'Não é difícil ganhar dinheiro', diz ex-catador de latas que fatura R$ 50 milhões

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11.02.2019, 07:00:00
Atualizado: 11.02.2019, 10:18:10
'Faça com paixão e você vai crescer. Pode ser que amanhã ou depois, de catador de lata você se torne um grande sucateiro', afirma Rufino. (Foto: Divulgação)

'Não é difícil ganhar dinheiro', diz ex-catador de latas que fatura R$ 50 milhões

Geraldo Rufino conversou com o CORREIO sobre empreendedorismo, propósito e o poder da positividade

O empreendedorismo ele conta que aprendeu com a mãe, que tinha uma pequena pensão e uma roça, em Minas Gerais, antes de ir para São Paulo e trabalhar como diarista. “O empreendedorismo pra mim é meio que na veia. Eu empreendo desde pequenininho por que minha mãe era uma empreendedora nata”, diz o empresário Geraldo Rufino, que iniciou sua trajetória como catador de lata ainda quando era criança.

Como empresário, ele mudou o conceito de desmanche de veículos para reciclagem automotiva ao fundar a JR Diesel. De lá para cá, o ‘Catador de Sonhos’ preside hoje uma empresa que fatura atualmente R$ 50 milhões.

Alguns podem chamar de sorte, outros de milagre, mas ele prefere chamar de propósito. “Todo cara que sai de manhã entendendo que ele pode fazer um pouquinho mais é um empreendedor”.

Em visita a Salvador para o lançamento das operações da Algar Telecom na capital baiana, Geraldo conversou com o CORREIO e garantiu: “Não é difícil ganhar dinheiro”.

Veja na entrevista:

  • Um ex- catador de latinhas que virou um grande empresário. Como você se tornou o 'Catador de Sonhos'? 

Pra mim o empreendedorismo é quando as pessoas têm vontade de fazer a diferença para impactar a vida do outro, de construir para produzir alguma  coisa para mais alguém. As pessoas têm um equivoco de  achar que empreender é ter um CNPJ. O que você pode fazer pelo outro? Então, empreender é isso. E eu faço isso desde pequenininho. Vim de Minas pequeno, minha mãe já era empreendedora e eu fui aprendendo aqueles valores. Perdi minha mãe muito cedo. Tinha uns sete anos e eu fui empreender trabalhando no CNPJ do outro, dos 8 aos 9 anos. Depois eu fui catar latinha – pra mim aquilo era empreendedorismo porque eu tinha o meu próprio negócio. Depois eu  arrumei outro emprego com 13 anos. Eu cresci nessa empresa e fiquei lá por 18 anos. Fui de office-boy a diretor de um grande grupo, mas nunca deixei de ajudar as pessoas. E de tanto eu ajudar as pessoas, em um belo dia eu passei a ser empreendedor só do meu CNPJ.   

  • Como você descobriu o seu próposito?

Os meus propósitos são contados de acordo com a minha emoção, dentro das minhas possibilidades e naquelas pessoas que eu quero atingir naquele momento. Meu proposito hoje  é ser empreendedor e aumentar a quantidade de  oportunidades para as pessoas, gerar mais oportunidades. Você tem um proposito principal e com o resultado desse proposito você realiza outras coisas. A vida você já ganhou. Vai buscar o dinheiro, que você ganha o resto.

Ser empreendedor de si mesmo nas suas atitudes, no seu comportamento,  na quantidade de horas  que está disposto a produzir, no jeito  que você se flexibiliza para conviver com as diferenças, no ambiente que você estiver.  

  • Como vê define o perfil do empreendedor nato? 

Pra mim, não ser empreendedor é sair de manhã preocupado em entregar 8h de trabalho. Esse cara não é empreendedor, ele é CLT. O empreendedor é aquele que tem a iniciativa de tomar conta de mais pessoas, ser a locomotiva  e não o vagão. Abastecer suas bases para puxar quantos vagões forem necessários. É ter a capacidade de se movimentar e arrastar vagões. Mas também prepará-los e até puxar outras locomotivas. Ou seja, preparar pessoas, cuidar delas e fazer por elas. 

  • Por que ‘não é dificil' ganhar dinheiro’? 

Você precisa começar fazendo alguma coisa. Mas não fica procurando perfil. Tem que apostar no que nós temos para hoje. Perfil é coisa de Facebook. Eu duvido que um cara não consiga ajudar outro a descarregar uma areia e não ganhe, pelo menos, R$ 10. Ou que vá vender limão na rua e que ninguém vai comprar esse saquinho de limão.  Não importa a atividade. Você precisa querer e se doar àquilo.

Aceita qualquer trabalho que seja digno. A garçonete vai ser a dona de uma rede de lanchonete lá na frente. Uma grande pessoa aceita o que tem pra hoje.  Se ela tiver humidade e olhar do lado, vai saber como começar. Isso todos nós podemos, não tem nada a ver com condição social. 

  • Como fazer a diferença e  impactar o outro? 

Seja um gerador de oportunidades. Existem muitas maneiras de gerar oportunidades. Com network, indicação, sugestão, exemplo e produtividade. Tem muitas maneiras de ajudar outras pessoas: com palavras, por exemplo. As pessoas são boas e já está dentro delas esse conteúdo,   você só precisa despertá-las. Empreender de dentro pra fora é ser um alguém que faz esta diferença na vida dos outros. 

  • Você fala muito sobre a importância de se ter uma atitude positiva. Por que é  fundamental ser otimista e como não se deixar desmotivar pelos problemas e desafios de empreender? 

Quais são os seus valores? Eu sou muito forte nos meus valores. Você já é  forte. As pessoas ficam terceirizando os problemas e acham que a culpa não é delas. Quando você assume um problema e entende esta culpa, você passa a ser dono dele. Como dono, você pode fazer o que quiser com ele. Catar latinha, comer no lixão, isso não é sofrimento, era o que eu tinha para o dia. Sofrimento pra mim foi aprendizado. Aí não deu tempo de eu sofrer ou lamentar.

Olhei para o retrovisor e busquei uma maneira de tirar proveito da parte podre da laranja. Positivo você precisa ser até por gratidão pelo dia que começa.

Faça com paixão e você vai crescer. Pode ser que amanhã ou depois, de catador de lata você se torne um grande sucateiro.  O que te faz feliz? onde seu coração bate? Se dedique para fazer o melhor. 

Biografia
Geraldo Rufino começou como catador de latinhas aos 11 anos. Foi de office-boy a diretor em uma mesma empresa até se tornar  o fundador da JR Diesel, uma distribuidora de peças automotivas seminovas.  Hoje a empresa de  Rufino fatura R$ 50 milhões por ano  e está avaliada em nove dígitos, gerando 180 empregos diretos na área de reciclagem automotiva. A postura visionária do empresário o levou a escrever dois livros: O Catador de Sonhos (2015) e o Poder da Positividade (2018).


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