Na peça Sísifo, Duviver usa mito grego para falar da modernidade

entretenimento
12.05.2022, 21:09:22
Duvivier em Sísifo (Foto: Daniel Barboza/divulgação)

Na peça Sísifo, Duviver usa mito grego para falar da modernidade

Montagem será exibida no TCA sexta (13) e sábado (14). No domingo, terá ingressos a um real

Gregório Duvivier foi o último artista a pisar no Teatro Castro Alves antes da pandemia, quando apresentou o monólogo Sísifo, em março de 2020. Agora, ele está de volta ao mesmo palco com a mesma montagem, que é uma sequência de 60 cenas curtas que abordam dilemas contemporâneos. Influenciadores digitais, absurdos das transmissões ao vivo nas redes sociais, o momento político brasileiro e as desilusões pessoais da vida digital são alguns dos assuntos do texto criado pelo próprio Duvivier e por Vinícius Calderoni.

O mito de Sísifo original é a base para o roteiro e funciona como uma metáfora, segundo o ator, um dos mais polivalentes artistas do país, já que é também roteirista, colunista, poeta, humorista, apresentador...

"É uma metáfora pra falar do eterno retorno, do absurdo da vida. O mito é um ponto de partida para a peça, mais que um ponto de chegada".

Para Duvivier, a montagem fala também de amor, de se apaixonar e de desapaixonar. Política, que também é marca da carreira dele, claro, está presente. "Fala também de democracia, que precisamos reconstruir, mesmo que desmorone. Um mito tem mil propósitos e a mitologia tá aí pra isso, pra nos dar imagens e dizer o que a gente precisa".

Duvivier também faz a relação entre o mito de Sísifo e um gif, aquela imagem digital de curta duração que se repete indefinidamente. "O gif é uma espécie de Sísifo e a gente usa isso pra mostrar que Sísifo tá em toda parte. Então, a nossa timeline é sempre cíclica. Por isso, Sísifo é como um gif e a peça fala desse gif".

(Foto: Marcelo Rodolfo/divulgação)

Sobre a democracia e o momento político brasileiro, Duviver é categórico: "Vivemos uma distopia, o abraço à ignorância, o apreço pela mentira, as fake news, o atraso nas vacinas, a chacina da pandemia, uma ameaça de golpe... é tanta coisa, que não dá nem pra começar. É bem distópico!"
No domingo, Sísifo será apresentado no projeto Domingo no TCA, com ingressos a R$ 1. 

O ator se entusiasma com a ideia de fazer uma apresentação a preços simbólicos e acredita que essa é uma maneira de democratizar o acesso à cultura: "Esse tipo de iniciativa incentiva o público a ir ao teatro. Fico muito feliz com essa sessão porque abre as portas do teatro para pessoas que têm 'medo' de ir ao teatro, porque acham que não é para eles".

No final do ano passado, o ator lançou um livro de poemas pela Companhia das Letras, Sonetos de Amor e Sacanagem, que fala, segundo ele mesmo, de amor e humor, ou, pelo menos, de amor com humor.

"Sonetos mantém verve de humor e fala de amor. E esses dois elementos andam juntos, formam uma bela dupla. Muita gente acha que humor é só leveza e amor é só profundidade. Mas amor precisa ter leveza e humor, profundidade", defende o poeta.

No humor, Duvivier é conhecido principalmente pelo Porta dos Fundos, grupo do qual é um dos fundadores. Uma das marcas daquela trupe, que foi revolucionário no Brasil, é fazer humor com o opressor e não com o oprimido, como costumávamos ver na TV, em que o negro, o gay ou a mulher eram alvo de piadas. Mas o Porta subverteu isso e hoje ridiculariza o racista, o machista, o homofóbico. "A piada, quanto mais fácil, é também mais preguiçosa e menos engraçada. Humor tem a ver com risco e rir do opressor é mais engraçado".

SERVIÇO
Sísifo
Quando: 13 e 14 de maio de 2022 (sexta e sábado), 21h
Onde: Teatro Castro Alves
Ingresso: R$ 120 | R$ 60 (A a P); R$ 100 | R$ 50 (Q a Z4); R$ 80 | R$ 40 (Z5 a Z11)
Descontos sobre a inteira: 40% para assinantes Clube Correio*, 30% para SDB Premium, 20% para assinantes A Tarde+ e 20% para Academia Hammer Classificação indicativa: 16 anos

DOMINGO NO TCA
Quando: 15 de maio de 2022 (domingo), 11h
Quanto: R$ 1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia)
Vendas somente no dia, a partir de 9h, com pagamento apenas em dinheiro e acesso imediato do público

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