‘O forró é a ópera popular’, diz Alcymar Monteiro

entretenimento
16.06.2019, 13:00:00
(Foto: Divulgação)

‘O forró é a ópera popular’, diz Alcymar Monteiro

Artista lança música em CD do CORREIO, terça-feira (18), e fala sobre a magia do São João

Uma das atrações do CD que o CORREIO lança na terça-feira (18), Alcymar Monteiro fala sobre a importância do São João e lembra de uma história curiosa que vivenciou em Senhor do Bonfim. Confira.

O que é o São João para você?
É o maior festival de Inverno do mundo, e tem uma identidade toda nordestina e brasileira. Tem como trilha sonora a música gonzaguiana, “o verdadeiro forró”, que é a grande ópera popular de nossa nordestinidade.

Como vai ser seu São João esse ano? Vai tocar em muitas cidades?
Quarenta por cento da nossa agenda é realizada em cidades da Bahia, que continua sendo - numérica e artisticamente falando - o maior São João do Brasil, mesmo sofrendo algumas influencias estereotipadas, impostas à nossa cultura e ao nosso jeito de ser.

Você, que é cearense, já tocou muito na Bahia. Alguma história te marcou?
Certa feita eu estava em Senhor do Bonfim, quando presenciei uma cena inusitada que me marcou para sempre. Uma carroça com uma ancoreta cheia de bebida e povo subindo e descendo ruas, cantando Morena Baiana: “Chora morena, morena chora/(...) Que amanhã eu vou embora”. Essa música, posteriormente gravada por mim, é um folclore baiano.

Qual é a história da música Tarde Demais? Por que escolheu ela para fazer parte do CD do CORREIO? 
Tarde Demais é uma conversa de coração para coração, é a síntese do sofrimento do ser humano em busca da felicidade. É o amor não correspondido de alguém por alguém, provando que o ser humano é o único ser na face da terra movido pela emoção. 

O amor é um superstar que reina independentemente das pessoas que fazem do mesmo a superficialidade duvidosa. O amor não morrerá jamais.

Assim como o jornal CORREIO - que completa 40 anos de história - você tem muitas décadas de carreira. Qual a avaliação que você faz de sua trajetória?
Nesses 35 anos de carreira, observo que a música é a linguagem universal da alma do ser humano. Me casei com ela e ela me maltrata demais, porque não depende de mim. Não me dá chance de separar, é uma coisa de louco. Espero que um dia ela me compreenda e conserte minha doidice. É candidato ao sofrimento quem se envolve com essa senhora, que não tem a menor piedade do sofrimento dos que caminham no seu caminho, que é tortuoso, espinhoso e muitas vezes não chega lugar nenhum. 

O que mais te marcou nessas mais de três décadas de música?
Foi a persistência a insistência e a não desistência, que me fizeram chegar até aqui. Como disse o grande poeta Raul Seixas... “Sonho que se sonha sozinho é só um sonho, sonho que se sonha junto é realidade”. Essa realidade sempre caminhou comigo independentemente dos momentos difíceis que passei buscando meu lugar ao sol.

Pude ver que a carreira de um artista é cheia de obstáculos que nos ensinam a lutar cada vez mais. Cantar pra mim é “como não morrer”.


O que pode nos contar sobre a partição do Olodum? 
Nesse mais recente trabalho tive a oportunidade de gravar junto com a maior banda afro brasileira “Olodum”. A música 'Nordestino Como Eu', de nossa autoria, se tornou uma fusão perfeita do batuque baiano com o xote gonzaguiano. Provando assim que o artista tem que ser ousado e tudo pode ser melhorado. Eu nunca tive medo de misturar meus valores musicais com outros valores que têm a mesma identidade poética e melódica, juntando a tradição com a tradução daquilo que nos identifica como artista brasileiro, quanto mais regional mais universal.

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