Para Arthur Zanetti, concentração será fundamental para outro ouro olímpico

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26.12.2015, 08:11:00

Para Arthur Zanetti, concentração será fundamental para outro ouro olímpico

Ginasta de 25 anos é uma das esperanças do Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016

Não é segredo que boa parte do sucesso de uma atleta de alto nível está também no preparo mental dele nos momentos decisivos. Quem já viu o paulista Arthur Zanetti, de 25 anos, competir percebe a concentração do ginasta quando é hora de mostrar seu talento.

Assim, não é à toa que ele nos últimos Jogos Olímpicos, em Londres-2012, chegou como um dos favoritos à medalha de ouro nas argolas e não decepcionou. Lugar mais alto do pódio, hino brasileiro sendo tocado e o nome na história do esporte brasileiro.

Quatro anos depois, Zanetti quer repetir o feito. Mais  experiente, com mais conquistas e nome a ser batido, ele sabe do que precisa para cumprir o objetivo de ser bicampeão olímpico. Ao mesmo tempo, quer ajudar a equipe brasileira a chegar a uma final pela primeira vez na história.

Zanetti mostra força, técnica e concentração em série: receita para o bi olímpico (Foto: Divulgação) 

O ginasta não teme a pressão. Tem receio, na verdade, é de acontecer o mesmo que  ocorreu no Mundial de Glasgow, no último mês de outubro, quando foi o primeiro atleta a se apresentar e acabou vendo os árbitros serem mais exigentes do que com o resto dos competidores.

Para isso, Zanetti se desdobra nos treinamentos com o técnico Marcos Goto, com quem começou a trabalhar aos 9 anos e segue até hoje. Tudo para se juntar a Adhemar Ferreira da Silva (Helsinque-1952 e Melbourne-1956) e Robert Scheidt (Atlanta-1996 e Atenas-2004) no rol dos bicampeões olímpicos em esportes individuais. 

Em entrevista por telefone ao CORREIO, Zanetti falou sobre sua expectativa para os Jogos Olímpicos, legado que espera do Rio-2016 e ainda revela qual esporte pretende conferir de perto depois de competir. O ginasta ainda comenta sobre o vídeo divulgado em maio passado em que os ginastas Arthur Nory e Fellipe Arakawa fazem piadas de cunho racista com o colega Ângelo Assumpção. Confira:

A gente sabe que ainda existem algumas competições antes dos Jogos Olímpicos, mas como está sua expectativa pro Rio-2016?
A expectativa tá em alta pelo fato de ser uma Olímpiada, ainda mais sendo em casa. Por isso, acaba sendo um ano olímpico mais especial para todos os brasileiros.

Você, como atual campeão olímpico, espera uma pressão maior do público?
Com certeza vai ter essa pressão, essa cobrança pelo resultado. Não só por um resultado, mas tem que ser ouro. Mas vou fazer o meu melhor. O que eu tinha que fazer eu já fiz. Em 2012, fiz minha parte e consegui o ouro. Vou fazer minha parte em 2016 também e o resultado, se vier, vai ser lucro pra mim tanto faz se for ouro ou outra medalha e também se não tiver medalha. Pra mim vai ser bem tranquilo.

A gente sempre observa nas competições você ter uma preparação psicológica bem forte, é um cara bem concentrado. Você acha que esse é o segredo para um bom resultado no ano que vem?
Provavelmente. Principalmente ano que vem, acho que a parte da concentração, da calma, vai definir se o atleta vai bem ou não. Se ele acabar caindo na pressão do público, com certeza ele não vai conseguir desenvolver seu 100%, seu máximo. Pode até acarretar cometer algum erro. Então, a concentração na hora da competição vai ser essencial.

Você tem receio de acontecer o que aconteceu no Mundial, de você ser o primeiro a competir e aí ter uma exigência maior por parte dos árbitros?
Sim, passa pela cabeça se for o primeiro, de novo. Então, a gente está montando várias estratégias para se a gente for competir em primeiro porque a gente vai ter que fazer nosso melhor mesmo e dar o máximo para não deixar dúvidas para os árbitros.

Você está pensando em executar algum movimento novo, alguma criação especial para os Jogos?
Movimentos ainda não, mas a gente sabe que vai ter que dar uma mudada na série pra, pelo menos, aumentar a nota de partida. Isso é certeza que a gente vai fazer. Agora a gente tem que trabalhar pra ver se a gente consegue encaixar a série direitinho para ficar bem apresentável.

