Polo de Camaçari tem como próximo passo atrair mais indústrias de transformação

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23.09.2013, 14:33:00
Atualizado: 23.09.2013, 14:50:50

Polo de Camaçari tem como próximo passo atrair mais indústrias de transformação

O polo nasceu petroquímico, mas hoje abrange tantas indústrias de diferentes setores que não pode mais ser chamado assim. Virou Polo Industrial

O polo nasceu petroquímico, mas hoje abrange tantas indústrias de diferentes setores que não pode mais ser chamado assim. Virou Polo Industrial de Camaçari, com uma indústria de base cada vez mais completa, porém, com um desafio ainda grande para o futuro: atrair mais empresas de transformação de matéria-prima em bens finais.

“Hoje, fabricamos o eteno, matéria-prima para o polietileno, que, por sua vez, origina o PVC. Mas não temos nenhuma indústria que transforme esse PVC em tubos, janelas, embalagem”, exemplifica Marcelo Cerqueira, presidente do Centro de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic). 

Espaço para isso, tem. Atualmente, o polo abrange bem mais empresas do que a planta original, de 35 anos atrás, mas ainda tem potencial para abrigar muito mais. Afinal, no início do mês, teve sua área dobrada pelo novo plano diretor.

Com a medida, anunciada no dia 11 de julho pela Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), dos atuais 13,4 mil hectares, o distrito passará a ter 29,3 mil, território maior do que a capital de Sergipe, Aracaju. 

Cerqueira destaca a importância das indústrias de transformação para a geração de empregos. “Nas empresas petroquímicas, a quantidade de empregos é desproporcional ao investimento, porque são produções muito automatizadas. Um investimento, às vezes, de R$ 1 bilhão, gera menos empregos do que outro dez vezes menor de uma indústria de produto final”, compara.

Segundo Reinaldo Sampaio, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), atrair essas indústrias será um movimento natural do polo: “A oferta de matéria-prima vai atrair outras, porque isso facilita a logística. Além disso, a ampliação é um facilitador”. 

Mas, para ele, o desafio não acaba aí. “É preciso também melhorar a infraestrutura de transporte, que hoje ainda não atende aos padrões que as grandes indústrias precisam. Estou falando de transporte ferroviário, dutos para a alimentação das empresas e também da modernização do Porto de Aratu”, completa.

Logística  
As melhorias viárias já estão sendo feitas, garante o secretário James Correia, da SICM. Pelo menos no que se refere a estradas. “Estamos melhorando o sistema viário. Vamos duplicar o trecho da rodovia que vai de Camaçari a Jacuípe, no Litoral Norte”, diz Correia.

Ele também destaca como desafio para um futuro próximo ter no polo toda a cadeia do setor petroquímico. “O grande complicador para fecharmos mais negociações é a mudança da reforma do ICMS. As empresas estão preferindo esperar para ver como é que vai ficar”, analisa Correia. 

O secretário se refere ao projeto de lei que tramita no Congresso e prevê mudanças no recolhimento do imposto, com a justificativa de acabar com a guerra fiscal entre os estados e aumentar a arrecadação. Na proposta, todas as alíquotas alcançariam gradativamente 4%, com exceção da Zona Franca de Manaus, do gás natural de Mato Grosso do Sul e dos produtos industrializados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Espírito Santo.

Por mais que se avance no movimento de diversificar as indústrias e tornar as cadeias produtivas cada vez mais completas, elas não devem se fechar, avalia o economista Armando Avena.

“A Basf está chegando e vai aproveitar a matéria-prima da Braskem. A Kimberly, por sua vez, vai usar produtos fabricados pela Basf. A tendência é que a matriz produtiva tenha cada vez menos lacunas, mas ela não deve se fechar num só local, apesar de ter um aproveitamento cada vez melhor”, exemplifica. 

Ao processo de diversificação do complexo, Avena acrescenta as expansões que irão ocorrer nos próximos anos. “Hoje, o setor automotivo tem só a Ford, que fabrica 250 mil carros por ano. Com a chegada da Jac Motors e da Foton, essa produção vai aumentar, além de mobilizar toda uma cadeia produtiva ao redor, de pneus, peças, parafusos...”, enumera.

Impactos na economia, educação e empregos
Está errado quem pensa que o fomento industrial do estado só diz respeito aos empresários e autoridades políticas. O impacto na comunidade de um complexo industrial é enorme.  A implantação do polo em Camaçari mudou a cara e a economia da cidade. Com a expansão para o território de Dias D'Ávila, a expectativa é que aconteça o mesmo movimento com o município vizinho.

“A nova poligonal acarretou uma mexida no município de Dias D'Ávila, e a tendência é que ele cresça também”, avalia o diretor de desenvolvimento empresarial da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), Ricardo Taboza.

“Camaçari mudou profundamente nos últimos 35 anos. Passou a atrair mais mão de obra para a cidade, os impostos arrecadados o transformaram num dos municípios mais ricos do Brasil. E movimentou toda a economia, pois as indústrias do polo precisam fornecer alimentação para seus funcionários, precisam de serviços de limpeza, de mobiliário”, explica o economista Armando Avena.

Além das mudanças econômicas, há também as mudanças no sistema educacional. Em Camaçari, a proximidade das indústrias demandou mais profissionais de nível técnico e superior. Para formar profissionais, cursos técnicos foram implantados na cidade, que até vai ganhar um campus da Ufba.

“Serão cinco cursos das engenharias, a área mais demandada pela indústria”, contou o prefeito da cidade, Ademar Delgado (PT). No ano que vem, começa o vestibular para os cursos de Engenharia Naval, Oceânica, Automotiva e de Materiais, além de bacharelado em Ciência e Tecnologia e o curso técnico de Logística, também voltada à área de Engenharia.

As aulas, no começo, serão no prédio do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Ceped). Posteriormente, o campus será construído na área entre o Jardim Limoeiro e o Parque das Margaridas. O prefeito também destaca cursos do Senai, Senac e Pronatec, que foram atraídos pelo polo e ajudam na formação dos moradores.

“O campus da Ufba em Camaçari vai beneficiar também os moradores de Dias D’Ávila”, lembra Taboza, da Sudic. Atualmente há uma grande empresa instalada em Dias D'Ávila - a Paranapanema, antiga Caraíba Metais. A companhia, uma das gigantes do setor de metalurgia, está instalada no polo há 35 anos, e produz cobre eletrolítico, que é utilizado para fazer fios condutores de eletricidade.

Também está prevista para ser implantada no município a Bomcobras, produtora de equipamentos para plataformas de petróleo. A cidade é estratégica para esse tipo de atividade, pois faz parte da cadeia de produção do petróleo. A Bomcobras é originária da China e prevê um investimento de R$ 130 milhões, com estimativa de gerar cerca de  200  empregos diretos na região.


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