Olimpíada: quem são os brasileiros com maiores chances de medalha

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24.07.2021, 05:01:00
Gabriel Medina deve subir ao pódio em Tóquio-2020 (Matt Dunbar/World Surf League)

Olimpíada: quem são os brasileiros com maiores chances de medalha

Três baianos estão na lista dos favoritos ao ouro olímpico

O Time Brasil chega à Olimpíada de Tóquio com uma missão clara: superar as 19 medalhas conquistadas há cinco anos, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foram sete ouros, seis pratas e seis bronzes. E, com a entrada de esportes como skate e surfe, as chances de quebrar o recorde de pódios no Japão é muito boa.

Claro, cravar uma ‘medalha garantida’ é complicado. Como toda a edição dos Jogos – e de qualquer outra grande competição -, há sempre as zebras, seja de atletas que surpreendem ou com favoritos que decepcionam. E, em tempos de pandemia, é preciso ainda lidar com a covid-19, que já está forçando retiradas da Vila Olímpica. Mas dá para tentar dividir a delegação em alguns grupos, conforme o favoritismo ao pódio.

A seleção leva em conta o histórico de cada atleta, os resultados ao longo deste período preparatório para a Olimpíada e o grau de favoritismo em relação aos adversários. Vale ressaltar que aqui estão 15 favoritos ao pódio, não necessariamente ao ouro – até porque a lista possui competidores que brigam entre si pelo título olímpico.

Beatriz Ferreira – Boxe
Após o histórico ouro de Robson Conceição em 2016, a maior esperança de medalha no boxe em Toquio-2020 é novamente baiana. Mas, dessa vez, vem do feminino: Beatriz Ferreira. A pugilista de 28 anos é a número um do ranking da Associação Internacional de Boxe (AIBA) e atual campeã mundial da categoria até 60kg. Em 2019, faturou o ouro no Pan-Americano de Lima, no Peru, e no Mundial da Rússia. E, em 2021, conquistou a medalha dourada em torneios na Alemanha e na Bulgária. É a favorita não só para um pódio, como para ser campeã.

Beatriz Ferreira é a atual campeã mundial da categoria até 60kg (Rafael Bello/COB)

Isaquias Queiroz - Canoagem velocidade
Primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas olímpicas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos, no Rio-2016, Isaquias Queiroz vai competir em duas provas em Tóquio, e é favorito a pódio em ambas. No C1 1000m, o baiano é o atual campeão mundial, título conquistado em 2019. Em maio passado, foi prata na etapa da Copa do Mundo na Hungria. Além da disputa individual, também estará na prova de duplas, ao lado de Jacky Godmann, já que Erlon Souza – seu companheiro no Rio de Janeiro - está com lesão crônica. Os dois já competiram juntos na Copa do Mundo e ficaram com o bronze.

Isaquias Queiroz é favorito a pódio em duas disputas da canoagem velocidade (Jonne Roriz/COB)

Ana Marcela Cunha - Maratona aquática
Aos 29 anos, Ana Marcela Cunha vai disputar a prova de águas abertas e chega como uma das favoritas ao pódio. Em Mundiais, a baiana tem 11 medalhas - sendo 5 ouros, 2 pratas e 4 bronzes. No último, disputado em 2019, na Coreia do Sul, venceu as provas de 5km e 25km. Não conseguiu, porém, atingir o pódio nos 10km, a distância olímpica, e ficou em quinto. Mas, no mesmo ano, ganhou o ouro nos 10km no Pan-Americano de Lima, no Peru. Em março de 2021, Ana Marcela conquistou o título da etapa de Doha do Circuito Mundial, e, em junho, foi prata em um campeonato na Espanha, chegando atrás apenas da atual campeã olímpica, a holandesa Sharon van Rouwendaal. Essa será a terceira tentativa de medalha da baiana, que também participou de Pequim-2008 (ficou em 5º) e Rio-2016 (10º).

