Nonato fala sobre jogar contra o Bahia: 'Uma experiência única'

esportes
26.01.2020, 06:00:00
Atualizado: 27.01.2020, 10:33:52
(Foto: Luciana Flores ECPP VC/Divulgação)

Nonato fala sobre jogar contra o Bahia: 'Uma experiência única'

Centroavante enfrentará, pela primeira vez, time que o revelou; em entrevista exclusiva, comenta sobre reencontro, gols e aposentadoria

Aos 40 anos, Nonato viverá algo inédito. Pela primeira vez na carreira, o centroavante vai jogar contra o clube que o revelou. Com a camisa do Vitória da Conquista, ele reencontrará o Bahia neste domingo (26), às 16h, em Pituaçu. O jogo é válido pela segunda rodada do Campeonato Baiano.

Sétimo maior goleador da história do Bahia, com 125 gols, Nonato não esconde que gostaria de estar do outro lado do campo.  No final do ano passado, ele anunciou que se aposentará em 2020 e deixou claro o desejo de encerrar a carreira no Esquadrão, mesmo como integrante do time de aspirantes na disputa do estadual. 

Em entrevista exclusiva ao CORREIO, Nonato falou sobre a situação de não ter sido contratado pelo Bahia, o que vai fazer após se aposentar, como está se sentindo momentos antes de reencontrar o ex-clube e se vai comemorar caso balance a rede. 

O que achou da sua estreia no Campeonato Baiano contra o Jacuipense?
Foi uma atuação normal. Na verdade, eu não tive muitas oportunidades ali na frente. O jogo foi muito truncado, com marcação forte e estava chovendo, mas foi uma atuação boa. É lógico que nós e o torcedor vivemos a expectativa de fazer gols, mas infelizmente não tive a oportunidade. Foi uma atuação boa, tanto minha como da equipe.

(Foto: Luciana Flores ECPP VC/Divulgação)

Está tendo algum cuidado especial com a alimentação para a disputa do estadual?
Estou tendo. Não só para jogar, mas pela saúde. Vai chegando numa certa idade, tem que cuidar um pouco mais. Estou cuidando melhor da minha alimentação, estou no meu condicionamento físico, com relação a peso, normal.

Lógico que, pela estrutura do meu corpo, parece sempre que estou acima do meu peso. Cheguei fora do peso, mas no momento atual estou no meu peso legal. Devo ter perdido de 4 a 5 kg na pré-temporada.

Já está 100% fisicamente?
Fisicamente eu estou me sentindo bem. Quando cheguei, o pessoal já estava há quase um mês treinando. Comecei a treinar no dia 28 de dezembro e estou me sentindo bem.

Como está sendo morar na Bahia outra vez?
Adoro a Bahia, é minha segunda casa, apesar de eu ser natural do Pará. Estou adorando a cidade (Vitória da Conquista). É muito boa, o carinho é enorme das pessoas e isso é legal pra caramba. As pessoas te abraçam, te tratam bem.

Tem encontrado muito torcedor do Bahia nas ruas? 
Tem muitos torcedores do Bahia. Em todo lugar tem torcedor do Bahia. As pessoas até hoje me param na rua e dizem que vão torcer para o Vitória da Conquista por eu ter jogado no Bahia.

E os torcedores perguntam por que você está jogando no Vitória da Conquista e não no Bahia?
Alguns torcedores falam, como teve a mobilização nas redes sociais para eu retornar. Isso partiu de mim. Eu passo minhas férias em Salvador, as pessoas me perguntam e eu toquei nesse assunto. Seria legal encerrar minha carreira no Bahia, aí teve aquela mobilização da torcida, muito positiva, muito legal. É aí que você vê o quanto representa para um clube. Eu queria, mas o Bahia nunca me prometeu nada com relação a isso, de que eu iria encerrar minha carreira aí. É lógico que a torcida vai cobrar dos dirigentes, mas eles nunca me prometeram nada.

