'Meu filho pediu: não me mate, não!', diz pai de uma das quatro vítimas de Tancredo Neves

salvador
19.01.2019, 14:48:00
Atualizado: 19.01.2019, 15:28:37

'Meu filho pediu: não me mate, não!', diz pai de uma das quatro vítimas de Tancredo Neves

Albert dos Santos de Jesus, 18 anos, foi morto pela polícia com outros três jovens

Familiares de duas das vítimas mortas pela polícia no bairro de Tancredo Neves, no início da tarde de sexta-feira (18), contestaram a versão da PM sobre o fato. No Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), o pai de Albert dos Santos de Jesus, que tinha 18 anos, disse que os quatro jovens estavam desarmados e foram executados sem chance de defesa.  "Não teve confronto. Pegaram os meninos desarmados e executaram. Meu filho ainda pediu: 'não me mate, não!', contou Marcelo Leão de Jesus. 

Na versão da Secretaria da Segurança Pública (SSP), os mortos trocaram tiros com policiais da 23ª Companhia Independente (CIPM/Tancredo Neves), que teriam sido acionados após uma denúncia de moradores. Com a chegada no local indicado, diz a polícia, os PMs foram recebidos a tiros pelo grupo, que seria formado por dez homens armados e estavam na Rua Valter Diniz. 

Albert, um dos mortos, tinha 18 anos: 'Trabalhava desde os 12', diz o pai
(Foto: Reprodução)

O pai de Albert garante que o filho era trabalhador e vendia capas de celulares na Avenida Sete de Setembro, na região do Relógio de São Pedro. Ele admite, porém, que o jovem usava drogas e "andava com gente que era envolvido com tráfico". "Alguns tinham envovimento, não vou negar ao senhor. Meu filho só tava no meio. É usuário. Usa drogas. Mas você sabe que quem tá no meio sobra, né?".

A mãe de outra vítima, Gabriel França dos Santos, que também tinha 18 anos, deu uma versão semelhante. Ela diz que o filho não tem passagem pela polícia e foi morto sem chance de defesa. "Eles sempre falam que foi troca de tiros, mas a verdade é que eles já chegam metendo, né", afirmou Shirley França de Oliveira. Ela e o padrasto do rapaz não souberam dizer se Gabriel era envolvido com o tráfico de drogas. "A gente não consegue controlar um filho 24 horas no dia, né?", ponderou o padrasto.  

Enquanto isso, a versão da polícia dá conta de que, além de Albert e Gabriel, outros dois integrantes do grupo foram atingidos. A polícia não divulgou os nomes dos demais. Dois deles foram encontrados feridos próximo a uma estrada de barro na região, com duas armas. Os outros dois acabaram localizados dentro de uma área de matagal. Todos foram socorridos para o Hospital Geral Roberto Santos, no Cabula, mas não resistiram aos ferimentos. 

Com os suspeitos, diz a SSP, foi encontrada uma sacola com 77 pedras de crack, 43 trouxas de maconha e 66 pinos de cocaína, além de uma pistola.40 e um revólver calibre 38. O material foi apreendido. O registro do confronto foi realizado na Corregedoria da Polícia Militar. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) acompanhará o caso. O local onde ocorreu o fato também passará por perícia.

Marcelo disse ainda que o fato ocorreu próximo à Vila Moisés, onde em 2015 doze jovens morreram em um suposto confronto com a polícia. Na versão da PM, eles estavam envolvidos em uma ação para explodir um banco. Até hoje a comunidade luta para provar a inocência dos jovens. O Ministério Público pediu a prisão dos policiais por homicídio triplamente qualificado. O MP tentou federalizar a Chacina do Cabula - como ficou conhecida a operação das Rondas Especiais (Rondesp) - levando-a para o Superios Tribunal de Justiça (STJ). Mas, em novembro passado, o próprio STJ decidiu que Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ficasse à frente do caso. 

No IML, a mãe e as tias de Albert, que também estavam no IML, disseram apenas que não iriam dar qualquer declarações porque "a gente sabe que não dá em nada". O pai de Albert contou ainda que seu cunhado, tio do rapaz, tentou pular na frente dos policiais para evitar que o sobrinho morresse. "Ele quase foi metralhado também". "Fiz de tudo pra esse menino se tornar trabalhador. Desde 12 anos ele já trabalhava. Meu filho não é vagabundo, não! Só fez amizade com quem não devia". 


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