Neurocientista debate o medo em live no Instagram

entretenimento
22.06.2020, 06:00:00
Psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani Ramos leva a naurociência aplicada para as práticas diárias durante a pandemia (Divulgação)

Neurocientista debate o medo em live no Instagram

Anaclaudia Ramos comanda o Pílulas Diárias, que estreia nesta segunda (22) às 11h30, e aborda a neurociência no dia a dia

Como ficar motivado? Como não ficar ansioso? Como afastar o medo? Como manter a rotina em dia? Além da ajuda externa - como recorrer a consultas virtuais com psicólogos e plataformas de auxílio psiquiátrico - o conhecimento da própria mente pode ser uma ferramenta fundamental para compreender e tornar mais leve o momento que vivemos.

É o que explica a neurocientista e psicóloga paulista Anaclaudia Zani Ramos, 51 anos, que comanda a partir desta segunda-feira uma série de lives em sua página no instagram (anaclaudia.eita), que mostrarão como a neurociência pode ajudar no nosso  dia a dia.

Batizada de Pílulas Diárias, o projeto tem como objetivo “prevenir sensações como medo, angústia e ansiedade a partir do diálogo do que sinto com o que eu penso”, define Anaclaudia. “Para o nosso cérebro, a informação por si só é apenas uma forma de comunicação. Mas se conseguir transformá-la em algo útil para mim, internalizar e treinar minha mente, eu consigo criar uma nova forma de pensar e entender a situação, sobrepondo aquilo que eu sentia anteriormente”, comenta a neurocientista.

As transmissões diárias - de segunda a sexta, sempre às 11h30 - serão curtas, sempre com dez minutos de duração. Essa técnica, segundo Anaclaudia, foi escolhida para que as pessoas tenham um maior poder de absorção do que acompanharam na live. “O ideal é que não fique um conteúdo denso e pesado, e que a pessoa pegue pequenas informações e aplique na vida dela. Para que ela veja que é capaz disso e espere a próxima informação que vem no dia seguinte”, explica.

As lives serão transmitidas pelo Instagram (Foto: Reprodução)

Xô, medo!

Neste primeiro bate-papo, a temática será o medo. Mas de que forma ele se apresenta?  A psicóloga explica que, assim como as outras sensações, é preciso “reconhecer que sentimos e que isso é normal”, e que ele funciona como um mecanismo de proteção. “Olhamos pro desconhecido hoje, uma situação que não é familiar. É o mesmo que acontece na infância, por exemplo, quando uma criança tem medo do escuro. Ela tem medo do não vê porque é desconhecido”, comparou.

"O que transborda é o que transtorna", define Anaclaudia

Para além das recomendações de atividades que gerem um bem-estar mental, como uma meditação guiada, leitura e a música, como sugere a própria Anaclaudia, o principal exercício é autorregulação. Num cenário de pouco controle sobre o futuro, como a pandemia, a neurocientista alerta que é importante regular esses sentimentos, principalmente quando a pessoa está cumprindo o seu papel como cidadão. 

“Se eu estou fazendo tudo dentro do possível, e aí inclui o uso de máscaras e ações de higiene, por exemplo, preciso também confiar que as coisas vão se caminhar para um destino saudável, como já estão vivendo outros países”, argumenta.

Dia a dia

Segundo a neurocientista, mesmo depois que o ‘novo normal’ for estabelecido, entender o poder do pensamento se torna algo fundamental para ter uma relação harmoniosa entre mente e corpo. O “comando de voz” que controla a mente depende de como cada um encara a situação: “A neurociência explica que ninguém manda em nós. Eu falo para o meu cérebro o que eu espero dele. Eu sou responsável pelas coisas que me proponho a fazer”, define.

E esse tipo de prática, de entender o próprio corpo, também será debatido nas lives feitas por Anaclaudia. Outros temas abordados nas Pílulas Diárias serão a homeostase - que pode ser definida como o processo do ser humano se manter equilibrado - e a relação do pensamento com a emoção.

Apesar das lives já abrirem um espaço para o debate da neurociência no dia a dia, Anaclaudia reconhece que o tema ainda se restringe a comunidade acadêmica e científica. Não só por ser um “conhecimento de laboratório, voltado para as pesquisas”, mas também por não “aplicarem esse conceito em sessões de terapia”, finaliza a neurocientista.


*com orientação da editora Ana Cristina Pereira

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