No olho do furacão

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13.04.2021, 05:24:00
Atualizado: 13.04.2021, 07:48:46

No olho do furacão


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O Ceará conta desde 2008 com uma iniciativa conhecida como Projeto Professor Diretor de Turma. Mesmo designado como projeto, consiste em uma política educativa para as escolas estaduais de Ensino Médio, que nasce em um cenário tido como “olho do furacão”, no qual se verificavam indicadores de baixo desempenho, abandono e reprovação, que incidiam no fracasso escolar, sendo um verdadeiro nó da situação.

Na década de 1990, o país conferiu centralidade aos programas e projetos do ensino fundamental. No bojo desse processo, investiu maciçamente na criação de políticas para esse nível, tendo como pano de fundo a subordinação à lógica de mercado, expressa pela invasão da iniciativa privada ao âmbito público, mas o ensino médio continuou negligenciado.

Deste contexto para cá, os indicadores apresentaram melhorias, porém, tal feito continua sendo conseguido às custas da intensificação do trabalho docente e atrelado às exigências impostas pelos organismos internacionais, que afetam a escola, da gestão à docência.

 Mas, quem é o diretor de turma? É um professor que, além lecionar um componente curricular, realiza a gestão de uma turma, acompanhando-a nos aspectos cognitivo, afetivo e comportamental. É um profissional que desenvolve ações ligadas às desenvolvidas pela equipe gestora escolar, assumindo-se como um “gestor de sala de aula”.

A política funciona no estado do Ceará há 13 anos, atravessando os governos de Cid Gomes (2007-2010 e 2011-2014) e Camilo Santana (2015-2018 e de 2019-atual). Presente com ênfase no pensamento estratégico do Ceará, tem ênfase na “gestão por resultados” no trabalho intersetorial do estado.

No cenário da pandemia da covid-19, iniciado em 2020 e em curso em 2021, um “olho do furacão” repaginado, o diretor de turma está intimamente envolvido com o desafio de zelar pela presença dos alunos, mesmo em um ensino híbrido, que escancarou as dificuldades de acesso e permanência ocasionadas pelas desigualdades sociais.

Como estratégia central para a garantia da presença do alunado nas aulas remotas, além de condições de acesso e conectividade, o Ceará está adotando desde 2020 a busca ativa, liderada pelos diretores de turma, junto com os gestores escolares, líderes de sala e gremistas, que mantém contato com os alunos por telefone, redes sociais ou conduzindo materiais de estudo impressos até suas casas, adotando os protocolos sanitários.

As diferentes realidades sociais em que os alunos estão inseridos ainda são entraves a esse trabalho. Os diretores de turma e outros profissionais da educação estão assumindo o papel de acolher os alunos em um momento tão difícil na sociedade brasileira. A busca ativa mostra que, além de políticas educacionais, são necessárias políticas sociais que possam garantir que os alunos tenham acesso com sucesso escolar.

Gilmar Pereira Costa é doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), gpc_pedcult@hotmail.com

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