O Palácio Rio Branco deve virar hotel?

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29.04.2019, 09:30:00
Atualizado: 30.04.2019, 11:29:25

O Palácio Rio Branco deve virar hotel?

Construção serviu de moradia para governadores até 1908, hospedou a rainha Elizabeth II e testemunhou grande parte da história política da Bahia. O assunto continua rendendo. Veja novos textos

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Um patrimônio a ser protegido

Desde a sua primeira versão, surgida em 1549, para abrigar o Governo Geral do Brasil, o Palácio Rio Branco tinha já por destino entrar para a história. A sua localização foi estrategicamente estudada pelo mestre de obras Luiz Dias, que veio acompanhando a comitiva de Thomé de Souza, sendo considerado o nosso primeiro arquiteto. Foi ele quem delimitou toda a área da atual praça, que hoje leva o nome do 1º governador-geral do Brasil e fundador da nossa amada cidade da Bahia. Inicialmente projetada como uma simples construção provisória, feita de taipa e barro, a então Casa do Governo era destinada à residência e aos despachos do governador-geral, tornando-se o centro da administração do rei D. João III.

Em 1663, por ordem do rei de Portugal, D. Afonso VI, o governador Francisco Barreto de Menezes o reconstrói totalmente, no que foi considerada a mais grandiosa realização colonial do seu governo – “uma residência para si e seus sucessores”. Segundo Alberto Silva, este palácio de cantaria era “forte como um reduto, simples como um convento, grave como um pretório”. Crê-se que esta construção tenha seguido os planos traçados pelos engenheiros Felipe Guitau (ou Gitão) ou Pedro Garin. Essa construção permaneceu praticamente inalterada até o fim do séc. XIX. Durante o período colonial aí residiram e despacharam todos os governadores-gerais e vice-reis e, a partir de 1763, quando a sede do Vice-Reinado é transferida para o Rio de Janeiro, passou a abrigar os governadores da Bahia, intitulados de Capitães Gerais. Com o passar dos séculos, o Palácio foi assumindo diferentes feições arquitetônicas e crescendo em importância e prestígio.

O monumento foi dezenas de vezes testemunha e protagonista das transformações políticas, sociais e econômicas da nossa cidade, do nosso Estado e do nosso país. Além de lugar de despachos e residência da alta administração, hospedou figuras ilustres do reino português. Serviu de residência provisória à comitiva real portuguesa, quando o príncipe regente D. João, mais tarde coroado rei, com o nome de D. João VI, aqui aportou em 22 de janeiro de 1808, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, aí permanecendo por 34 dias. Com ele hospedaram-se no palácio seu filho D. Pedro, mais tarde nosso 1º Imperador e a sua mãe, D. Maria I, rainha de Portugal, que já não gozava das faculdades mentais. Quem não os acompanhou foi a princesa real, D. Carlota Joaquina, que preferiu se hospedar no prédio do Tribunal de Justiça, no centro da cidade, dando lugar a comentários maldosos, mais tarde confirmados.

O governador, Conde da Palma, cedeu à comitiva real seus aposentos residenciais, transferindo-se para um sobrado, no começo da Ladeira da Praça, conhecido como a Casa de Caetano de Matos (cuja magnífica portada, ornamenta hoje, o Museu de Arte da Bahia). Em 1826, o palácio hospedaria seu filho D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina, sua filha Maria da Glória, mas tarde Rainha de Portugal e a amante do Imperador, Domitila de Castro, imposta como 1ª dama da imperatriz. Hospedaria, ainda da família real, o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Tereza Cristina, quando visitaram a Bahia em 1859, tendo seus recintos sido ricamente redecorados para recebê-los.

