Morre Bebeto de Freitas, treinador da geração de prata do vôlei

esportes
13.03.2018, 16:10:17
Atualizado: 14.03.2018, 22:08:25
Bebeto de Freitas havia participado do lançamento do time de futebol americano do Atlético-MG pouco antes de passar mal (Pedro Souza/Atlético-MG/Divulgação)

Morre Bebeto de Freitas, treinador da geração de prata do vôlei

Ex-comandante da seleção brasileira em Los Angeles-1984, ele sofreu um infarto em Belo Horizonte

Morreu, na tarde desta terça (13), o ex-treinador da seleção brasileira masculna de volêi Bebeto de Freitas, que ocupava o cargo de diretor de controle e administração do Atlético-MG. O dirigente, de 68 anos, havia participado do lançamento do time de futebol americano do clube mineiro e, pouco depois, passou mal. Com quadro de infarto, foi atendido por médicos do Galo e um helicóptero foi solicitado para encaminhá-lo para o Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, mas ele não resistiu e faleceu na Cidade do Galo, Centro de Treinamentos do clube mineiro.

A morte foi confirmada pelo prefeito da capital mineira e ex-presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, por meio do Twitter. Bebeto havia sido diretor executivo do time mineiro em 2009, na gestão de Kalil, e entre 1999 e 2001, na administração de Nélio Brant. Antes, havia sido presidente do Botafogo, seu clube do coração, entre 2003 e 2008.

Mas a maior contribuição esportiva de Bebeto foi no vôlei. Onze vezes campeão carioca, três vezes brasileiro e uma vez sul-americano pelo Botafogo e membro da seleção nos Jogos Olímpicos de Munique-1972 e Montreal-1976 como jogador, ele foi treinador da "geração de prata" da seleção brasileira masculina de vôlei nos Jogos de Los Angeles-1984, que consagrou nomes como Bernard, Renan (atual técnico da seleção), Montanaro, William e Bernardinho. Bebeto ainda treinou a seleção na Olimpíada seguinte, em Seul, em 1988, quando o Brasil foi 4º lugar.

É considerado um dos grandes responsáveis pelo início do desenvolvimento e profissionalização do vôlei brasileiro, que, posteriormente, culminou com o tricampeonato olímpico (1992, 2004 e 2016) e mundial (2002, 2006, 2010), no masculino, e o bicampeonato olímpico (2008 e 2012), no feminino. Uma das suas grandes batalhas era dar estrutura fora das quadras para os atletas, contestando sempre os erros de dirigentes e cobrando uma gestão melhor do esporte. 

Posteriormente, o ex-treinador comandou o Parma, no campeonato italiano de vôlei, sendo convidado para treinar a seleção italiana. Comandou a Azzurra entre 1997 e 1998, conquistando a Liga Mundial de 1997 e o Mundial de 1998. Bebeto era sobrinho do ex-treinador da Seleção Brasileira de futebol João Saldanha e primo de segundo grau do ex-jogador e lenda botafoguense Heleno de Freitas. O Atlético-MG e o Botafogo declaratam luto de três dias. O Galo suspendeu as atividades no clube nesta terça (13). Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento do corpo de Bebeto.

Repercussão
O ex-jogador Nalbert, ao saber da morte de Bebeto, parecia não acreditar. "Meu Deus!!!! Por favor, diz que é mentira essa notícia sobre o Bebeto de Freitas!!!!! Bebeto é ídolo, monstro do nosso esporte!! Jesus...", escreveu o ex-capitão da seleção brasileira, no Twitter.

O levantador da seleção Bruninho também se pronunciou. "Sem palavras! Uma grande pessoa e uma das pessoas mais importantes do vôlei brasileiro de todos os tempos! Descanse em paz Bebeto". Também ex-jogador, Giba usou sua conta no Instagram para homenagear o ex-treinador. "Que dia triste... acabei de saber que Bebeto de Freitas nos deixou. Um dos maiores técnicos do vôlei brasileiro e mundial. Obrigado por tudo que vc fez pelo nosso esporte. Se o vôlei brasileiro chegou até onde está, certamente devemos muito a vc, Bebeto. Descanse em paz!".

A Confederação Barsileira de Vôlei (CBV) declarou luto e informou que todos os jogos das Superliga masculina e feminina tenham um minuto de sil~encio até domingo. "A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) lamenta o falecimento de Bebeto de Freitas e expressa todo o seu agradecimento a tudo que este ícone fez pelo voleibol e por todo o esporte. A perda é enorme, assim como a dor deste momento, mas temos a obrigação de continuar todo o legado deixado por Bebeto de Freitas".