Mosquito transmissor da dengue pode carregar dois vírus da doença ao mesmo tempo

Mosquito transmissor da dengue pode carregar dois vírus da doença ao mesmo tempo

A preocupação é que, com isso, aumentem os casos de dengue hemorrágica

Redação CORREIO

Pesquisadores de Minas Gerais descobriram que o mosquito transmissor da dengue pode carregar dois vírus da doença ao mesmo tempo. A preocupação é que, com isso, aumentem os casos de dengue hemorrágica.

Amanda considera quase um milagre estar bem com o pequeno Miguel. No começo da gravidez, ela teve dengue hemorrágica. Foram 20 dias de tratamento.

“Foi muito difícil a recuperação. Ela é muito lenta. Ela é mais lenta que a dengue normal. Você se sente mole. E a sensação que eu tive foi como se eu tivesse morrendo”, contou a secretária Amanda Laktini.

Quatro vírus podem provocar a dengue. A forma hemorrágica ocorre quando uma pessoa é infectada pela segunda vez e por um vírus diferente da primeira. O que não se sabia até agora é que muitos mosquitos transmitem dois desses vírus ao mesmo tempo.

“A fêmea transmite esses vírus para essas larvas. E como que ela pode adquirir esses dois sorotipos? Ela pode picar uma pessoa que esteja com um sorotipo. Depois, ela faz outra alimentação em outro indivíduo, outra pessoa. E ela adquire um segundo sorotipo e carrega esses dois sorotipos”, explica Alzira Batista Cecílio, bióloga e pesquisadora da Fundação Ezequiel Dias.

O desafio dos pesquisadores é confirmar se os casos mais graves de dengue estão relacionados a essa dupla contaminação do mosquito. Um risco pode estar circulando nas cidades. É que todas as larvas encontradas com dois tipos da doença foram recolhidas de áreas urbanas, muito habitadas.

Agentes de saúde usam armadilhas, onde os mosquitos botam ovos. Foram coletadas 1,4 mil amostras em Belo Horizonte. Pouco mais de 500 estavam infectadas e, quase um terço delas, infectadas por dois tipos de vírus.

“Isso pode se tornar mais comum ainda. Uma pessoa que se infectar por dois vírus diferentes pode desenvolver casos mais graves. Isso é algo para ser comprovado, mas é uma hipótese a ser testada”, disse o epidemiologista Eduardo Peçanha, pesquisador de saúde urbana da UFMG.

Como não existe vacina, a única maneira de se combater a doença é a prevenção: eliminar objetos que possam reter água, onde o mosquito se reproduz. Foi o que Amanda passou a fazer em casa.

“Porque o medo de pegar novamente é terrível. Não desejo isso pra ninguém”, reforçou a secretária Amanda. As informações são do G1.