"Minha ligação com o Palácio Rio Branco é quase visceral. Tive acesso às suas dependências internas aos 14 anos. Duas décadas depois, receberia eu o convite do então diretor da Bahiatursa para apresentar um projeto de restauração que abrangesse todas as suas dependências"

Mas o palácio, que recebeu o nome de Rio Branco, após a sua reinauguração em 1919, não tem a sua importância tão somente por ter hospedado tantas figuras ilustres. Ele foi palco de grandes acontecimentos. Em 1724, no Vice-Reinado do Conde de Sabugosa – D. Vasco Cézar de Menezes – aí foi instalada a Academia Brasílica dos Esquecidos, constituída pelos homens mais eruditos da época. Anos antes, em 1711, foi cercado pelo povo amotinado que exigia a abolição do imposto de 10% sobre todos os artigos importados, principalmente escravos e sal, episódio que ficou conhecido como “Motins do Maneta”, apelido do chefe da rebelião, João de Figueiredo Costa, o Maneta. Na verdade este monumento foi prisão e quartel, quando esteve envolvido em motins populares, foi sede da efêmera República Baiana em 1937, durante a Sabinada.

Fachada do Palácio Rio Branco (foto de Marina Silva)

Este palácio, segundo o historiador Sílio Boccanera Jr. fora quase inteiramente reconstruído em estilo moderno, no final do séc. XIX, sendo inaugurado em 24 de fevereiro de 1900. Este foi o palácio bombardeado em 1912, a partir do Forte de S. Marcelo. Após 4 horas de intenso bombardeio, o fogo cessou. A maior perda foi a Biblioteca Pública com mais de 30.000 volumes, com muitas obras raras, porém sofreram avarias o Prédio da Câmara que teve a torre fendida e o seu relógio partido; o Teatro São João, junto ao prédio atual da Fundação Gregório de Mattos, teve estragos na face voltada para o mar.

O Palácio Rio Branco como o conhecemos hoje é resultante da reforma iniciada após a posse de José Joaquim Seabra, assumindo o governo do Estado em 29 de março de 1912 e iniciando imediatamente os trabalhos de reconstrução. As obras foram projetadas pelo arquiteto Júlio Conti, pelo Engº Arlindo Coelho Fragoso com a colaboração dos engenheiros Temístocles de Menezes e Luis Adam. As obras foram concluídas três anos depois, pelo Engº Arquiteto Filinto Santoro, responsável pela parte interna. Cuidaram da decoração os pintores e escultores italianos Orestes e Bruno Sercelli, cujas obras tivemos o privilégio de descobrir quando realizamos a sua restauração interna.

Minha ligação com o Palácio Rio Branco é quase visceral. Tive acesso às suas dependências internas, quando, aos 14 anos, vindo da cidade de Jaguaquara o visitei pela primeira vez. Naquela época, realizava-se no Brasil uma grande campanha: “Dê ouro para o bem do Brasil” e ao visitar o Rio Branco me deparei com uma grande fila de pessoas da sociedade e do povo, se desfazendo de suas pulseiras e anéis depositando em uma grande urna. Fiquei maravilhado com seus espaços arquitetônicos. Duas décadas depois, em novembro de 1984, já restaurador e professor da Cadeira de Restauro da Escola de Belas Artes da UFBA., receberia eu o convite do então diretor da Bahiatursa, Paulo Guadenzi, para apresentar um projeto de restauração que abrangesse todas as suas dependências internas e seu acervo pictórico.

Coordenava os projetos a jovem arquiteta Maria Ângela Cardoso e a nossa sintonia foi imediata. O restaurador Carlos Barbosa ficaria incumbido da restauração dos pisos, escadaria de vidro e do mobiliário e a PROMOV Engenharia da parte civil. Era, sem dúvida, um grande desafio. O Palácio que deixara de ser sede do Governo da Bahia poucos anos antes, quando o Governador Antônio Carlos Magalhães constrói o Centro Administrativo e transfere a sede do governo e as secretarias para o CAB, foi por algum tempo ocupado pelo chefe do poder municipal, que logo teve de abandoná-lo, devido às precárias condições de conservação. O teto do salão de despachos desabara parcialmente, por pouco não atingindo o então prefeito.

O projeto era grandioso – o Palácio após o restauro, abrigaria em sua parte nobre o Memorial dos Governadores e a Fundação Pedro Calmon, servindo seus belos salões para eventos culturais e visitação pública, como convém a todo monumento que guarda parte importante da história de uma cidade e de um país. Contávamos com o entusiasmo e o apoio financeiro do Governo do Estado, através do seu governador João Durval Carneiro e do diretor da Bahiatursa, e todo o seu alto escalão: Érico Mendonça, Alfredo Macedo Costa e a equipe de arquitetos, tendo à frente Maria Ângela Cardoso. Éramos todos jovens, entusiastas, apaixonados, querendo dar cada um o melhor de si. Formei uma grande equipe, com experientes mestres carpinteiros, pintores, artesãos e integrei aos trabalhos meus alunos da Escola de Belas Artes. O entusiasmo aumentava à medida que íamos descobrindo debaixo de várias camadas de tinta as pinturas originais que haviam sido encobertas, há mais de 50/60 anos.