Ana Marcela Cunha foi ouro nos 10 km no Pan-Americano de Lima, no Peru (Satiro Sodré/SSPress/CBDA)

Gabriel Medina e Ítalo Ferreira – Surfe
Pela primeira vez, o surfe estará no programa olímpico, e o Brasil tem ótimas chances de garantir ao menos duas medalhas. Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, ambos de 27 anos, são os favoritos no masculino, e podem até mesmo comandar uma dobradinha no pódio. Bicampeão mundial, Medina faz uma temporada quase perfeita, e lidera com folga o ranking da Liga Mundial de Surfe. Por outro lado, se envolveu em um imbróglio com o COB, quando tentou uma credencial olímpica para a esposa Yasmin Brunet. 

Gabriel Medina faz temporada quase perfeita no surfe (Matt Dunbar/World Surf League)

Seu maior rival é, justamente, o compatriota Ítalo. O campeão mundial em 2019 vem em uma temporada bastante regular em 2021, é o segundo do ranking. Na praia de Tsurigasaki, onde será a disputa olímpica, ainda tem um trunfo na mão: as condições, com ondulações pequenas e fracas, são semelhantes às de Baía Formosa (RN), onde nasceu.

Ítalo Ferreira foi campeão mundial em 2019 (Sean Evans/ISA)

Pâmela Rosa e Rayssa Leal – Skate
Outro esporte que vai estrear em Olimpíadas no Japão e que deve render bons frutos ao Brasil é o skate. Há até a possibilidade de domínio total no pódio da prova do street feminino, em que o país tem três atletas entre as quatro melhores do planeta. Pâmela Rosa, de 21 anos, é a favorita ao ouro. A atleta lidera o ranking mundial da categoria, e foi a campeã no Mundial da modalidade disputado em São Paulo, em 2019. Na ocasião, ela fez dobradinha com Rayssa Leal, e a esperança é que o cenário se repita em Tóquio.

Pâmela Rosa é a favorita ao ouro na estreia do skate em Olimpíada (Gaspar Nóbrega/COB)

Rayssa, aliás, quebrará um recorde brasileiro quando entrar na competição: com 13 anos e sete meses, se tornará a atleta do país mais jovem a disputar uma Olimpíada, superando nadadora Talita Rodrigues, que competiu em Londres-1948 aos 13 anos e 347 dias. Além de ter sido a prata em 2019, foi bronze no Mundial de 2021, disputado em Roma, na Itália, e é a segunda no ranking. Em quarto, atrás da japonesa Aori Nishimura, está Letícia Bufoni, dando esperança a um difícil (mas não impossível) pódio triplo brasileiro.

Rayssa é a mais nova atleta brasileira a disputar uma Olimpíada (Gaspar Nóbrega/COB)

Vôlei masculino
O vôlei masculino brasileiro entra nas quadras de Tóquio como grande favorito ao título. Não só pela tradição, mas principalmente pelas conquistas recentes. Afinal, a seleção é a atual campeã olímpica (2016), da Copa do Mundo (2019) e ainda conquistou, no fim de junho, o inédito troféu da Liga das Nações, com vitória por 3 sets a 1 sobre a Polônia. A adversária, aliás, promete ser uma das principais rivais na Olimpíada, junto com Rússia e EUA - Itália e França, neste momento, correm por fora.

Vôlei masculino faturou a Liga das Nações no fim de junho (Miriam Jeske/COB)

Vôlei feminino
A seleção feminina de vôlei não é tão favorita a pódio como a masculina, mas tem totais condições de conquistar uma medalha. No mês passado, a equipe foi vice-campeã da Liga das Nações, caindo para os Estados Unidos na final, disputada em Rimini, na Itália, por 3 sets a 1. As americanas, aliás, já tinham sido as carrascas na decisão da edição anterior, em 2019, por 3 sets a 2. Os EUA aparecem como uma das principais pedras no sapato brasileiro, assim como a China, Sérvia e Itália.