A diretoria do Bahia entrou em contato com você?
Cheguei a mandar uma mensagem para o vice-presidente (Vitor Ferraz) e ele não me respondeu. Não passou disso. Quero deixar bem claro que o Bahia nunca me prometeu nada de que eu iria encerrar minha carreira lá. Seria legal, mas não aconteceu e eu estou aqui no Vitória da Conquista. Vou procurar fazer o meu melhor com a camisa do Vitória da Conquista.

O fato do Bahia não ter te contratado para o estadual, como você gostaria, faz com que vá para esse jogo ainda com mais vontade?
Não, não tem nada a ver. O Bahia nunca me prometeu nada. Eu iria ficar chateado se eles tivessem me prometido. Isso partiu de mim, da minha vontade. Nas redes sociais a gente se aproxima muito do torcedor. Eles me perguntavam e eu respondia que tinha a vontade. Só ficou entre a torcida e eu.

Pra mim vai ser um jogo como se fosse contra qualquer equipe. Vou procurar fazer o meu melhor, como faria contra qualquer equipe. É claro que é contra um time que eu tenho um carinho enorme, mas menos vontade ou mais vontade não existe.

Ficou mágoa? 
De forma alguma. O carinho pelo Bahia, pela torcida e a gratidão serão eternos, não tem como eu negar isso.

Se o vice-presidente achou melhor não me responder... Eu simplesmente mandei duas mensagens para ele perguntando se existia alguma possibilidade, porque são as pessoas que mandam no clube. Acho que não custa a pessoa responder, ou pra sim ou pra não, mas mágoa do clube jamais. A gratidão é eterna ao Bahia, o clube que me revelou para o futebol. Não tem mágoa nenhuma, até porque eu nem conheço os dirigentes.

Eu conheço Jayme Brandão (gerente de futebol), que é um cara que estou sempre conversando, mas converso coisas normais, acompanho o Bahia, ia aos treinos quando o Bahia jogava em Goiânia. Mágoa, de forma nenhuma.

(Foto: Luciana Flores ECPP VC/Divulgação)

Como se sente por enfrentar o Bahia?
Vai ser um pouco estranho porque eu sempre joguei a favor. Vai ser uma experiência única, porque eu nunca joguei contra, nunca tinha vestido a camisa de outro clube no estado. Apesar dos meus 40 anos, estou tendo novidades no futebol e essa vai ser uma delas, jogar contra o clube em que sou ídolo, que mais joguei, que mais fiz gols. A torcida tem carinho enorme por mim e eu por ela, mas sou profissional e vou ter que jogar. Vou procurar fazer meu melhor, como contra qualquer outro clube. Nesse momento, a gente tem que esquecer que é o Bahia e procurar fazer o melhor para o Vitória da Conquista, que está dando o sustento da minha família.

Vai comemorar se fizer gol?
Acho que isso aí é relativo. Eu acho que não tem falta de respeito nenhum jogador comemorar contra seu ex-clube.

É claro que não pode extravasar, porque vai ter uma torcida ali que sempre te aplaudiu, mas não vejo nada demais. Não posso te responder isso agora, não sei qual vai ser minha reação. Vou esperar, vamos ver.

Você preferia que esse jogo fosse na Fonte Nova?
Preferia. Apesar da Fonte ser nova, é no mesmo lugar onde eu fui criado, cresci fazendo gols. Seria legal, mas Pituaçu é um estádio ótimo também. Depois da reforma eu ainda não joguei lá.

O ano de 2019 não foi de muitos gols para você. Marcou três em 19 jogos. Por quê?
O ano de 2019 não foi bom pra mim individualmente. Em 2018, sim, foi excelente, eu fui artilheiro, conseguimos eliminar o Botafogo da Copa do Brasil com a Aparecidense, chegamos na final do Goiano. Foi um ano muito bom, mas o de 2019 não foi bom para o clube, não foi bom para ninguém. A gente custou classificar no Goiano para a fase mata a mata. Como eu fazia parte do time, se o time não estiver bem, dificilmente um jogador vai conseguir se destacar. Eu dependo muito dos meus companheiros e, como eles não foram bem, eu também não consegui me destacar.

