Os Carnavais de Moraes: anos 2000, o exílio de Moraes e o seu amor pelo Recife

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16.02.2021, 07:10:00
Atualizado: 17.02.2021, 10:04:47
Moraes Moreira é o homenageado do Correio Folia de 2021

Os Carnavais de Moraes: anos 2000, o exílio de Moraes e o seu amor pelo Recife

Ouça o 4º episódio da série em podcasts do Correio sobre a trajetória do ídolo na folia

Moraes Carnaval Moreira. Assim também era chamado o baiano de Ituaçu, que nos deixou em 13 de abril de 2020. Fora todo o legado deixado para a música brasileira, Moraes ajudou a construir a história do Carnaval.

Moreira é o homenageado do Correio Folia de 2021. Além de lives e matérias especiais, o Correio* está lançando uma série documental em podcasts, que lembra em detalhes a trajetória de Moraes no Carnaval e o legado deixado por ele para a festa.

A série documental de podcasts se chama Os Carnavais de Moraes.

Será uma série de cinco capítulos, que então sendo publicados desde sexta-feira (12) até quarta-feira (17) aqui, no site do Correio. Você também poderá acessar os episódios no seu aplicativo favorito de podcasts: no Spotify, no Deezer, no Apple Podcasts ou no Google Podcasts.


Clique no player para ouvir o 4º episódio de Os Carnavais de Moraes:


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Confira outras opções de aplicativo mais abaixo


Quarto episódio

Nesse quarto episódio, falamos do período de exílio de Moraes no Carnaval do Recife, que iniciou ainda nos anos 90, mas teve seu momento mais crítico nos anos 2000.

Cada vez mais irritado com os rumos da folia em Salvador, cujos circuitos estavam loteados pela indústria do Axé Music, o mestre ficou por sete anos se apresentando apenas em Pernambuco, até retornar em 2010.

Mas a relação de Moraes com o Recife é muito mais profunda que isso. Amante do frevo desde menino, quando escutava em Ituaçu apenas às rádios do estado vizinho, ele é considerado 'o mais pernambucano entre os baianos' e é respeitado por todos os maestros do ritmo centenário.

Por que a ligação de Moraes com o Recife é tão grande? Quais os principais frevos compostos por ele? Como era o Carnaval de Moraes na capital pernambucana? As respostas você escuta na série documental produzida pelo Correio*.

>> Perdeu o primeiro episódio? Clique aqui para ouvir sobre a estreia de Moraes no trio elétrico

>> Também tem o 2º episódio! Clique aqui entender a influência do ijexá na música de Moraes

>> O 3º episódio traz a história de Chame Gente e as críticas de Moraes à indústria da Axé Music

>> O 5º episódio trata do retorno de Moraes à Bahia e dos seus últimos Carnavais na Praça

O Correio Folia é uma realização do jornal Correio com o apoio da Bohemia Puro Malte e da Drogaria São Paulo. A transmissão é da ITS Brasil e E_Studio.


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Mas... O que é "podcast"?

Podcast é um programa de áudio, igualzinho a um de rádio. A diferença é que você pode ouvir quando, como e onde quiser. Pode ser no celular, no computador ou na TV. Se quiser, você pode pausar, voltar, adiantar ou pular os trechos, se preferir.

Para ouvir, basta tocar no player acima. Ou, se preferir, basta clicar nos links para ouvi-lo no Spotify, no Deezer, no Apple Podcasts ou no Google Podcasts. Também é possível buscar os episódios diretamente nos aplicativos.

Os Carnavais de Moraes

O repórter Vitor Villar pesquisou a carreira de Moraes e ouviu parceiros de vida e obra, como os músicos Armandinho, Paulinho Boca de Cantor, André Rio, Luciano Magno e Davi Moraes. Além deles, o antropólogo e compositor Antônio Risério e o historiador Rafael Rosa.

Por que contar a história de Moraes Moreira no Carnaval é contar a história do próprio Carnaval?

Além de todos os seus dons musicais, tão conhecido por sua participação nos Novos Baianos e por sua carreira solo, Moraes Moreira tinha o dom de revolucionar o Carnaval.

Em sua primeira participação num trio elétrico, em 1975, foi ousado: pegou um microfone que era ‘proibido’ por Dodô e cantou. Foi assim que a voz subiu o caminhão pela primeira vez em 25 anos, lançou inúmeras estrelas desde então e a festa mudou de cara.

Mas não parou por aí. Graças à ajuda dos seus ex-parceiros de Novos Baianos, participou do primeiro grande encontro de trios na Praça Castro Alves. Continuou divulgando e defendendo a história do Carnaval e do trio pipoca ao longo dos anos 80.

Ousado, realizou o sonho de Caetano Veloso e de Gilberto Gil ao adaptar o ritmo do ijexá para as cordas e, consequentemente, para o trio elétrico. Ao unir o ritmo dos blocos afoxés e o som eletrizado, lançou com Chame Gente o hino e a imagem que a partir dali todo o mundo teria do Carnaval da Bahia.

Mas também teve espaço para irritação. Moraes sempre foi crítico da comercialização do Axé Music, das cordas e dos camarotes que se espalhavam por Salvador. Irritou-se tanto que trocou a Bahia por Pernambuco, num exílio que atravessou a década de 90 e os anos 2000.

Mas, antes de se despedir de um dos seus maiores nomes, o Carnaval tinha que fazer as pazes com Moraes Moreira. Em 2010, o herói retornou às ruas de Salvador, num trio pipoca, como ele gostava, e saboreando um novo momento da folia, já com o sumiço progressivo das cordas.

Ou seja: Moraes sempre teve o Carnaval como parte de si, e a ele retornou na hora certa para resgatá-lo. Despediu-se em 22 de fevereiro de 2020, na Praça Castro Alves, a origem de tudo.

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