Pequenas diferenças na festa do Oscar 2022

entretenimento
26.03.2022, 07:00:00
Filme A Felicidade das Pequenas Coisas está em cartaz na Saladearte (Foto: Divulgação)

Pequenas diferenças na festa do Oscar 2022

Documentário da Índia sobre minorias e ficção do Butão marcam presença no evento, que acontece neste domingo (27)

O Oscar é feito de muitas histórias. Em meio aos filmes de orçamentos milionários e desfile de estrelas, encontram-se histórias singelas e produções que ficam quase descoladas em meio à tanta badalação. É o caso do documentário indiano Escrevendo com Fogo, que disputa na sua categoria, e da ficção A Felicidade das Pequenas Coisas, que representa o Butão na disputa de Filme Estrangeiro.

Se a ideia da Academia Cinematográfica de Hollywood é levar mais diversidade para o evento, eis dois bons representantes. Se saírem vencedores na cerimônia neste domingo (27) – que volta a ser presencial após dois anos – as produções vão chamar ainda mais atenção para um cinema feito de delicadeza e muito esforço.

Escrito e dirigido pelo estreante Pawo Choyning Dorji, A Felicidade das Pequenas Coisas é a primeira produção do Butão indicada ao Oscar e apenas o segundo longa produzido no país da Ásia. Quando soube da notícia, Pawo, que também é fotógrafo, disse que se sentia “honrado e orgulhoso” não com a indicação em si, mas pelo fato de ser um  butanês. “A indicação é histórica para o Butão, um país pequeno mas muito especial com muita sabedoria e compaixão para partilhar com o restante do mundo.. Esperamos que nosso filme, mostrando valores humanos muito simples e essenciais do lugar mais remoto do mundo, continue a tocar o coração das pessoas, especialmente nesses tempos de dificuldade”, escreveu no Instagram.

O filme conta a história inspiradora do jovem professor Ugyen Dorji (Sherhab Dorji), que está prestes a terminar seu contrato com o governo como professor de escola pública. Ele sonha em ser cantor na Austrália, mas  é mandado para dar aula em Lunana, um vilarejo minúsculo e distante,  com 56 habitantes, nas proximidades do Himalaia, e acessível apenas a pé – o que garante uma semana de viagem caminhando. Sem acesso a nenhuma tecnologia, ele acaba sendo conquistado por seus alunos, por uma jovem e pela nova realidade em que está inserido. O filme está em cartaz na SaladeArte Cine MAM (14h30) e Paseo (15h20) e chegou nesta sexta na plataforma Belas Artes A La Carte, A partir do dia 30 entra no Now.

Mulher, jornalista e dalit

A Índia tem uma longa tradição no cinema, mas com Escrevendo com Fogo o país disputa pela primeira vez o Oscar de melhor documentário. O filme dirigido por Rintu Thomas e Sushmit Ghosh  aborda a luta de mulheres jornalistas para transformar o impresso Khabar Lahariya, da zona rural de Uttar Pradesh, num empreendimento digital. Além do machismo, elas são dalits, párias que não possuem casta e só deveriam realizar os trabalhos considerados impuros pelas demais castas.

Com muita luta, essas mulheres dalits criaram e mantiveram o jornal. O documentário deu-lhes projeção internacional, com reconhecimento no The New York Times e no The Washington Post, nos EUA, e no The Guardian, britânico.

A migração para o digital lhes vale hoje o acompanhamento de milhões de seguidores. "Estamos em Nova York a caminho de Los Angeles. Nossa vida está uma loucura. Todas essas entrevistas, a exposição que o Oscar representa. A Índia possui uma produção ficcional muito intensa. Todo mundo sabe que existe Bollywood. Estamos mostrando uma outra realidade, uma outra forma de fazer os filmes. Estar no Oscar é muito estimulante. Abre uma janela importante para a produção não ficcional independente, não só na Índia, mas em toda a Ásia", afirmaram as diretoras ao Estadão. 

Escrevendo com Fogo ainda não foi exibido na Índia. O governo exerce rigoroso controle sobre a televisão. A solução será levar o filme para os cinemas, mas será preciso abrir uma brecha na programação. Escrevendo com Fogo está disponível nas plataformas Claro Now, iTunes/Apple, Google/YouTube e Vivo Play.

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Fabio Porchat, Maria Beltrão, Dira Paes e Marcelo Adnet comandam a cobertura (Foto: TV Globo/Divulgação) 

Onde ver o Oscar

Globoplay - O streaming é o único no Brasil que vai transmitir a 94ª edição da premiação, que volta a ser presencial, no tradicional Dolby Theatre, em Los Angeles, com exclusividade e de forma gratuita para usuários logados na plataforma. O comando da transmissão fica por conta de Maria Beltrão, Dira Paes, Marcelo Adnet e Fabio Porchat, a partir das 20h, desde o red carpet. Ao todo, serão mais de três horas de cobertura ao vivo em um cenário que simula uma sala de cinema com projeção inédita em 180 graus. A direção artística é de Carlos Manga Jr. Na TV paga, a transmissão será dos canais TNT e TNT Séries.

