Museu de Arte Moderna reabre em julho com mostra sobre Lina Bo Bardi

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05.06.2021, 06:58:00
Entrada que dá para o casarão principal do MAM-BA, onde será instalada parte da exposição sobre a arquiteta Lina Bo Bardi (Nara Gentil)

Museu de Arte Moderna reabre em julho com mostra sobre Lina Bo Bardi

Fechado desde março de 2020, MAM-BA reabre com exposição O Museu de Dona Lina, reunindo peças do acervo da idealizadora do espaço

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Fechado desde o começo da pandemia, em março do ano passado, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) planeja reabrir as portas ao público no próximo dia 2 de julho com uma exposição em homenagem a Lina Bo Bardi (1914-1992), idealizadora do espaço e responsável por colocar o histórico conjunto arquitetônico do Solar do Unhão no mapa do mundo.

A mostra, intitulada O Museu de Dona Lina, vai reunir cerca de 300 peças incluindo obras de artistas brasileiros que integram o acervo do museu juntamente com a coleção de arte popular de Lina Bo Bardi, que inclui peças de artesanato, utensílios e outras manifestações da cultura popular, grande parte adquirida no período de 1958 a 1966, quando viveu e trabalhou em Salvador, e que se encontrava até recentemente na reserva técnica do Museu Solar Ferrão. 

“Reabrir o museu, ainda que de forma híbrida, virtual e presencialmente, com visitas agendadas, é um ato simbólico, um ato de saúde, de cura mesmo, nesse momento em que a arte se faz tão necessária na vida das pessoas”, diz Pola Ribeiro, diretor do Museu de Arte Moderna

A reabertura do MAM marca a primeira ação do atual diretor Pola Ribeiro, que assumiu o cargo em janeiro último após 13 meses vago, à frente do espaço. “Reabrir o museu, ainda que de forma híbrida, virtual e presencialmente, com visitas agendadas, é um ato simbólico, um ato de saúde, de cura mesmo, nesse momento em que a arte se faz tão necessária na vida das pessoas”, diz.

 Com exposição de Lina Bo Bardi, Pola Ribeiro dá a largada na sua gestão (Divulgação)

De acordo com o diretor, o martelo ainda não foi batido sobre como o espaço funcionará em tempos de pandemia. “Estamos em discussão sobre o detalhamento destas questões, mas uma das possibilidades é de que destacaremos apenas os funcionários que já estão vacinados para o atendimento durante a abertura física”, diz Pola Ribeiro, se incluindo neste contingente.

Retrato de Lina por Bob Wolfenson foi doado ao MAM pelo fotógrafo (Bob Wolfensen/Acervo MAM)

“Eu e mais uma parte da equipe, formada por funcionários antigos e que trabalham no museu há muitos anos, ficaremos na linha de frente para garantir a segurança de todos. Mas essa data, bem como a forma de funcionamento do espaço, ainda pode ser alterada, vai depender dos rumos da pandemia”, explica ele.

Ex-votos do acervo de Lina Bo Bardi serão expostos na Capela (divulgação)

A exposição, que tem curadoria do baiano Daniel Rangel, radicado em São Paulo, terá além das peças - que ocuparão o casarão principal onde se encontra a famosa escadaria de degraus encaixados criada por Bo Bardi sem uso de pregos ou parafusos, e a capela - outras ações híbridas como o acesso remoto do visitante a gravações, vídeos, documentos e depoimentos que serão disponibilizadas no site do museu.
 

Baiano Daniel Rangel assina a curadoria da exposição (divulgação)

“A proposta é promover interatividade e permitir que o público possa acessar não só a exposição como outras atividades que vêm sendo desenvolvidas no espaço como as oficinas de gravuras e pinturas que estão sendo ministradas pelos artistas Ieda Oliveira e Valoisio Bezerra”, conta o curador.

A tela O Touro, de Trasila do Amaral volta a ser exibida pelo museu (divulgação)

A ideia, segundo Rangel, é “de certa forma, tentar realizar um sonho antigo de Lina que era unir artes moderna, contemporânea e popular promovendo esse diálogo e fazendo uma interlocução com a raiz da regionalidade, através de elementos modernistas como cores, forma e conteúdo que são a raiz do modernismo”.

