Os deuses têm um pacto com os artistas: ou os levam cedo ou os tormam imortais

césar romero
13.08.2018, 05:00:00
Atualizado: 13.08.2018, 08:39:01

Os deuses têm um pacto com os artistas: ou os levam cedo ou os tormam imortais

Os deuses parecem ter com os artistas visuais, um pacto: ou os levam muito cedo, como aconteceu com Leonilson. Raimundo Oliveira, Alex Vallauri, Luiz Henrique Schwanke, Keith Haring, Jorge Guinle, Jean-Claude Basquiat, Van Gogh, Yves Klein, Carlos Correia, Ismael Neri, ou os deixam longevos como Alfredo Volpi, Pablo Picasso, Tomie Ohtake, Frans Krajcberg, Gilvan Samico, Julio Pomar, Amélia Toledo, Abelardo da Hora, Joan Miró e Mario Cravo Junior.

Pode caber a fantasia de que os jovens foram alçados aos céus para que lá produzissem para os bens aventurados. Os longevos aqui na terra pudessem construir com o tempo uma obra vasta e deixassem um legado poderoso e múltiplo. Nos dois casos não se discute qualidade, foram artistas seminais de grande importância na sua passagem entre nós.

Mario Cravo faleceu aos 95 anos, trabalhou com imensa dedicação, deixando uma obra monumental. Salvador foi seu grande laboratório, quando trabalhou com os mais diversos materiais como madeira, ferro, resina, couro, borracha pedra, metais, vidros, que poucos artistas dominaram com tanta maestria. Mario era plural, sempre inquieto, buscava soluções, desafios para sua arte.

Último expoente da geração de artista modernistas da Bahia, Mario Cravo (escultor) ao lado de Carlos Bastos (pintor) e Genaro de Carvalho (tapeceiro) impulsionaram a arte moderna em nosso Estado. Todos estudaram no exterior e trouxeram contribuições notáveis. Embora fossem muito amigos, tinham interesses e posturas diferentes, não havia um programa teórico, apenas renovar os destinos da arte moderna baiana, a partir de 1944.

Carlos Bastos tinha a cidade do Salvador como cenário, que ele representava numa postura realista. O universo religioso católico era tema destacado, especialmente as figuras de anjo. Genaro de Carvalho era um refinado, um príncipe, tinha vocação decorativista, que ele fazia questão de ratificar, seus temas preferidos eram jardins tropicais, árvores, flores, pássaros e referências ao folclore baiano. Mario Cravo estava ligado a manifestações culturais regionais, que sedimentou com as inúmeras viagens pelo interior do Nordeste.

Era um artista de inspiração popular, que transformava o que via num produto erudito. Tinha um espírito inquieto, temperamento forte, polêmico, questionador, às vezes beirava o agressivo. Mas trazia no seu íntimo uma enorme ternura, uma cultura sedimentada e uma vitalidade invejável.

Era um artista da ação. Também um grande intuitivo e, sobretudo não tinha medo de errar. Enfrentava os materiais de forma destemida. Era carismático e convincente.



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