Nelson Motta fala sobre livro novo, revela memória e conta causos

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14.01.2010, 11:26:13

Nelson Motta fala sobre livro novo, revela memória e conta causos

Ele revela que prepara um novo livro para este ano sobre uma personalidade baiana

Nelson Motta, 65 anos, viveu alguns dos momentos mais importantes da história da MPB nas últimas cinco décadas. Jornalista, produtor musical e compositor nascido em São Paulo e criado no Rio, ele foi responsável por discos de Marisa Monte, Gal Costa e Elis Regina, por letras de clássicos pop como Perigosa, das Frenéticas, e Como uma onda, com Lulu Santos, além de ter acompanhado o surgimento da Bossa Nova. Em 2008, idealizou o álbum/tributo de Fernanda Takai a Nara Leão. Há dez anos, porém, Nelsinho, como é chamado pelos amigos, se dedica majoritariamente a uma outra atividade. “ Hoje a literatura me interessa muito mais do que a música”, afirma sorridente.


Bem-humorado, Nelson Motta lança em Salvador seu livro de contos

Em Salvador para lançar Força estranha (Editora Objetiva/ R$29,90/152 páginas), na sexta-feira (15), no Restaurante Amado, às 17h, o autor recebeu o CORREIO em um hotel em frente ao mar do Rio Vermelho para um bate-papo em ritmo baiano. Décimo livro - e o primeiro de contos - de Nelson Motta, Força estranha relata histórias da orla da Zona Sul do Rio, dos terreiros da capital baiana à bela ilha de Boipeba, dos quartinhos frequentados por poderosos em Brasília, da Buenos Aires da ditadura militar e da Nova York do cineasta Woody Allen... A seguir, confira trechos da entrevista.

Depois de muitos anos trabalhando como jornalista, foi difícil se tornar um ficcionista?
Foi bem difícil. Eu penei um ano para escrever meu primeiro livro de ficção (O canto da sereia/2002), que não chega a ser um romance policial, é mais uma paródia do gênero. Eu comecei por aí, porque achei que era menos difícil, depois foi melhorando. O meu terceiro romance (Ao som do mar e à luz do céu profundo/ 2006), que eu considero o meu melhor, também foi difícil, mas já menos. Agora, com esse, já está mais dominado. Passei o ano inteiro sem conseguir fazer nada, mas depois que vim pra Salvador, em janeiro do ano passado, desembestei a escrever e terminei o livro em 45 dias.

É o seu primeiro livro de contos. Como foi a adaptação à narrativa mais concisa?
O conto tem mais a vercom a internet, com o tempo de hoje. Não foi difícil manejar a linguagem. Difícil é você chamar a atenção do público para um livro de contos, mas ele tá indo bem, graças a Deus e ao Senhor do Bonfim (risos). E o formato me permitiu fazer um livro onde as oito primeiras histórias se passam em lugares, épocas e com personagens diferentes que, aparentemente, não têm nada a ver um com o outro. Na nona história, se vê que não é bem assim e, na última, finalmente, se revela o mistério de como todas elas estão interligadas. Então, tem esse diferencial.

Você escreveu parte do livro em Salvador. Qual é a sua relação com a cidade?
Eu vim pra cá pela primeira vez em 1969 e me apaixonei completamente. Nunca mais deixei de vir. Gosto do estilo de vida, do tempo baiano. Todos os meus livros têm uma parte escrita aqui. O Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia (2007) tem uma boa parte escrita aqui. Fiquei aqui boa parte daquele Verão, escrevendo sobre o Tim Maia às gargalhadas! E tem aquela solta da Bahia (risos), aquela maravilha, uma inspiração.

E o que você não gosta em Salvador?
O trânsito já tá começando a incomodar. Também temos problemas de violência urbana, que eu ouço falar, mas não chego a conviver diretamente. Também eu moro no Rio de Janeiro, então tô acostumado. Mas meu único problema de verdade com a Bahia é a comida. Eu não como peixe, não como frutos do mar, detesto dendê... Então, o item gastronomia é meu único conflito insanável.


Na história da MPB, Nelson Motta (no centro) participou de uma reunião no Rio

Você esperava que a biografia de Tim Maia, que vendeu mais de 110 mil cópias, fizesse tanto sucesso?
Eu sabia que o livro ia fazer sucesso, porque o Tim era muito popular. Eu nunca conheci uma pessoa que não gostasse dele. Pode detestar Tom Jobim, Roberto Carlos, Caetano Veloso, mas o Tim não. Mas superou todas as expectativas e já foi vendido para o cinema. Devem filmar este ano.

Em sua trajetória como crítico musical, você sempre optou por uma linha menos incisiva. Porquê?
Isso decorre da minha posição como compositor, como produtor, como letrista. Eu consigo ver as coisas pelos dois pontos de vista: do crítico, distanciado, e de quem faz, que conhece o processo.

Você e Roberto Carlos já tiveram algum desentendimento?
Quando teve essa proibição do livro dele (a Justiça vetou, em 2007, a venda de Roberto Carlos em detalhes, uma biografia não autorizada), eu fui completamente contra e escrevi dizendo que ele estava cometendo um grande erro. Depois disso, teve um show no Rio e ele mandou me convidar. Chegando no camarim, Roberto falou alto pra todo mundo ouvir: “O pessoal tava aí dizendo que eu não devia convidar porque tá contra mim. Não tá contra nada, ele tem apenas uma opinião diferente da minha”. Foi a glória! Nesse dia, ele até cochichou pra mim que um dia ia explicar tudo, que eu ia entender, mas nunca aconteceu.

Você idealizou, em 2007, um disco de Fernanda Takai (vocalista do Pato Fu) cantando o repertório de Nara Leão. Você tem alguma outra combinação como essa em mente?
Eu adoraria ouvir um disco de João Gilberto cantando João Donato, mas isso é muito pouco provável (risos).

Você produziu, em 2003, o ‘MTV ao vivo Daniela Mercury’, gravado na Concha Acústica do TCA. Como foi a experiência?
Foi uma maravilha. A gente ensaiou uns três meses aqui na Bahia, com aqueles músicos maravilhosos, Cesário, Peu... Só fodão mesmo. E ela é uma profissional espetacular, incansável, repete mil vezes, é perfeccionista, super dedicada. Deu tudo certo ali.

Você está produzindo dois roteiros para cinema?
Um é um longa-metragem de ficção baseado na vida do Marcelo D2, no início da Planet Hemp, mas sendo o D2, bota baseado nisso! (risos). Tem também uma história que escrevi pro Cacá Diegues, que se passa no dia em que foi gravado Chega de saudade, em 1958.

Fala da fundação da Bossa Nova, mas também é uma ficção. Quais são os próximos planos?
Esse livro novo (aponta para o laptop aberto sobre a mesa), que deve sair ainda este ano. É sobre uma grande personalidade baiana. E se passa ali no final dos anos 50 e vai até o golpe de 64. Então pega uma época maravilhosa da Bahia, quando começou o Teatro Castro Alves, o reitor Edgard Santos, a Escola de Dança, a Escola de Teatro, isso tudo nesse tempo, então vai ser muito bacana.

Não pode revelar quem é?
A editora disse que não pode (risos). E é bom porque são tantas personalidades baianas que todo mundo vai ficar na dúvida. Mas é coisa de uns meses pra todo mundo saber. É uma questão de direitos aí.

Ficha
Livro  Força estranha 
Autor Nelson Motta 
Editora Objetiva 
Preço R$29,90/152 páginas

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