Cobertura alternativa - A mais tradicional live brasileira do Oscar, Meu Tio Oscar, à  6a edição, a partir das 19h30 deste domingo (27). A transmissão acontece no canal YouTube Meu Tio Oscar, de Felipe Haurelhuk, idealizador e fundador do evento, que acontece desde 2017. Para esse ano, o youtuber promete novidades, não apenas no time de apresentadores e comentaristas, mas também no evento como um todo. Já o site Omelete irá comandar a cobertura da premiação serão os apresentadores Marcelo Forlani e Marcelo Hessel, com os comentários dos apresentadores Carol Costa, Alê Garcia, e a Youtuber Lully, do canal Lully de Verdade,  a partir das 19h, no YouTube, no Twitter e no TikTok. com um pré-show que será comandado por Affonso Solano e com a participação dos apresentadores Jack e Moo.


Mais destaques na TV e no streaming

Leila Diniz - A plataforma Itaú Play inaugura mostra de quatro filmes protagonizados pela atriz Leila Diniz, com curadoria de sua amiga, a atriz e diretora Ana Maria Magalhães. Em Homem Nu, Leila representa uma adultera; no outo extremo, em A Madona de Cedro faz o papel de esposa virtuosa e é uma corajosa aventureira no faroeste Corisco, o Diabo Loiro. Completa a seleção, Já que Ninguém Me Tira Para Dançar, documentário dirigido por Ana Maria, cuja pré-estreia no início do ano foi nesta plataforma e agora volta para ficar no catálogo.  O filme conta a trajetória da artista, com imagens de filmes, fotos e cenas ficcionais vividas por ela ou interpretadas em tempos diversos por Lídia Brondi, Louise Cardoso e Lígia Diniz. 

TV Bahia - A capital baiana chega aos 473 anos no próximo dia 29 de março e muito dos usos e costumes soteropolitanos têm origem indígena. Para entender toda a contribuição desse povo nativo, a TV Bahia apresenta nos dias 26 de março e 02 de abril, após o Jornal Hoje, a terceira temporada do especial Uma História Chamada Salvador. Depois de abordar a história da capital baiana pelas óticas portuguesa e africana, em 2019 e 2020, os episódios deste ano vão mostrar uma Salvador com raízes nas contribuições dos habitantes que viviam no continente, antes da chegada dos portugueses. Escavações arqueológicas trazem à tona mais que artefatos, revelando a estreita e profunda convivência entre colonizadores e indígenas.   Uma História Chamada Salvador tem a direção de Ana Luiza Carvalho, reportagem de Mauro Anchieta e imagens de German Maldonado, Clériston Santana e Jefté Souza. A edição é de Melissa Tavares e Douglas Oliveira.  



 

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A Maglore faz show no Largo de Tieta (Foto: Azevedo Lobo/divulgação)

Música no fim de semana

Maglore reencontra os fãs baianos no Pelô - Depois de ser adiado, o show que marca o reencontro da banda Maglore com  os fãs baianos acontece nesta sábado, na Largo de Tieta, no Pelourinho. Com portões abertas a partir das 17h, o evento ainda conta com shows de Pedro Pondé, Edoux e com o DJ el Cabong. A banda, que repassa suas canções mais marcantes, lança no dia 31 a música A Vida É Uma Aventura. Os ingressos já estão disponíveis. Ingresso: R$ 100| R$ 50, à venda no Sympla.

Beatles para crianças - Comemorando 7 anos de projeto, a banda Beatles Para Crianças apresenta seu novo espetáculo, A Misteriosa Viagem Mágica, neste domingo, às 16h, no  Teatro Castro Alves. Criado durante a pandemia, o espetáculo traz sucessos dos  como Get Back, Revolution, From Me To You e muitas outras canções, alternadas com histórias que giram em torno de uma grande viagem para o universo dos Beatles. Ingressos: de R$ 40 a R$ 120, à venda no Sympla e na bilheteria. 

Melim na Concha  - Formada por Diogo, Gabi e Rodrigo, a banda  Melim se apresentam na Concha Acústica do TCA, neste domingo, às 18h30. O grupo é conhecido pela mistura sonora do reggae com o pop, a MPB e influências internacionais, além do estilo “good vibe”. A apresentação traz canções de várias fases e Amores e Flores, lançada ano passado e indicada na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa no Grammy Latino 2021. Ingressos: R$ 120|R$60, à venda no Sympla e na bilheteria.




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