Petrobras desativará perfuração de poços terrestres na Bahia

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19.12.2019, 20:29:00
Atualizado: 19.12.2019, 22:50:18
Sonda 109 (Foto: Sindipetro/Divulgação)

Petrobras desativará perfuração de poços terrestres na Bahia

Sindicato dos Petroleiros da Bahia estima que 150 pessoas ficarão desempregadas

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Há 34 anos auxiliando a descobrir novos poços terrestres de petróleo, a Sonda 109, hoje montada no Campo de Araçás, na Bahia, está prestes a ser desativada, segundo afirma o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA). Procurada, a Petrobras confirmou a descontinuidade da atividade. De acordo com o sindicato, alguns funcionários terceirizados já estão de aviso prévio e estima-se que, no total, 150 empregados serão demitidos no estado.

A última perfuração da sonda aconteceu ainda este mês no município de Araçás, a 106 Km de Salvador. Com capacidade para perfurar até 6 mil metros, o equipamento é, atualmente, a maior sonda em operação no Brasil, conforme informações do Sindipetro. “Existem mais poços para serem perfurados na Bahia, bem como em outros estados, mas a empresa preferiu o pior caminho, que é a desativação e os seus efeitos, como o desemprego”, lamenta Radiovaldo Costa, diretor de comunicação do sindicato.

Segundo o diretor, a sonda será desmontada e levada para a área da Petrobras em São Sebastião do Passé para ser guardada em galpão. Radiovaldo diz que a decisão de encerrar essa atividade impactará a arrecadação dos municípios que têm potencial de extração de petróleo. 

Ele explica que quando a Petrobras escolhe perfurar um local, a cidade passa a receber o Imposto Sobre Serviços (ISS) e royalties. “Além disso, quando tem funcionamento numa cidade, o município ganha com a movimentação de hospedagem para trabalhadores, fornecimento de combustível, alimentação, inúmeros serviços”, acrescenta. 

O sindicato declarou que foi surpreendido com a suposta decisão e que se reunirá para definir uma manifestação contra a paralisação da sonda. Até o início de 2020, a categoria pretende judicializar o caso para buscar uma decisão favorável à manutenção dos empregos e do funcionamento do equipamento.

Leia também: Sondas estão virando sucatas em Catu

Em nota ao CORREIO, a Petrobras informou que, até o final de dezembro, encerrará as operações das sondas de perfuração terrestres 109 e 86, esta última em funcionamento no Rio Grande do Norte. Segundo a empresa, o encerramento não trará qualquer prejuízo à continuidade das atividades de perfuração.

"As perfurações de poços previstas no Plano de Negócios da companhia seguem com serviços contratados a partir de processos competitivos em mercado, considerando a melhor economicidade para os projetos. O objetivo é otimizar a geração de valor através da redução de custos", diz o comunicado.

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A companhia finaliza o documento dizendo que reforça o compromisso com a transparência e com o respeito aos empregados nas movimentações que sejam necessárias.

Descontinuidade
Ainda conforme o sindicato, a categoria vem sofrendo diversas baixas na Bahia, como por exemplo o recente arrendamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Camaçari, para o Grupo Unigel. “Até o momento está parada. Foi arrendada por 10 anos para operar nas mesmas instalações, mas sem o pessoal de antes”, disse.

Além disso, os trabalhadores temem ainda a “desmobilização” da Refinaria Landulpho Alves (Rlan), em São Francisco do Conde, do Terminal Marítimo de Madre de Deus e dos campos de produção de petróleo das cidades de Candeias, Catu e Pojuca.

No passado
O Sindipetro diz que o país chegou a ter 10 sondas em operação durante o governo Lula e que foi a partir da experiência adquirida em perfuração de poços terrestres que a Petrobrás conquistou know how na área, desenvolvendo a tecnologia que levou à descoberta da Bacia de Campos e do pré-sal.

Para Radiovaldo, “a atual gestão da Petrobrás, em grande velocidade, vai minando a estatal no Nordeste. O objetivo é que a destruição da empresa comece onde ela nasceu, na Bahia. O desmonte da Petrobrás, com fechamento, arrendamento, venda de unidades e demissões vai para a conta do governo Bolsonaro”, diz o sindicalista.

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