Equipe do vôlei feminino foi vice-campeã da Liga das Nações (Miriam Jeske/COB)

Ágatha/Duda - Vôlei de praia
No vôlei de praia, Ágatha e Duda formam a dupla mais regular desta temporada no feminino. Juntas desde o início de 2017, ocupam a liderança do ranking mundial da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Na atual temporada, as duas foram ao pódio em cinco de sete etapas 4 estrelas disputadas, faturando dois títulos, além de uma prata e dois bronzes. O último ouro veio em Gstaad, na Suíça, em julho, sobre Ana Patrícia e Rebecca. As compatriotas, aliás, tiveram altos e baixos esse ano e também estão na briga por um pódio, ainda que um degrau abaixo que Ágatha e Duda.

Ágatha e Duda são as líderes do ranking da FIVB (Miriam Jeske/COB)

Martine Grael/Kahena Kunze – Vela
Esporte que mais rendeu ouro olímpico ao Brasil (sete), a vela deve seguir rendendo pódios nacionais. E quem aparece como principal chance de medalha em Tóquio é a dupla formada por Martine Grael e Kahena Kunze, da classe 49erFX. Elas são as atuais campeãs olímpicas e, em 2019, venceram o evento-teste em Enoshima, o local que abrigará as competições do esporte no Japão.

Martine Grael e Kahena Kunze são as atuais campeãs olímpicas (Daniel Varsano/COB)

Arthur Zanetti - Ginástica artística
Arthur Zanetti mira em Tóquio sua terceira medalha olímpica, depois de conquistar o ouro em Londres-2012 e a prata na Rio-2016. No Mundial de 2018, foi vice e, no ano seguinte, ficou a poucos décimos do pódio. Passou um longo tempo sem competir, voltou na Copa do Mundo de Doha, no Catar, e faturou a prata. Para voltar ao pódio, enfrentará uma forte concorrência, principalmente do grego Eleftherios Petrounias, mas tem apresentação que deve empolgar no Japão.

Arthur Zanetti quer a terceira medalha olímpica (Júlio César Guimarães/COB)

Bruno Fratus – Natação
Bruno Fratus irá disputar sua terceira Olimpíada, depois de ser 4º em Londres-2012 e 6º na Rio-2016. Dessa vez, deve subir, finalmente, ao pódio. Em 2017 e em 2019, foi vice-campeão mundial dos 50m livre. Em 2021, mostrou que está em grande fase e conquistou dois ouros e uma prata no Circuito Mare Nostrum de natação, disputado na Europa, além do título do Torneio Sette Colli, na Itália.

Bruno Fratus vai para a terceira Olimpíada (Jonne Roriz/COB)

Alison Santos – Atletismo
A principal esperança de medalha do atletismo brasileiro é Alison dos Santos, considerado a maior revelação do esporte do país nos últimos anos. Só em 2021, bateu o recorde sul-americano nos 400 m com barreiras quatro vezes, sendo a última no início de julho, quando anotou 47,34s e ganhou a medalha de ouro na Diamond League, em Estocolmo, na Suécia. É o terceiro ranking mundial, atrás do recordista mundial Karsten Warholm e do americano Rai Benjamin. 

Alison é a maior esperança do Brasil no atletismo (Wander Roberto/COB)

Futebol masculino
Mesmo com várias ausências em Tóquio, em função da não-liberação de atletas por parte de alguns clubes, o Brasil ainda chega forte para o futebol masculino na Olimpíada. Nas últimas três edições de Jogos, a seleção canarinho foi ao pódio, garantindo o bronze em Pequim-2008, a prata em Londres-2012 e o inédito ouro na Rio-2016. No Japão, o grupo tentará o bicampeonato, sendo capitaneado pelo baiano Daniel Alves. Os principais rivais devem ser a Espanha, a França e a Alemanha, apesar dos europeus não se importam tanto com o futebol masculino na Olimpíada – a última vitória foi em 1992, dos anfitriões espanhóis.  

Futebol masculino busca o bicampeonato (Júlio César Guimarães/COB)

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