Passeio histórico-cultural Rolé Brasil reuniu cerca de cem pessoas na região do Campo Grande

salvador
18.06.2016, 20:46:00

Passeio histórico-cultural Rolé Brasil reuniu cerca de cem pessoas na região do Campo Grande

Campo Grande, o Museu Carlos Costa Pinto e a Paróquia Nossa Senhora da Vitória, e casarões do Corredor da Vitória, fizeram parte do roteiro

A Praça 2 de Julho, mais conhecida como Campo Grande, o Museu Carlos Costa Pinto e a Paróquia Nossa Senhora da Vitória, assim como outros casarões do Corredor da Vitória, fizeram parte do roteiro da aula de história a céu aberto Rolé Brasil, que aconteceu na manhã deste sábado (18). Realizado pelo Estúdio M’Baraká, com patrocínio da universidade Estácio, o passeio histórico-cultural reuniu cerca de cem pessoas, que não desanimaram, mesmo com o dia chuvoso. 

“A história não é apenas feita por uma verdade, mas sim um processo em construção. Na aula aberta a gente consegue mostrar como a história foi contada e as pessoas passam a entender melhor a cidade onde moram”, explicou o coordenador de pesquisa do projeto e professor de História da Estácio, Rodrigo Rainha. “A gente vê os olhos interessados das crianças e a dúvida no rosto dos mais velhos, por não terem visto essa versão da história nos livros. É muito gratificante!”. 

(Foto: Betto Jr/CORREIO)

Os irmãos Letícia  e Leandro, de 13 e 10 anos, foram levados pela mãe, Isabel Leiro. “Ela soube do passeio histórico e viu que seria uma oportunidade para conhecermos mais sobre a cidade. Uma das coisas que já percebi com a aula é que os monumentos da Praça 2 de Julho são deuses gregos, por conta da forte influencia da cultura europeia”, disse Letícia.

Artista plástica e professora de arte, Isabel reforçou a importância do passeio. “São coisas que estão no nosso dia a dia mas que a gente acaba passando sem perceber. Ações como essa nos ajuda a ver a cidade de outra forma e ver a história viva. Esses conhecimentos enriquecerão as minhas aulas e tenho certeza de que meus filhos também vão passá-los para seus amigos”.

Segundo a explicação do professor de História, o Largo do Campo Grande reúne diversos elementos que valorizam as culturas europeia e americana, assim como destaca a importância do café no passado brasileiro. 

Moradora de Plataforma, a marisqueira Maria Cardoso dos Santos soube do Rolé pela vizinha e resolveu trazer a filha Samile, de 5 anos. “É um passeio muito interessante. Mesmo nascendo na cidade e vivendo aqui, a gente acaba não sabendo dos significados desses monumentos”. 

(Foto: Betto Jr/CORREIO)

A estudante de Direito Valdira Pereira também aprovou a aula na rua. “Desmistifica a história que a gente aprendeu nos livros. Minha filha estuda aqui no Corredor da Vitória, mas no dia a dia somos apenas transeuntes e não temos a oportunidade de visitar um museu a saber da história da igreja, por exemplo”. Para as estudantes de Psicologia Amanda Rocha, Taiane Ribeiro e Graciela Hirata, o passeio muda a perspectiva que se tem da história. As amigas torcem para que o passeio seja ampliado em outros locais da cidade.

A ideia de levar o Rolé para outras cidades brasileiras surgiu a partir do sucesso do projeto no Rio de Janeiro, onde a ação já acontece há quatro anos, com a participação de mais de 15 mil pessoas. “Queremos apresentar a história desses bairros icônicos e estreitar essa relação entre pessoas e cidade, fortalecendo a identidade desse público”, apontou a coordenadora do Estúdio M’Baraká, Isabel Seixas.

Uma segunda edição do projeto Rolé Brasil acontecerá em Salvador no dia 19 de novembro, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, com um circuito que destacará a herança africana. Os passeios também acontecerão nas cidades de Florianópolis, Fortaleza, São Paulo e Belo Horizonte.

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