No primeiro dia da chama na Bahia, índios se destacam no Extremo Sul

esportes
20.05.2016, 09:56:00

No primeiro dia da chama na Bahia, índios se destacam no Extremo Sul

Em Santa Cruz Cabrália, cidade da primeira missa no Brasil, a pataxó Luena Santos teve a honra de conduzir a tocha

“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos”. O rosto descrito pelo português Pero Vaz de Caminha em 1500 foi o mesmo que recebeu a tocha olímpica ontem, na chegada da chama na Costa do Descobrimento. Foi em solo baiano que finalmente o símbolo da Olimpíada reconheceu o rosto genuinamente brasileiro: do índio.

Ao chegar em Santa Cruz Cabrália, cidade da primeira missa no Brasil, a pataxó Luena Santos teve a honra de conduzir a tocha. Vestida a caráter, Luena não escondeu a emoção. Ela encontrou uma semelhança forte entre a tocha e os costumes de seu povo.

Pataxó Luena Santos carregou a chama Olímpica em Santa Cruz de Cabrália (Foto: Rio2016/Divulgação)

“Aprendi o significado das cores na tocha, como o céu, montanha, tudo isso tem a ver também com nossa etnia, com a nossa tradição indígena. Com estes desenhos e cores no meu rosto, também estou representando a paz, a prosperidade. O fogo também tem uma ligação forte com nossos antepassados”, disse a pataxó.

Antes de chegar à Costa do Descobrimento, a tocha iniciou seu caminho pela Bahia em Teixeira de Freitas. Curiosamente, o primeiro a conduzir a chama olímpica em solo baiano não foi um baiano, mas um capixaba: José Braz Dávila, nascido em Vitória. Depois de Teixeira de Freitas, a tocha passou por Itamaraju. A última parada foi em Porto Seguro, onde a chama trocou a tocha pela pira e pernoitou.

Crianças tiveram aula fora da escola para acompanhar a passagem da Tocha Olímpica (Foto: Rio2016/Divulgação)

Glauber Rocha 
No segundo dia da tocha em solo baiano, as homenagens vão do jegue ao cineasta Glauber Rocha. O dia começa com a chegada da chama olímpica a Eunápolis. Depois, Itapetinga, onde um dos condutores é um tanto especial na cidade: o jegue. Animal símbolo do município, a tocha começa seu percurso na Praça do Jegue e será conduzida em cima do animal, que estará fantasiado de cangaceiro. Deivid Ribeiro, um criador da região, estará montado no bicho.

Em seguida, a tocha segue para Vitória da Conquista, onde passa a noite. A segunda cidade celebração fará uma homenagem ao seu artista ilustre, o cineasta Glauber Rocha. Quando a chama trocar a tocha pela pira, serão exibidos trechos do filme Terra em Transe, de 1967, além da vida e obra  do conquistense. Depois, apresentações de artes marciais, dança e música. No revezamento, o lutador de MMA Antônio Rodrigo Nogueira, o  Minotauro, será um dos condutores da tocha. Ele também é filho ilustre de Conquista.  

Amanhã, a tocha passa pelos municípios de Itambé, Floresta Azul, Ibicaraí, Itabuna e Ilhéus, onde passa a noite na terra imortalizada por Jorge Amado e pelo Bataclan.

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