. Na FitDance uma das coisa que me realiza muito é a diversidade de ações, gosto muito desse mix de desafios. Dançar é a raiz da FitDance e também minha raiz. É o momento em que eu estou bem realizado. Eu me machuquei, fiz cirurgia de joelho, fiquei sete meses sem poder dançar. Estou com metade da minha capacidade, mas já estou voltando a fazer apresentações. 

Como você se sentiu atuando em Calcanhar de Prego?
Tenho uma história muito grande com a parte de conteúdo. Achei muito bom pelo fato de ser com alguém que já é próximo, uma artista que faz parte da nossa história. Na FitDance a gente procura trabalhar nossos dançarinos para ter várias atividades, atuar, apresentar programas. A gente está tornando eles cada vez artistas mais completos. 

Como foi a experiência de apresentar a transmissão do Réveillon de Salvador, alguns dias por 10 horas?
Foi um desafio fazer uma das maiores transmissões ao vivo de internet nesse formato. Era um  evento novo, do qual a gente ainda não tinha participado, não conhecia a dinâmica. A ideia surgiu em cima da hora, não existiram meses de preparação. Trabalhamos toda a parte de tecnologia e conteúdo. Foi muito bom porque a gente conseguiu uma média de permanência muito alta, bateu a de eventos como Carnaval e outros internacionais de grande porte. Isso mostra que a gente conseguiu segurar o público. 

Pelo segundo ano, a FitDance coloca o bloco no Carnaval, desta vez em parceria com a Duas Medidas. Qual a expectativa?
Ano passado, saímos com o Babado Novo, este ano com o Burburinho Duas Medidas, uma banda com a qual a gente tem uma relação muito grande. Com certeza nosso bloco vai ser um dos mais divertidos. 

A FitDance também tem uma linha de roupa e acessórios. Qual o conceito por trás disso?
A FitDance Store é nosso e-commerce, faz parte de um guarda-chuva, a FitDance Style. Atualmente são quase 50 produtos. Não é uma linha fitness de roupa, é de quem gosta de ter a dança como estilo de vida. Vai muito mais além de malhar e dançar.  São roupas que você pode malhar e ter estilo pra fazer atividades complementares. 

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