“Não conseguia ter relações sexuais direito", revela Bela Gil

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07.05.2018, 05:38:00
Atualizado: 07.05.2018, 10:14:32
(Foto: Anna Fischer/Divulgação)

“Não conseguia ter relações sexuais direito", revela Bela Gil

Nutricionista revela detalhes do parto e fala sobre o livro Bela Maternidade, que lança no Salvador Shopping

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“Não conseguia ter relações sexuais direito por um ano e isso afetou muito a minha vida”, revela Bela Gil, 30 anos, ao CORREIO sobre a episiotomia que enfrentou no primeiro parto. O procedimento - um corte feito no períneo (região entre vagina e ânus) para ampliar o canal de parto - , foi o que motivou Bela a optar pelo parto normal domiciliar na segunda gravidez.

“Só depois fui entender que esse procedimento não é necessário. Por isso é importante a gente estar sempre bem informada. Esse é o maior empoderamento da mulher”, defende Bela, que lança o livro Bela Maternidade: Meu Jeito Simples e Natural de ser Mãe (Sextante | 256 páginas), sexta-feira (11), às 19h, na Praça Central do Salvador Shopping.

No bate-papo gratuito, Bela compartilha essas e outras experiências, dá dicas de nutrição, amamentação e até receitas para mães e filhos. A programação faz parte do evento Muito Mais que Comemorar, que inclui shows de Leoni, na quarta-feira (9), 19h, e Guilherme Arantes, no domingo (13), 18h.

Parto normal ou cesárea? Especialistas e mães defendem suas escolhas

Confira a entrevista completa com Bela

1. Como será o evento de lançamento do livro Bela Maternidade: Meu Jeito Simples e Natural de ser Mãe?
Vou falar um pouco sobre a experiência de escrever o livro e as ideiais que quis compartilhar. É um evento aberto para perguntas, é mais para ter uma interação com o público mesmo. As pessoas sempre têm curiosidades e é uma maneira de estar próxima do publico.

2. Na maternidade, a mulher enfrenta um turbilhão de perguntas e escolhas. Uma delas é o parto: como foi sua escolha?
Minha decisão em relação ao parto do Nino [normal domiciliar] foi muito pelo fato de não ter tido uma experiência tão boa com a Flor [cesárea]. Só descobri que poderia ter sido muito melhor depois que comecei a ler e me informar melhor sobre o parto humanizado.

Decidi ter em casa para ter mais controle da situação e não sofrer violência obstétrica como sofri.

3. Você sofreu pressão por conta da escolha? De onde veio a pressão?
No parto do Nino não sofri, porque eu e meu marido estávamos muito conectados. O casal precisa estar super seguro e firme sobre sua escolha. Não surgiram muitas pressões, obviamente que tinha de amigas e amigos, que diziam: “Não é perigoso?”, “Não é uma decisão egoísta?”. Mas os familiares respeitaram muito a minha decisão, ninguém questinou e isso foi muito bom, porque é como se tivesse o aval que é muito importante pra mulher na hora do parto. No parto da Flor achei que foi tudo muito normal, mas entendi que eu poderia ter questionado mais. Não sabia da questão do corte do períneo, não sabia como era esse procedimento e que isso poderia afetar a minha vida no pós-parto. No meu caso foi muito ruim, porque fiquei com dor na região por quase um ano.

Foi muito ruim. Não conseguia ter relações sexuais direito e isso afetou muito a minha vida. Só depois fui entender que esse procedimento não é necessário. Por isso é importante a gente estar sempre bem informada pra saber até onde a gente pode interferir. Esse é maior empoderamento da mulher.

4. Há quem diga que existe uma indústria que tenta 'empurrar' cesariana para todas as mulheres. Você concorda? Por quê?
Acho que depende. Generalizar é muito complicado, mas aqui no Brasil existe uma epidemia de cesariana, o que não é bom para a saúde da mulher e dos bebês, já que a Organização Mundial de Saúde recomenda que o país tenha até 10% de cesariana, enquanto que no Brasil chega a quase 90% na rede privada. Independente de ser no SUS ou na rede privada, a taxa é muito grande. Isso surge muito por conveniência médica, muitos não escondem isso, o que acho válido, mas é muito ruim a mulher não ter conhecimento dos prós e contras. É importante a mulher ter opção. Aquela que quer ter cesárea, é uma escolhe dela, isso precisa ser respeitado. Assim como a mulher que quer fazer humanizado.

5. Há quem diga que o parto humanizado não passa de uma moda. Você concorda? Por quê?
Não passa de uma moda, mas espero que a moda não passe.

6. Como as pessoas deveriam lidar com a escolha da mulher no parto?
Não é um bicho de sete cabeças. Precisamos olhar a gravidez, o parto, como parte da vida. Não só o parto, mas a amamentação. As pessoas criticam demais e colocam isso em um patamar de extrema esquisitez, algo muito fora do padrão.

A relação das pessoas em relação ao parto deve ser natural. A gente que vem mecanizando, industrializando, mas a gente precisa voltar um pouco atrás e ver como é natural.

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