Os Brasileiros, obra do baiano Juraci Dórea estará na exposição (divulgação)

Além das obras do acervo do MAM - que inclui peças de artistas como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Carybé, João Farkas, José Pancetti, Marepe, Mário Cravo Jr., Calasans Neto, dentre outros - a exposição contará ainda com novas peças doadas ao museu por artistas brasileiros.

Ex-voto de Mario Cravo Jr. (1959) será exposto na capela (divulgação)

Nos últimos dias, o MAM recebeu doações de peças de artistas como Maxim Malhado (BA), Ieda Oliveira (BA) e Afonso Tostes (MG), além de uma fotografia de Lina Bo Bardi de autoria do fotógrafo Bob Wolfenson (SP), que passarão a integrar o acervo permanente do museu. 

“A ideia da exposição é, de certa forma, tentar realizar um sonho antigo de Lina que era unir artes moderna, contemporânea e popular promovendo esse diálogo e fazendo uma interlocução com a raiz da regionalidade, através de elementos modernistas como cores, forma e conteúdo que são a raiz do modernismo”, revela  Daniel Rangel, curador

Ainda em fase inicial de montagem, a mostra, segundo o curador, antecipa as comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna, que será comemorado em 2022. 

Seguindo a lógica de Lina, que defendia que a produção de arte popular ocupasse um lugar tão importante quanto o da erudita, o curador trabalhou com a ideia de unir, de forma harmoniosa, o verdadeiro simbolismo modernista incorporando elementos das diversas culturas brasileiras. 

Peças do acervo do museu selecionadas para compor a exposição (divulgação)

Assim, os ex-votos de Mario Cravo Jr., de propriedade do museu, ficarão expostos ao lado de peças de 'divindades' do acervo popular da arquiteta na capela do Solar do Unhão, espaço que será dedicado à religiosidade.

 “Unir esses universos, aparentemente distintos, a academia e o popular, fará com que o visitante perceba essa interlocução”, explica o curador, citando como exemplo desse diálogo, a disposição da tela O Touro, de Tarsila do Amaral, ao lado dos tourinhos de cerâmica do acervo de arte popular da arquiteta, ou trajes dos vaqueiros ao lado de obras de Carybé, e por aí vai.

Curador seleciona peças do acervo que comporão o Museu de dona Lina (divulgação)

Entusiasmado com o projeto, o curador, que afirma que além da exposição vai desenvolver outros trabalhos para o museu, aposta em reconectar o MAM ao legado de Lina Bo Bardi. 

Restaurante e píer serão reabertos

Após a reabertura do museu, o próximo passo será a volta do restaurante do Solar do Unhão e entrega do píer e atracadouro, que passaram por obras a um custo de mais de R$ 3,8 milhões com recursos do Prodetur. 

De acordo com o diretor do MAM Pola Ribeiro, as obras devem ser concluídas nos próximos 10 dias quando será aberta a licitação para exploração do espaço pela iniciativa privada. 

Restaurante do MAM será administrado pela iniciativa privada (Perspectiva/divulgação)

Além dos salões, o novo restaurante vai ocupar parte do píer com mesas e cadeiras sobre o mar. Para o próximo ano, quando será comemorado o centenário de Rubem Valentim, será a vez da reabertura da sala dedicada ao artista, bem como a revitalização do Parque das Esculturas que está atualmente fechado. “Estamos estudando a intervenção em parceria com a Universidade Federal da Bahia, e a ideia é que no próximo ano tenhamos o espaço revitalizado e reaberto à visitação”, diz.

MAM vai ganhar atracadouro que levará ao Solar do Unhão (Perspectiva/divulgação)

Outra solução que está sendo estudada, segundo o diretor, é o acesso e uso da Praia do MAM, atualmente fechada para acesso de visitantes pela área do museu. “Temos conversado com a comunidade para controlar o acesso que, no momento, tem acontecido apenas pelo mar através de barquinho, quando a prefeitura autoriza a reabertura das praias”, conclui.  


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