Ouça Papel Marchê e conheça curiosidades sobre canções de Capinan

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19.02.2021, 10:10:00
Atualizado: 19.02.2021, 13:18:54
João Bosco (Flora Pimentel/divulgação)

Ouça Papel Marchê e conheça curiosidades sobre canções de Capinan

Letrista completa 80 anos nesta sexta, 19. Papel Marchê é parceria com João Bosco

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Capinan, baiano nascido no povoado de Pedras, no município de Entre Rios, está completando 80 anos nesta sexta-feira (19). Além de poeta, é letrista de clássicos como Soy Loco Por Ti, América, composta com Gilberto Gil, e Ponteio, com Edu Lobo. Veja abaixo algumas curiosidades e histórias de bastidores de canções de Capinan. 

Ponteio, com Edu Lobo

"Estava em cima do encerramento do prazo de inscrição para o 3º Festival da Record, 1967, quando eu e Edu nos encontramos. A canção foi feita para o festival e inscrita no apagar das luzes", lembra Capinan. No Rio, o baiano vivia perto do parceiro e ia com frequência à casa dele. A música acabou vencendo aquela edição do Festival. Edu Lobo apresentou a canção junto com a cantora Marilia Medalha. Naquele mesmo evento, Caetano Veloso interpretou Alegria, Alegria. "Já era uma música mais 'urbana', ao contrário das canções que ganhavam festivais, que eram mais temática mais rural. Alegria, Alegria já apresentava uma tendência que o tropicalismo traria", diz Capinan.

Ponteio disputou a final com Roda Viva (Chico Buarque); Maria, Carnaval e Cinzas (de Luiz Carlos Paraná, interpretada por Roberto Carlos) e Bom Dia, de Gil e Nana Caymmi, interpretada por Nana. 



Gotham City, com Jards Macalé

Foi feita para o Festival da Globo, o IV Festival Internacional da Canção, de 1969. Jards Macalé cantou, acompanhado da banda Os Brazões e levou uma vaia hitórica, mas para Capinan o fracasso da época foi positivo para o legado daquela música: "Fui um leitor viciado em heróis de gibis, histórias em  quadrinhos, e o Batman nos pareceu uma metáfora perfeita para o tempo de Ditadura que estávamos vivendo... a estranha cidade de Gotham City, acertamos na mosca... mas a platéia estudantil não acolheu ou não entendeu nossa proposta crítica: vaiou à exaustão, o que deu a Gotham City o status valioso que ela tem".

Marcelo Nova, que gravou Gotham City com a Camisa de Vênus, falou sobre a música no site Itaú Cultural: “Eu vi Jards pela primeira vez em um festival nos anos 1960. Eu era moleque, tinha uns 15, 16 anos. Ele tocou ‘Gotham City’ com Os Brazões, uma banda de negros tocando guitarra elétrica e baixo elétrico − o que era proibitivo pros brancos (havia até passeata contra!), imagine pros negros. Nesses festivais havia torcidas para o Edu Lobo, para o Chico Buarque, mas ninguém torcia pro coitado do Macalé. E ele estava apresentando uma canção fora dos padrões da época. As músicas ou eram da linha da esquerda festiva ou da MPB broxa, e Jards não fazia parte disso. Foi a primeira vez que eu vi uma performance incorporar uma vaia. As vaias vinham e ele gritava: ‘Cuidado! Há um morcego na porta principal!’; as vaias aumentavam e ele: ‘Cuidado! Há um abismo na porta principal!’. Incorporar e transformar a vaia num elemento da própria canção. Incorporação e devolução da vaia para o público. Nunca esqueci disso, a cena ficou martelando na minha cabeça. Quando fui gravar o segundo disco com o Camisa de Vênus [Batalhões de Estranhos, de 1984], decidi gravar essa música atemporal, do meu jeito, como faço todas as vezes. Se fosse fazer parecido nunca ia ficar tão bom. Só fico chateado com o Jards porque ele ganhou milhões pelos direitos autorais, passa os finais de semana em Miami e nunca ligou pra agradecer. Ha ha ha!” [Marcelo ri muito, mas muito mesmo, pelo telefone]



Papel Marchê, com João Bosco

Capinan: "Eu costumo fazer a letra antes da melodia. Nesse caso, o João Bôsco me enviou a melodia pronta para que eu fizesse a letra. O que para mim é mais difícil, pois não gosto de inventar um trololó... queria conhecer o ambiente familiar de João e o que teria inspirado a melodia. Notei que sua companheira, a Angela, construía umas peças esculpidas com  o  uso da técnica de papel  marchê... foi o que motivou a canção". 

Entre as canções gravadas por João Bosco, Papel Marchê ainda é uma das mais lembradas. Em 1984, ano de seu lançamento, foi incluída na trilha sonora de Corpo a Corpo, novela das oito da Globo, e isso impulsionou sua popularidade e execução nas rádios. Era o tema do protagonista Osmar, interpretado por Antônio Fagundes na novela de Gilberto Braga. 

Leia matéria sobre os 80 anos de Capinan

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