Cada espaço que prospectávamos com bisturis cirúrgicos era uma surpresa. O governador João Durval constantemente visitava as obras com vários secretários. Numa dessas visitas, encontrou-me em cima do andaime, trabalhando na descoberta da Sala Pompeana e, ao descer para cumprimentá-lo, me disse surpreso: “é a primeira vez que visito uma obra e vejo o proprietário da empresa trabalhando”. Era isso mesmo, eu tinha o maior prazer de devolver àquele palácio toda a sua dignidade e concepções originais alcançadas na última reforma ocorrida no início do séc. XX e que fora totalmente descaracterizada. A descoberta dos murais das bacantes causou um imenso sucesso na imprensa e, graças a um seminário internacional de restauro que à época se realizava em Salvador, patrocinado pelo ICBA (Instituto Cultural Brasil/Alemanha), as imagens rodaram o mundo devido a uma entrevista que dei para a TV Bahia e foram retransmitidas pela Globo, provocando a vinda a Salvador do deputado italiano Carlo Santoro, filho de Filinto Santoro, entusiasmado que estava com a restauração da obra de seu pai.

Sou um grande entusiasta da restauração e da revitalização do Centro Histórico de Salvador, mas não posso concordar que um dos seus monumentos mais importantes, conforme tentei demonstrar no relato que dá início a este depoimento, seja transformado em hotel. Seria, na minha opinião um destino muito ingrato e medíocre para um monumento tão pleno de história, ainda mais que o palácio se encontra em bom estado de conservação, abrigando um conjunto cultural de grande importância para o renascimento dessa parte tão importante da cidade do Salvador. Se o Rio Branco estivesse em ruinas, como muitos prédios importantes do Centro Histórico, caberia restaurá-lo condignamente, porém despi-lo de suas atuais funções, retirar a Secretaria de Cultura ali funcionando, destruir o Memorial dos Governadores ali instalado desde a sua reinauguração em 1987 é uma temeridade.

Este memorial foi montado com o maior carinho e competência, pela museóloga Glória Maria da Silva, contando com a assessoria do Prof. Mario Mendonça de Oliveira. Lembro-me de vários ex-governadores já velhinhos e seus familiares, visitando as obras de restauração em fase avançada, doando relíquias preciosas do seu período de governo, para comporem aquele memorial. O que iriam fazer com todo aquele acervo? Como transformar aqueles vastos salões em apartamentos de hotel? Seria este o melhor destino para um imóvel que foi palco importante de tantos acontecimentos e que foi sede do governo no período da colônia, do império e da república?

Em todo o mundo civilizado, em toda cidade que valoriza os seus bens culturais, o centro histórico é sempre considerado a parte mais importante da cidade. A transferência da administração estadual para o CAB e o abandono do Palácio Arquiepiscopal, transferindo suas funções para a região do Campo Grande, além de outros eventos, como o advento do Shopping Iguatemi, esvaziaram totalmente o Centro Histórico, iniciando-se a sua lenta decadência. Não tenho dúvidas de que a restauração do antigo Hotel Palace e a transformação do antigo prédio do Jornal A Tarde, com a bandeira do Hotel Fasano, vão contribuir para a revitalização do Centro Histórico, mas porém a revitalização do Centro Histórico deverá ser mais profunda e vários dos seus imóveis hoje desabitados deverão ser transformados em residências, atraindo a classe média, artistas, profissionais liberais, micro-empresários, enfim, uma população capaz de manter condignamente esses espaços arquitetônicos.

"Um país com o nível de violência urbana, como o Brasil, jamais vai atrair turistas, principalmente em áreas desabitadas à noite. Se nós baianos evitamos circular no centro da cidade nesses horários com medo de assaltos, o que pensar dos turistas?"

