Peça da Companhia de Teatro da Ufba encerra temporada em SP com ingressos esgotados

entretenimento
27.01.2020, 21:00:00
Atualizado: 27.01.2020, 21:42:05
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)

Peça da Companhia de Teatro da Ufba encerra temporada em SP com ingressos esgotados

'Pele Negra, Máscaras Brancas' está em cartaz no Sesc Belenzinho até dia 2

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Depois do sucesso em Salvador, a peça 'Pele Negra, Máscaras Brancas' está encerrando a curta temporada em São Paulo esta semana, com ingressos esgotados. O espetáculo da Companhia de Teatro da Ufba está em cartaz de sexta a domingo no Sesc Belenzinho, na zona leste paulistana, até 2 de fevereiro.

Com texto de Aldri Anunciação, inspirada na obra do filósofo e psiquiatra preto Frantz Fanon e dirigida por Onisajé (Fernanda Júlia), a montagem aborda os impactos gerados pelo racismo na vida de pessoas negras e já estreou, no último dia 24, com ingressos esgotados. Um lote final foi aberto, mas também já se esgotou.

Onisajé é a primeira diretora negra de um espetáculo pela Companhia de Teatro da Ufba, fundada em 1981. Sobre as apresentações lotadas em São Paulo, ela diz que é consequência das temporadas bem-sucedidas em Salvador - Pele Negra foi um dos espetáculos mais assistidos em 2019, na capital baiana.

"Ele marca muito profundamente a questão da representatividade e das discussões relacionadas à subjetividade da pessoa negra", explica Onisajé, que inicia nesta terça-feira (28), também em São Paulo, a oficina Ojuinan, desenvolvida por ela desde 2009, para atores e atrizes, ou atuantes, como ela prefere chamar. 

Para a diretora, ao assistir à peça, a população negra acessa reflexões sobre si mesma e sobre questões que vivencia na sua constituição individual, psicológica, emocional e política. "A pessoa é convocada a refletir, mas também é acolhida num espaço de fortalecimento da sua ancestralidade negra e toda a riqueza que essa ancestralidade legou a nós."

(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)
(Foto: Adriano Machado/Divulgação)

Quem não é negro e assiste à peça pode perceber o quanto o racismo é "danoso, adoecedor e o maior atraso do Brasil, principalmente o racismo estrutural", nas palavras da diretora. A co-direção é de Licko Turle, que acompanha as apresentações em São Paulo. A direção negocia novas apresentações no Rio de Janeiro e em Curitiba.

Números
Na Bahia, a montagem foi apresentada também em Alagoinhas, onde Onisajé nasceu, abrindo o Festival de Artes da cidade.

Em Salvador, a peça foi encenada no Teatro Martim Gonçalves, no Domingo no TCA, no Espaço Cultural da Barroquinha, no Goethe Institut e em Plataforma. 

Em 2019, foram cerca de 40 apresentações e mais de 10 mil espectadores.

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