Moraes Moreira apresenta seus cordéis nesta sexta (10) no Pelourinho

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10.08.2018, 08:00:00
Atualizado: 10.08.2018, 09:49:51
Moraes Moreira (Ricardo Borges/Divulgação)

Moraes Moreira apresenta seus cordéis nesta sexta (10) no Pelourinho

Músico baiano tornou-se membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel no ano passado

Que as letras de algumas músicas de Moraes Moreira podem ser consideradas poemas, não há dúvida. É só pensarmos em alguns clássicos de seu repertório, como Festa do Interior, Pombo Correio e Sintonia, cujos versos, por si só, já seriam uma bela obra.

A história musical desse baiano que completou 71 anos no mês passado, portanto, seria o bastante para trazê-lo à Flipelô - Festa Literária Internacional do Pelourinho, que acontece até domingo. Mas ele está de volta a Salvador também para se apresentar como cordelista hoje, às 21h, gratuitamente, no Largo do Pelourinho.

E Moraes é cordelista dos bons mesmo, tanto que é ocupante da cadeira 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro. Foi há mais ou menos 20 anos que o músico passou a se dedicar a essa forma popular de literatura, muito comum no Nordeste.

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“Mas mesmo antes disso, já tinha um pouco de cordel em minhas músicas, mas sem o rigor que a gente vê nos folhetos”, diz o cordelista. “A gente vê o cordel e às vezes não dá nada por ele, mas é complexo. Tem que ter métrica, rima e oração. O cordel tem seus rigores”, afirma.

Agora, Moraes resolveu assumir definitivamente a influência do cordel em suas criações e lançou um disco dedicado a esse gênero, Ser Tão, pelo selo Discobertas. O álbum já está disponível nas plataformas digitais.

Segundo Moraes, praticamente em todas as canções há uma preocupação com a sílaba contada. Uma das músicas, Evolução, é composta de versos alexandrinos, de 12 sílabas, que são considerados a nobreza do cordel. 

“Foi composta ainda em 2012, para ser apresentada na cerimônia da minha posse,na Academia Brasileira de Literatura de Cordel”, lembra Moraes. “Quis cantar a Evolução do Universo, desde o tempo em que o homem dormia o sono do nada, passando pela Química, Física e Filosofia”, comenta.

Cantador 
Outra canção do álbum, De Cantor para Cantador, reforça a relação de Moraes com a cultura popular. “Xangai se diz mais cantador que cantor, porque o cantador se preocupa com o popular, enquanto o cantor tem mais glamour. Uma vez, encontrei Xangai e disse a ele que eu estava fazendo minha passagem de cantor para cantador”.

Quando Moraes chegou à Academia, sua família já ocupava uma outra cadeira: José Walter Pires, seu irmão, havia sido eleito membro antes dele. “Eu ia com meu irmão, mostrava minhas poesias ao pessoal da Academia, a Gonçalo Ferreira, o presidente, e um dia ele disse que ia me chamar”, conta Moraes, cujo patrono é o pernambucano Manoel Monteiro, morto em 2014 aos 77 anos.

Uma das primeiras criações de cordel de Moraes foi a biografia dos Novos Baianos, que conta a história da banda que marcou a música brasileira. O livro de 2007 tinha 161 estrofes de seis sílabas, respeitando o rigor pedido pelo cordel. Em breve, o poema será lançado no formato clássico, de folheto, como fazem os mestres cordelistas.

O novo álbum, ao contrário de outros trabalhos de Moraes, quase não tem parcerias. Há apenas uma, com o amigo Armandinho. “Amo muito meus parceiros musicais, mas eu estava muito envolvido no formato de cordel e não podia impor isso a eles. Fui meio egoísta”, brinca.

Ouça Alvorada dos Setenta, que Moraes compôs em celebração às suas sete décadas de vida