Mina de ametistas: jazida fica em área de proteção e preocupa ambientalistas

bahia
29.05.2017, 12:08:00
Atualizado: 29.05.2017, 12:54:19

Mina de ametistas: jazida fica em área de proteção e preocupa ambientalistas

Tesouro fica situado no território do Boqueirão da Onça, área de preservação permanente que abriga uma das mais protegidas extensões da caatinga brasileira

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Até o início da semana passada, os garimpeiros que migraram para o povoado da Quixaba viviam em estado de tensão. Desde a visita de técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ao local, não sabiam se o órgão autorizaria a regulamentação da mina de ametista ou vetaria a extração das pedras. Na última terça-feira, o DNPM anunciou a decisão favorável.

A atividade do garimpo pode trazer prejuízos para o ecossistema (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Sobraram, agora, outras preocupações pela frente. A primeira delas é com o meio ambiente.
A jazida fica situada no território do Boqueirão da Onça, área de preservação permanente que abriga uma das mais protegidas extensões da caatinga brasileira, com quase 800 mil hectares. A atividade do garimpo, no entanto, pode trazer prejuízos para o ecossistema, caso não haja rigor na fiscalização.

De acordo com a nota técnica emitida pelo DNPM, caberá à prefeitura de Sento Sé fiscalizar e elaborar “ações de suporte” para reduzir o impacto no meio ambiente. No entanto, lideranças que assumiram a interlocução entre os garimpeiros e  as autoridades públicas do município decidiram agir logo para evitar problemas.

Um deles é José Neves, 40 anos, dono de uma academia de ginástica de Juazeiro que se mudou para o acampamento-base da mina, onde extrai e negocia pedras. Filho de Zequinha Pedrista, nome que virou lenda em Sento Sé por dominar a extração de ametista na antiga mina da Cabeluda, Neves começou a articular uma rede de garimpeiros para cuidar de quatro grandes problemas.

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO )
Tesouro fica situado no território do Boqueirão da Onça, área de preservação permanente (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

“O mais urgente é o lixo. Temos que encontrar uma solução logo. Há muita gente produzindo resíduos que não são recolhidos. Se continuar assim, não vai dar certo”, diz, enquanto mostra o tamanho da sujeira em volta: garrafas, latas, sacos, copos e toda sorte de descartáveis.
As fogueiras acesas pelos garimpeiros nas tendas improvisadas que servem de moradia, a caça de animais silvestres para alimentação e as escavações feitas sem regra também preocupam. “Precisaremos orientar essas pessoas”, afirma.

O outro impacto é social, que o DNPM também deixou aos cuidados do município. Com levas de trabalhadores em situação de vulnerabilidade e com o fluxo anormal de pessoas em Sento Sé, aumentou a demanda por serviços públicos e o medo da violência. A prefeita, Ana Passos (PSD), já solicitou ajuda do governo do estado. Espera agora receber.

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