Sem dúvida alguma o Hotel Vila Galé será muito bem-vindo ao Centro Histórico de Salvador, mas há tantos outros imóveis que poderão abrigar suas instalações adequadamente, que não valeria a pena retirar do Palácio Rio Branco a Secretaria de Cultura do Estado, o Memorial dos Governadores e a Fundação Pedro Calmon. Aliás, se o governo quer valorizar o centro, porque não passar a usar o Palácio Rio Branco para solenidades públicas, recebimento de autoridades importantes e outros acontecimentos relevantes?

Ocorrem-me, neste momento, algumas sugestões para abrigar o Hotel Vila Galé: o antigo Hotel São Bento, há vários anos abandonado e bastante arruinado, porém, através de um bom projeto arquitetônico poderia ser transformado em um charmoso hotel. Nas suas proximidades, encontra-se uma bela casa em ruínas, que outrora abrigou a sede do Esperanto, e que poderia também servir como um anexo. Seria uma forma de restaurar o Largo de S. Bento, valorizando ainda mais a vizinhança do belíssimo Mosteiro de São Bento. Vem também à mente o Sulacap, um dos mais belos edifícios em estilo Art Decó, hoje com suas salas de escritório quase vazias e que poderia se transformar num magnífico hotel. Opções não faltam.

Transformar o Palácio Rio Branco em hotel, nunca. Será que os florentinos aceitariam que o Palazzo della Signoria deixasse de ser museu (até hoje é usado para despachos) e se transformasse em hotel? E o Palazzo del Quirinale, sede do governo italiano em Roma? O Palácio do Catete, no Rio de Janeiro? Guardando as devidas proporções, é a mesma coisa.

José Dirson Argôlo é doutor em Artes Visuais pela EBA, professor aposentado da EBA/UFBa, restaurador e diretor do Studio Argolo


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Capoeira no palácio

Um hotel - por mais faustoso que seja - não pode se tornar o destino de um palácio que encarna parte da história de uma cidade e de um estado como a Bahia. Naque-las paredes que o gênio político de Octavio Mangabeira transformou em local de peregrinação semanal do povo baiano, 300, 400 e até 500 cidadãos "pés-rapados" iam todas as quintas-feiras reclamar seus infortúnios e insatisfações, em audiências públicas celebrizadas na história de nossa democracia, tendo a certeza que o olhar e o ouvido do governante maior permaneceriam inarredáveis até que o último cida-dão se retirasse do salão.

É muito tolo pensar que a melhor maneira de preservar um monumento histórico é entregá-lo para ser restaurado por interesses privados e depois servir de usufruto para poucas centenas de hóspedes endinheirados, e passar a servir apenas como objeto de contemplação exterior, uma espécie de bunker eternamente inacessível ao povo da terra.

É chegada a hora de se produzir um choque cultural. Salvador precisa realmente de mais um hotel, o terceiro de grande porte numa mesma rua do nosso combalido centro antigo? Hoje, são poucas as atrações culturais singulares que a cidade têm a oferecer ao turista. Em poucos dias é possível visitar tudo o que há de realmente único e que desperta o interesse de quem nos visita. Por essa lógica, que é da cul-tura e também do “negócio turismo”, precisamos de mais atrativos culturais, do que de quartos de hotel no centro da cidade.

"Salvador precisa de um Museu da Capoeira que atraia a atenção de todo o mundo.  Exibir a história da capoeira e seus heróis populares num ambiente de um palácio como o Rio Branco"

Mas, qual é hoje o produto de exportação cultural da Bahia que desperta interesse crescente no mundo? As baianas? O acarajé? A música? O carnaval? Não, senho-ras e senhores! A expressão cultural da Bahia que hoje corre os quatro cantos do mundo chama-se CAPOEIRA. Por causa dela, todos os anos, milhares de alunos e praticantes dessa luta-dança-estilo de vida, vêm visitar nossa cidade, reverenciada como a meca da capoeira, o local sagrado da raiz, onde tudo começou.

Salvador precisa de um Museu da Capoeira que atraia a atenção de todo o mundo. O que poderemos oferecer nesse combo cultural de negócio e cultura? Exibir a história da capoeira e seus heróis populares num ambiente de um palácio como o Rio Branco. Essa corajosa decisão de afirmação cultural produziria um choque civiliza-tório semelhante ao da colocação da pirâmide de vidro na entrada do Louvre em Paris.

