MP-BA diz que "acompanha de perto" inquéritos sobre mortes de ciganos 

bahia
02.08.2021, 21:05:00
Atualizado: 02.08.2021, 21:05:51
Após mortes de PMs, oito ciganos foram mortos na região (Reprodução)

MP-BA diz que "acompanha de perto" inquéritos sobre mortes de ciganos 

Desde assassinato de PMs, 10 pessoas já foram assassinadas na região

Após o Instituto Cigano do Brasil (ICB) pedir apuração "rigorosa e imparcial" das mortes dos ciganos no sudoeste do estado, e também sobre as possíveis torturas, ameaças e violência por alguns policiais, o Ministério Público da Bahia também se manifestou sobre a situação. O órgão diz que tem acompanhado de perto as investigações dos fatos que resultaram na morte dos oito ciganos nos municípios de Vitória da Conquista, Anagé e Itiruçu, no mês de julho. 
 
Após a execução do tenente Luciano Libarino Neves, 34 anos, e do soldado Robson Brito Matos, 30, no dia 13 do mês passado em Vitória da Conquista, dez pessoas foram mortas até esta sexta-feira (30). Deste total, oito foram ciganos, sendo seis adultos, um menino de 13 e um adolescente de 16 anos – todos filhos do cigano Rodrigo Silva Matos, preso como um dos autores dos disparos que mataram os PMs. Além deles, um empresário e um jovem de 15, esses não ciganos, também foram mortos. 

Leia mais: Instituto pede à DPU apuração rigorosa para as mortes de ciganos

Leia também: 8º de 10 irmãos da família de ciganos caçada por assassinato de PMs é morto pela polícia

 
O MP informa que, no último dia 28, designou seis promotores de Justiça para atuar no procedimento que apura as circunstâncias da morte de Ramon da Silva Matos, ocorrida no dia 13 de julho no distrito de Lagoa das Flores, e também de um suposto cigano morto na última quarta-feira, dia 28, no município de Anagé. O procedimento é de autoria da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial. 
 
O MP afirma ainda que acompanha de perto os inquéritos policiais abertos para apurar os fatos, e diz que tem dialogado com o presidente do Instituto do Cigano do Brasil, Rogério Ribeiro, por meio dos coordenadores dos Centros de Apoio Operacional de Direitos Humanos e de Segurança Pública e Defesa Social, respectivamente promotores de Justiça Edvaldo Vivas e Luís Alberto Pereira.
 
O MP fala ainda sobre a morte dos dois militares, onde o inquérito policial foi concluído e diz que ofereceu, no dia 26 de julho, denúncia contra Rodrigo da Silva Matos, Solon da Silva Matos, Diogo da Silva Matos e Marlon da Silva Matos. Eles foram denunciados por crime de homicídio qualificado por motivo fútil contra autoridade no exercício da função, sem deixar possibilidade de defesa às vítimas.

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