Pastor tinha dívida com marido de pastora morta, diz amigo: "Máscara foi caindo"

bahia
21.01.2016, 19:54:00
Atualizado: 22.01.2016, 15:43:57

Pastor tinha dívida com marido de pastora morta, diz amigo: "Máscara foi caindo"

Pastor apontado como mandante do crime está foragido; casal saiu de igreja e abriu nova congregação

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Pastora Marcilene e marido fundaram nova igreja
(Foto: Reprodução)

A pastora morta em Vitória da Conquista e o marido faziam parte da igreja do homem que é acusado de ser mandante do crime até cerca de cinco anos atrás, quando saíram para fundar a própria congregação. A pastora e professora da Uneb Marcilene Oliveira Sampaio, 38 anos, e sua prima Ana Cristina Santos Sampaio, 37, foram mortas a pedradas a mando do pastor Edimar dos Santos Brito, segundo aponta a investigação da Polícia Civil.

Wagner de Oliveira, 35, amigo da família e ex-membro da Profetizando Vida, igreja de Marcilene com o marido Carlos Eduardo, conta que os desentendimentos começaram quando o casal passou a não gostar do comportamento do pastor. "O pastor que está foragido tinha uma igreja, Carlos Eduardo e Marcilene eram da igreja dele. A máscara dele foi caindo, ele começou a mexer com mulheres casadas. Carlos Eduardo emprestou um dinheiro a ele, cerca de R$ 3 mil. Quando Carlos Eduardo foi cobrar, eles discutiram. Edimar chegou a quebrar o para-brisa dele", conta Wagner ao CORREIO. "Todo mundo foi vendo quem Edimar era de verdade. As pessoas foram saindo (da igreja dele). O casal resolveu abrir uma outra congregação e muita gente resolveu acompanhar. E a igreja foi prosperando", relembra.

O amigo acredita que o pastor foragido premeditou o crime. "Pouco tempo atrás, Edimar sentou em um trailer e comentou 'esse ministério dela tá pra acabar'. O pessoal achou que ele tava falando que ia falir, algo assim. Mas talvez ele já tava premeditando o crime", avalia.

Segundo Wagner, Ana Cristina, prima da pastora, era casada, mãe de dois filhos e vivia em São Paulo, vindo para a Bahia visitar familiares. Já a pastora Marcilene e Carlos Eduardo não deixaram filhos.

O delegado Marcus Vinícus Oliveira diz que as investigações continuam e ainda não é possível afirmar que o pastor Edimar estava envolvido em "atividades ilícitas". "Isso foi ventilado. Mas não temos provas concretas, preferimos não comentar", diz o delegado. Ele afirma que o pastor e a pastora tinham desentendimentos, mas o caso não havia chegado à delegacia. "Já tinha tido discussões, mas não houve nenhuma queixa na polícia". Ele confirma que embora os assassinos estivessem com armas de fogo, as duas mulheres foram mortas a pedradas. "Usaram arma de fogo para subjugar", diz. 

Adriano foi preso ontem pela manhã e Fábio na madrugada. Os dois dizem o pastor queria apenas "dar um susto" em Marcilene, mas no momento do crime acabou resolvendo matá-la. "Quando chegou lá Edimar mudou a história, que não podia deixar testemunha para não complicar ele depois e que iria matar a mulher. Quem matou foi Edimar", afirmou Adriano.

O pastor continua foragido.

(Foto: Reprodução/Facebook)

Crime
De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu por volta das 23h da terça-feira, na estrada de acesso ao município de Barra do Choça.

O mandante do crime seria um homem identificado como Pastor Edimar. Ele foi reconhecido tanto pelo marido da vítima, quanto pelos dois outros suspeitos de participar do crime. Segundo a polícia, a motivação do homicídio seria uma vingança porque a Pastora Marcilene estaria levando muitos fiéis da igreja do Pastor Edmar.

Segundo informações da polícia, Marcilene estava acompanhada da prima e do marido, Carlos Eduardo de Souza, 50, quando teve o veículo abordado por dois homens que estavam a bordo de um Versa branco. Um dos suspeitos, Fabio de Jesus Santos, 34, conduziu Carlos ao Versa, onde ele foi espancado várias vezes sob ameaça de uma arma de fogo. Durante o trajeto, o marido da professora conseguiu provocar um acidente e fugir.

Marcilene e a prima ficaram em companhia do outro suspeito, Adriano Silva dos Santos, 36, e do pastor. As duas mulheres foram então assassinadas. Segundo a polícia, as duas foram encontradas com as cabeças esmagadas por pedras.

Adriano e Fábio foram presos e disseram que quem matou as mulheres foi o pastor
(Foto: Divulgação)


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