Você tem uma meta de gols para este Baianão?
O máximo de gols possível, mas não estabeleci meta nenhuma. Se eu puder ser artilheiro, vou ser. Vou procurar fazer gol em todas as vezes que eu entrar em campo. Não tive oportunidade na estreia, mas quem sabe eu tenho no domingo e comece a fazer gols.

Confia que pode ser o artilheiro do estadual?
Eu sempre confio no meu trabalho e potencial. É claro que não sou o mesmo Nonato de sempre, sou um cara de 40 anos, não tenho a mesma mobilidade, mas nos últimos seis campeonatos que teve em Goiás eu fui artilheiro quatro vezes, então, sempre confio no meu trabalho. Tenho a confiança aqui do treinador, do pessoal da diretoria, da torcida, e isso é grande coisa para um jogador, ajuda bastante. Acredito sim que vou fazer um monte de gols pelo Vitória da Conquista.

Você deixou claro que 2020 será sua última temporada. Está convicto disso ou algo pode fazê-lo mudar de ideia?
A princípio estou com a mesma opinião, de parar este ano, mas isso depende muito de desempenho, de como está se sentindo jogando nessa idade. Cada ano vai mudando, mas eu pretendo parar este ano, não sei data, mas seria este ano.

Ainda tem esperança de encerrar a carreira no Bahia?
Não. Acho que depois disso que aconteceu, os caras não atenderem o pedido da torcida, que é o único patrimônio que o clube tem, não. Já joguei Série A e Série C pelo Bahia e a torcida nunca abandonou o clube. Teve essa manifestação e o pedido não foi atendido, então, as chances são mínimas.

Já sabe o que vai fazer após se aposentar?
Eu pretendo continuar no meio do futebol. Já tive vários convites para assumir cargo de gestor ou membro de comissão técnica. Inclusive antes de vir para o Vitória da Conquista, a Aparecidense foi um dos clubes que me convidaram. Não aceitei para jogar ainda este ano de 2020. Quero continuar no meio do futebol.

‘Não era compatível com o momento’,  diz Ferraz

Citado por Nonato, o vice-presidente do Bahia, Vitor Ferraz, explicou o que levou o clube a não contratar o jogador. Segundo o dirigente, o perfil do centroavante não condiz com o projeto elaborado para o time de aspirantes, que representa o Esquadrão no Campeonato Baiano. 

“Nonato é um atleta que a gente tem muito respeito porque é um grande ídolo, um dos maiores artilheiros da história do clube, e a gente respeita muito essa história que ele construiu. Há cerca de um mês, um empresário que tem bastante relação com o clube e que geriu a carreira de Nonato durante um tempo conversou com a gente a respeito da possibilidade. O projeto para o Campeonato Baiano era um pouco diferente, o time de transição visa atletas mais jovens e da base. A gente tinha uma preocupação de não prejudicar a imagem de Nonato com o clube e com a torcida”, afirma Vitor Ferraz.

Segundo o vice-presidente, o Bahia ofereceu a Nonato a possibilidade de fazer uma despedida com a camisa tricolor. “A gente achava que não era compatível com o momento, mas o clube estava de portas abertas caso o atleta tivesse interesse em fazer um jogo de despedida, um amistoso de despedida ou participar alguns minutos de uma partida. Nos foi informado que ele tinha interesse em atuar durante todo o campeonato”, conta.

Vitor Ferraz confirmou ter recebido as mensagens enviadas por Nonato. “Ele mandou algumas mensagens e eu só fui ver essas mensagens depois. Eu não tinha o número dele salvo e essas respostas já tinham sido passadas a ele. Ele já tinha inclusive firmado contrato com o Vitória da Conquista”, diz o dirigente.


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