No individual, a gente sabe que você é um dos favoritos. Mas, por equipe, o Brasil já não tem esse favoritismo. Como é que você vê esse trabalho da equipe brasileira para os Jogos?
Sim. Uma medalha acho que é um resultado ainda muito difícil,  pelo fato de ser a primeira vez que o Brasil conseguiu uma vaga numa final por equipes foi no ano passado. Este ano foi a segunda vez que a gente conseguiu isso, onde veio essa vaga para os Jogos Olímpicos. Então eu acho que buscar um pódio é muito para o Brasil, a princípio. Mas, com certeza, uma final o Brasil tem chance de pegar na Olimpíada do próximo ano.

Zanneti é um dos favoritos para ganhar a medalha olímpica para o Brasil (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)

Aquele episódio das piadas de cunho racista com Ângelo Assumpção gerou algum tipo de constrangimento interno em vocês, já que a repercussão foi grande na mídia?
Isso daí já passou. A equipe tá bem unida, acho que todos. E não tem porque falar disso, porque já passou. Não tem mais nada.

Quanto à estrutura para a ginástica lá no Rio, você tem acompanhado as obras? Já visitou?
A gente não chegou a visitar, mas a gente tá perto. A HSBC Arena fica dentro do Parque Olímpico praticamente e a gente vê as estruturas criando forma. Mas, como não tô no Rio nos últimos dias, ainda não sei exatamente como que está. Mas pelo menos quando a gente tava no Rio, a gente via que cada dia que passava tinha uma coisinha diferente e o ginásio já tava com cara de ginásio mesmo. 

O que você acha que pode ser o legado da Olimpíada para o país e especificamente para a ginástica?
Para a ginástica, vai ser uma divulgação enorme do esporte no Brasil e isso faz com que aguce aquela curiosidade da criança de fazer ginástica. E, pro Brasil, acredito que, principalmente para o Rio de Janeiro, vai ser excelente. O fato de estar tendo transporte para todo o lado, estão criando mais linhas de metrô, além dos ginásios que vão ser vir pra promover outros eventos esportivos, como etapas de Copa do Mundo, Mundiais. Tem que utilizar essas estruturas pra propósitos olímpicos.

Você acha que seus resultados ajudaram a diminuir o preconceito que algumas pessoas têm contra a ginástica masculina?
Eu acredito que meus resultados não influíram nessa parte não pelo fato de eu nunca ter, pelo menos de alguém chegar para mim e falar que ginástica é coisa para mulheres. Meus amigos que também treinam comigo nunca sofreram qualquer coisa desse tipo também. Então acredito que essa mentalidade de que ginástica é coisa pra menina já não existe há muito tempo.

Já são 18 anos de carreira esportiva. O que você pensa do seu futuro?
A gente pensa mas não se concentra nisso. Primeiramente, tenho que deixar focado em uma coisa só que eu vou fazer. E agora o foco é na Olimpíada. Nesse momento é só no que eu penso e meu futuro vou pensar só quando acabarem os Jogos. Eu já sei do meu futuro, o que posso fazer e planejar. Nesse momento, meu objetivo primordial, o que tenho na cabeça, é estar dentro da equipe para competir  ano que vem. 

Você tem não só um apoio como um envolvimento muito forte da sua família. Seu pai ajuda na manutenção e criação de alguns equipamentos, sua mãe na administração do clube onde você treina em São Caetano do Sul. 
A família toda, são todos esportistas, então eles sabem como é que funciona. E eles sabem que tem que ter o apoio. O maior apoio do atleta é a família, então sempre me apoiaram, sempre me ajudaram bastante e eles fazem de tudo pelo esporte. E também ajudam voluntariamente lá na associação em São Caetano. Meu pai ajuda no conserto de alguns aparelhos, tudo pelo amor ao esporte.

E sua expectativa em relação ao Brasil como um todo nos Jogos?
Às vezes, a gente consegue, às vezes, não. Depende muito da competição, do calendário. Nosso calendário é bem diferente do europeu, então eles têm as competições antes que nós. Então, às vezes dá pra ver. Mas falar em resultado, se o Brasil vai bem ou vai mal, é difícil por ser uma competição de altíssimo nível. Acredito que se a gente conseguir repetir o que a gente vem trabalhando durante anos, acho que todo mundo vai sair satisfeito.

Você pretende ver alguma outra modalidade, claro, se seu calendário de provas permitir? 
Com certeza. Pretendo ver o máximo de esportes que der. Mas aí também não vai depender só de mim. Eu gostaria de ver o pessoal do vôlei, que é um esporte que admiro bastante. 


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