Mulheres se unem para enfrentar sexismo na área de programação

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06.03.2018, 07:04:00
Atualizado: 06.03.2018, 13:43:50
Integrantes do OxenTI Menina e outras mulheres que resistem ao preconceito na área de computação (fotos: divulgação)

Mulheres se unem para enfrentar sexismo na área de programação

O CORREIO falou com três mulheres sobre como é atuar numa área em que homens predominam

Quando você entra numa faculdade da área de computação ou chega ao departamente de TI (tecnologia da informação) de uma empresa, encontra um cenário em que os homens predominam e pensa que sempre foi assim, não é?

Mas já foi diferente, como lembra Mariana Barreiros, 26 anos, estudante de análise de sistema do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - Ifba e integrante do Pyladies, organização que ensina programação a mulheres e luta contra o sexismo na área.

Daniela Feitosa é programadora e representante da Rails Girls Salvador, que estimula a entrada de mulheres em sua área

“Até o início dos anos 80, o que ocorria era o contrário, com amplo predomínio das mulheres. Mas isso começou a mudar com a criação do computador pessoal, quando o marketing dos fabricantes das máquinas voltou-se para os meninos e eles passaram a ter mais interesse em estudar na área”, diz Mariana, que interrompeu a vida profissional para se dedicar só aos estudos e a dar aulas voluntariamente a mulheres.

Para acabar com essa barreira ao sexo feminino na área de programação, Mariana e outras mulheres têm se engajado em iniciativas como o Pyladies, o OxenTI Menina e o Rails Girls.

Uma das integrantes do OxenTI é Juliana Reichow, 33, bacharela em sistemas de informação. Por dois anos, ela atuou na área de manutenção de sistemas da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia e hoje dá aulas no OxenTI Meninas, especialmente a mulheres da periferia. 

Para ela, há machismo evidente no meio de tecnologia: “Muitas empresas raramente selecionam mulheres para atuar, por exemplo, em administração de rede, porque acham que a carga horária é incompatível com a vida delas. É uma área que às vezes exige que se trabalhe durante todo o fim de semana, quando as mulheres estariam com os filhos. Mas essas empresas esquecem que os filhos poderiam ficar com o pai”.

Preconceito
O OxenTI, por enquanto, não tem sede fixa e depende de alguns parceiros. As aulas, que não são cobradas, funcionam como um estímulo às mulheres, para despertar o interesse em programação. “Apoiamos o autoempoderamento das mulheres e ajudamos a ampliar o horizonte para suas vidas”, diz Juliana.

Daniela Feitosa, 33 anos, é engenheira de software e programadora especializada em Ruby, uma linguagem de programação. Por dez anos, atuou em uma cooperativa e hoje trabalha na Meedan, organização sem fins lucrativos voltada para tecnologia. Ela diz que, embora não tenha se sentido segregada durante o curso de Ciência da Computação, percebeu certa discriminação na faculdade.

Mariana Barreiros faz parte do Pyladies

Ouvia dos colegas piadinhas machistas, como “Deixa ver seu caderno. Tem florzinha no seu código?”. Código é conjunto de símbolos que contém instruções em uma linguagem de programação. Em congressos, Daniela diz que também há preconceito: “Quando vou a um evento com um colega, tratam-me como se estivesse o acompanhando ou se fosse sua namorada. Não veem que estou lá  como participante”.

Daniela faz parte do Programa Meninas Digitais, da Sociedade Brasileira de Computação. A organização tem o objetivo de estimular mulheres a conhecer melhor a área de computação e encorajá-las a enfrentar uma realidade sexista. “Muitas meninas desistem do curso no meio e a gente tenta dar a elas um estímulo para insistir”.

Para diminuir o índice de desistência, diz Mariana Barreiros, deve-se mostrar às meninas os casos de mulheres bem-sucedidas como programadoras. Algumas delas são Ada Lovelace (1815- 1852) e Dorothy Vaughan (1910-2008). A primeira escreveu o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina e a outra foi uma matemática que se  tornou supervisora da NASA, agência espacial americana.


Links para os grupos citados na reportagem:

Pyladies

OxenTI Menina

Meninas Digitais

Rails Girls


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