‘Não existe São João sem fogueira ou forró’, garante Alceu Valença

entretenimento
22.06.2019, 05:50:00
(Foto: Eloi CorreaGOVBA/Divulgação)

‘Não existe São João sem fogueira ou forró’, garante Alceu Valença

Atração do São João da Bahia, cantor pernambucano se apresenta no Largo do Pelourinho neste sábado (22)

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Imagine a maratona, aos 73 anos: oito shows em cinco estados em menos de duas semanas. Como aguentar o ritmo? “Palco, pra mim, é vitamina”, garante o cantor pernambucano Alceu Valença, ao CORREIO. Atração do São João da Bahia, com show marcado no Largo do Pelourinho neste sábado (22), às 22h, Alceu revela os segredos para seguir firme e forte no palco, conta como será o show e defende a alma junina: “Não existe São João sem fogueira, sanfona ou forró”. Confira.

(Foto: Eloi CorreaGOVBA/Divulgação)

Como será seu show em Salvador? O que está preparando para o repertório?
Vou apresentar meu show de São João, com muito forró, xote, baião, dentre outros gêneros desenvolvidos no agreste e no sertão do Brasil por nomes como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. São estilos que constituem a trilha sonora mais essencial das festas juninas no Brasil. Canto músicas de minha autoria identificadas com estes gêneros, como Coração Bobo, Cabelo no Pente, Embolada do Tempo, além dos maiores sucessos de minha carreira: Anunciação, Tropicana, Belle de Jour, Como Dois Animais, Girassol, Táxi Lunar...

No São João não podem faltar músicas do repertório de Luiz Gonzaga. Então eu canto Baião, Sabiá, Vem Morena, Pagode Russo, Juazeiro. Também vou homenagear o centenário de Jackson do Pandeiro com O Canto da Ema, um de seus grandes clássicos, e Papagaio do Futuro, música de minha autoria, que defendi no início da minha carreira ao lado de Jackson e Geraldo Azevedo no Festival Internacional da Canção. Ele costumava chamar está música de “a embolada do século XXI”!

Você fará uma sequência de oito shows em cinco estados, tudo em menos de duas semanas. Como aguentar o ritmo?
Palco pra mim é vitamina, é onde me sinto melhor, é o meu lugar no mundo. No palco eu me entrego completamente ao contato com o público. Sempre foi assim, desde o começo da minha carreira. Tem gente que fica nervosa, treme, tem vontade de fazer xixi... Comigo isso não acontece. 

Sempre me senti revigorado no palco. Mas claro que precisamos de alguma disciplina para encarar a maratona. Eu mesmo não fumo, não bebo, caminho dez mil passos por dia contados por um aplicativo no celular. Só gostaria de dormir mais, mas às vezes a insônia me pega de jeito nos quartos de hotel em que me hospedo (risos).

Você tem uma relação forte com as festas juninas - inclusive, declarou que gosta de preservar algumas tradições, como cantar somente estilos do agreste e sertão. Por que essa escolha?
Nunca fui tradicionalista, mas gosto de manter algumas tradições. Então, nos meus shows de carnaval, por exemplo, canto apenas os estilos que representam a identidade da folia pernambucana, como o frevo, o maracatu, os caboclinhos, as cirandas. Já no São João eu privilegio os gêneros do Brasil profundo, que são a minha influência primeira. Venho de uma região muito próxima da de Luiz Gonzaga, assimilei direto da fonte os elementos que ele estilizou para formatar o forró e o baião.

Quando menino eu via os cantadores, os emboladores, os violeiros, os cordelistas nas feiras da minha cidade, São Bento do Una, no agreste do estado de Pernambuco. A cultura das festas juninas no Brasil está diretamente associada a estas manifestações. Pra mim, não existe São João sem fogueira, sanfona ou forró. Hoje em dia a coisa anda um pouco descaracterizada, mas faço questão de manter minha identidade em tudo o que faço. Como diria o filósofo Ortega y Gasset, “eu sou eu e as minhas circunstâncias”.

Você soube que seu sucesso Anunciação ganhou versão, aqui em Salvador, para embalar o Brasil na Copa América? O que achou dessa mudança? Está conseguindo acompanhar a seleção?
Que coisa boa, não sabia. Você tem a letra pra me ensinar? Anunciação tem sido muito cantada nos estádios. Há algum tempo o pessoal do Fluminense cantava esta música, recentemente a torcida de um clube do Paraguai (Cerro Porteño) fez uma versão em castelhano. Fico muito honrado com isso, apesar de não ser muito ligado em futebol. 

Há algum projeto novo para o pós-São João?
Logo depois do São João eu tiro umas semanas de férias em Lisboa, onde tenho um apartamento. De lá, sigo para minha turnê norte-americana: vou cantar no SummerStage, em Nova York, e em casas noturnas de Boston, Miami, Orlando, San Francisco, Los Angeles e Toronto. Em setembro estreio um novo show de teatro, o Amigo da Arte, que chega a Salvador em abril do próximo ano, no Teatro Castro Alves.

Devo gravar alguns singles no segundo semestre, incluindo uma canção inédita que fiz recentemente com meu parceiro Herbert Azzul. Em janeiro gravo o concerto Valencianas 2, ao lado da Orquestra Ouro Preto, na Casa da Musica, na cidade do Porto, em Portugal. Atualmente há dois documentários sobre mim: um deles, Alceu Valença na Embolada do Tempo, dirigido por Paola Vieira, estreou semana passada no Festival In-Edit, em São Paulo, e será exibido no dia do meu aniversário (1º de julho) no Canal Curta! O outro, ainda em produção, enfoca minha produção dos anos 70 e tem direção dos cineastas Cláudio Assis e Lírio Ferreira.
 

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