Morre aos 93 anos José Ramos Tinhorão, um dos maiores críticos da MPB

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03.08.2021, 16:11:27
Atualizado: 03.08.2021, 16:23:07
O escritor e crítico musical José Ramos Tinhorão (divulgação)

Morre aos 93 anos José Ramos Tinhorão, um dos maiores críticos da MPB

Jornalista e pesquisador paulista, radicado no Rio, escreveu mais de 25 livros sobre a história da música; causa não foi divulgada

Um dos maiores críticos  e estudiosos da música popular brasileira, o pesquisador musical José Ramos Tinhorão morreu nesta terça-feira (3) aos 93 anos. A notícia foi confirmada pela editora 34, que o publicava, mas a causa da morte não foi revelada.

Nascido em Santos, no estado de São Paulo, Tinhorão fez carreira como jornalista em veículos como a TV Globo, o Jornal do Brasil e a revista Veja. Rapidamente se consolidou como um dos principais observadores da música popular brasileira e um repositório de histórias e documentos sobre o assunto.

Escreveu mais de 25 livros sobre o assunto, entre eles História Social da Música Popular Brasileira, Música Popular: Um Tema em Debate, As Origens da Canção Urbana, O Samba Agora Vai: A Farsa da Música Popular no Exterior e A Música Popular no Romance Brasileiro, um dos primeiros a projetar seu pensamento inquieto e provocador ao debate público. Seu acervo hoje pertence ao Instituto Moreira Salles.

Exigente e polêmico, Tinhorão teve atritos com a turma da Bossa Nova e da MPB por defender que aquele tipo de música não era realmente brasileiro, segundo ele. “A Bossa Nova tem ritmo de goteira e é puro jazz pasteurizado”, afirmou o pesquisador na Flip de 2015.

Ele também se referiu a Tom Jobim como “um coitado” e disse que a música popular brasileira sempre fracassou no exterior.

Natural de Santos (SP), Tinhorão foi morar no Rio ainda criança e se formou em Direito e Jornalismo. Ele começou a atuar em veículos de comunicação no começo dos anos 50.

Tinhorão era um apelido entre os colegas de redação no Diário Carioca e passou a ser usado quando o chefe de redação, Pompeu de Souza, acrescentou na assinatura da sua primeira matéria publicada.

A partir do convite para escrever uma série sobre samba no Caderno B, suplemento do Jornal do Brasil, Tinhorão começa a pesquisar sobre a música popular em 1960.

Fez entrevistas com Ismael Silva, Donga, Pixinguinha, entre outros nomes relevantes da cena musical carioca, mas que não tinham ainda a história registrada. Alguns desses textos estão no livro Música Popular: Um Tema em Debate , um dos maiores sucesso do pesquisador.


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