Dentro dos belos salões palacianos, ao invés de estátuas de decoração em poses contemplativas, a Bahia orgulhosa exibirá ao mundo, fotos, textos, sons e esculturas em gesso, em cera, em metal ou até mesmo em fibra, de Mestre Pastinha, Mestre Bimba, João Grande, João Pequeno, Besouro, Canjiquinha e tantos outros, como artistas do movimento e retratados nas poses de seus mais fantásticos e lendários golpes. Eternizados, lindos, plenos, uma clara demonstração que um governante pode se imortalizar produzindo um organismo cultural vivo e moderno. Foi isso que o governador ACM fez na década de 1990, ao revitalizar o Pelourinho. E é essa percepção que se espera do atual governador Rui Costa.

O case do Palácio Rio Branco é um divisor de águas: ao invés de capacitar a nossa mão de obra para servir aos que aqui chegam, vamos inverter o eixo, colocando a arte nascida na senzala dentro do palácio. Seria muito pedir ao governante, reco-nhecer que a Bahia entende e valoriza essa arte popular que o povo criou e gente de todos os continentes reverencia? Não faltará dinheiro para realizar. O mundo terá todo o interesse.


Valber Carvalho é jornalista e apresentador do Programa Bahia Rural na TV Bahia


Não

Palácio Rio Branco deve ser transformado em Museu

O setor hoteleiro na Bahia passa por um momento delicado, em oito anos a capital baiana teve 30 hotéis fechados e 90 % ainda sofre com o fechamento do Centro de Convenções da Bahia (CCB). Recentemente foi anunciada a possibilidade do Palácio Rio Branco vir a ser um hotel de luxo, a ocupar o Centro Histórico de Salvador, o que preocupa o trade turístico que passa por um momento muito difícil com baixa na Diária Média e na taxa de ocupação.

A capital possui leitos suficientes, são 40 mil espalhados pela cidade. Em 2018 alcançamos a taxa de ocupação de 62%, portanto muito baixa, sinalizando que ainda temos aproximadamente 16 mil leitos ociosos que precisam ser preenchidos.

Outra modalidade que tem prejudicado o bom desempenho do setor hoteleiro são as plataformas digitais, que oferecem um quarto sem serviços, sem infraestrutura e sem a proteção que os hotéis oferecem, por um preço muito inferior ao praticado por hotéis e pousadas. Ainda tem mais um agravante, as plataformas digitais, não pagam os impostos que o setor hoteleiro paga, fomentando uma concorrência desleal e as nossas autoridades, precisam avaliar isso com muita urgência.

"Outra modalidade que tem prejudicado o bom desempenho do setor hoteleiro são as plataformas digitais, que oferecem um quarto sem serviços, sem infraestrutura e sem a proteção que os hotéis oferecem, por um preço muito inferior ao praticado por hotéis e pousadas"

Nossas autoridades não precisam pensar em aumentar o número de leitos, pois teremos uma oferta ainda maior que a procura e um efeito nefasto, que já experimentamos, mais hotéis serão fechados pela falta de viabilidade econômica, temos que preservar os leitos já instalados e proporcionar a oportunidade que todos possam fazer upgrade. Portanto, a expansão será bem vinda, quando atingirmos uma taxa de ocupação anual de 90% dos leitos Hoteleiros.

O turismo na Bahia representa 7% do PIB baiano e precisa ser visto como um aliado para o crescimento do Estado e do país. Atualmente os hotéis de Salvador estão sobrevivendo no limite, principalmente sem o Centro de Convenções, e precisam de apoio do Governo e Prefeitura para sobreviver, para gerar mais emprego e renda e fomentar a economia local. A nossa expectativa é que em 2020 este cenário do turismo de negócios melhore, com a entrega do novo Centro de Convenções, no Antigo Aeroclube, na Boca do Rio.

O Palácio Rio Branco, por se tratar de prédio tombado e cheio de riquezas históricas, deve ser preservado e transformado em um museu do descobrimento, história da nossa Bahia e Brasil.


Glicério Lemos é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA)

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