População se vira como pode diante da greve de ônibus em Salvador

salvador
23.05.2018, 15:43:00
Atualizado: 23.05.2018, 15:59:23
(Mauro Akin Nassor/CORREIO)

População se vira como pode diante da greve de ônibus em Salvador

Teve quem não chegou a compromissos, perdeu aula e até entrevista de emprego

Com a greve dos ônibus iniciada pelos rodoviários de Salvador, nesta quarta-feira (23), estudantes, trabalhadores e pessoas que precisam resolver problemas do dia a dia tiveram que alterar suas rotinas e encontrar meios de cumprir seus compromissos. Teve gente que conseguiu liberação do trabalho e ficou em casa, mas nem todo mundo pôde fazer isso.

Para alguns, o jeito foi desembolsar uma grana e pegar táxi, mototáxi ou algum aplicativo de transporte, como o Uber e o 99Pop; outros conseguiram carona, caminharam bastante, esperaram nos pontos e arranjaram formas alternativas de se deslocar pela cidade.

No final da manhã, quem estava nas ruas conseguiu um micro-ônibus ou desistiu de ir trabalhar. 

O internauta Fabio (@fabiodjk), por exemplo, contou que tinha uma entrevista de emprego agendada para hoje e não conseguiu fazê-la e nem remarcá-la. 

Quem também teve prejuízos foi a fisioterapeuta Lenir Miranda, 39. Ela trabalha com atendimento domiciliar e com pacientes idosos, que precisam de um tratamento contínuo e está preocupada. "Não tive como atendê-los e sabe Deus quando irei repor as sessões. Entendo que todos temos que lutar pelos nossos direitos, mas sem ferir os direitos do próximo", opinou. 

(Mauro Akiin Nassor/CORREIO)

Funcionária de uma faculdade, a também leitora Ana Cleide Vieira, 38, contou que foi liberada do trabalho: "Tô de keke em casa". 

A assistente administrativa Clara Sodré, 27, por sua vez, também teve 'sorte'. Ela teve ajuda da sua empresa para se transportar até o trabalho. "Queria a cidade sem buzu pra sempre. A empresa colocou carro confortável, chegamos mais rápido e sem o estresse do ônibus lotado. Vai ser igual na volta pra casa", contou. 

Já a estudante de jornalismo Gessica Alencar, 22, teve que pegar Uber para chegar no local em que seriam realizadas as fotos da sua formatura, mas ainda assim enfrentou transtornos. Ela saiu do bairro de Engelho Velho de Brotas para o Comércio e levou 50 minutos. "Eu não tinha me programado para gastar esse dinheiro, mas a turma da formatura não quis cancelar as fotos", contou.

Sem buzu, Gessica deu um jeito de chegar no Comércio
(Foto: Milena Teixeira/CORREIO)

A professora Fernanda Gomes, 36, deu sorte e conseguiu uma carona para chegar ao trabalho, no bairro de Itacaranha. Um colega ficou responsável por fazer o transporte dela e de outros professores. Caso a greve se estenda até essa quinta-feira (23), Fernanda não vai ter como chegar ao serviço - isso porque o colega motorista teve que faltar ao trabalho. "Não me sinto segura em pegar um carro alternativo. É um meio de transporte que todo mundo entra, não tem um controle. Com as catracas livres também", acredita Fernanda. 

O marido da professora, preocupado com a segurança da mulher, a levou até a Baixa do Fiscal, melhor ponto encontro para carona. "Me preocupo com a segurança dela. Faço isso todos os dias, mas hoje mais do que nunca", disse o técnico Ubirajara Nolasco, 33.

Fernanda e Ubirajara: apoio e ajuda com carona solidária para trabalhar 
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

O autônomo Juarez Andrade, 40, saiu de Santa Cruz no início da manhã para resolver pendências no Iguatemi. Por volta das 10h20, ele estava aguardando por um coletivo para poder voltar pra casa. "Tenho dez minutos aqui e não passou nem um micro-onibus ou van. Não é que não passou para Santa Cruz, não passou para lugar nenhum", disse. 

Ele estava cogitando pegar um dos carros clandestinos que faziam fila no ponto de ônibus em frente a Catedral da Fé, no Iguatemi. Para a Santa Cruz a corrida saia por R$3,70 valor da passagem de ônibus, mas para outros bairros o preço subia. "O movimento estava maior mais cedo, mas está tendo passageiros", contou um dos clandestinos, que pediu para não ser identificado.

A empregada doméstica Raineria Souza Carneiro, 27, também recorreu ao transporte clandestino. Ela precisou pegar um transporte clandestino para sair de Vilas de Abrantes, em Camaçari, e seguir até o seu local de trabalho, na região do Iguatemi. "Peguei uma van clandestina pra chegar no metrô, porque eu não ia ficar arriscando minha vida em ponto de ônibus. Tirei a passagem do bolso, porque o carro que eu peguei não faz integração. Agora, estou preocupada é com a volta pra casa", comentou. 

A greve pegou o autônomo Pedro Segundo, 44, de surpresa. Ele chegou da cidade de Campo Formoso, no Centro Norte do estado, na madrugada desta quarta, mas não conseguia chegar ao seu destino final, que é no município de Camaçari. Teve que pegar um táxi. "Não passou um ônibus. Essa situação quebra o peão", falou.

Pedro Segundo veio do interior sem saber que a capital teria greve de ônibus (Foto: Milena Teixeira/CORREIO)

Volta pra casa
Se muitos passageiros enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho, outros tiveram o mesmo problema para voltar para casa logo cedo. Um funcionário de um hospital no Costa Azul contou que a empresa disponibilizou vans para levá-los para casa, mas que teve de rodar pela cidade logo cedo. 

"Meu plantão encerra às 7h, e eu chego em casa entre 7h45 e 8h. Hoje estou levando o dobro do tempo porque a vans estão rodando desde cedo para deixar os funcionários em casa. São muitos bairros. São 9h e eu ainda não cheguei", revelou.

Alguns colegas que deveriam render as equipes que saíram às 7h ainda não haviam conseguido chegar no trabalho. Outros arranjaram caronas, desceram próximo e seguiram andando até o hospital.

Nas redes sociais, internautas relataram suas experiências. Confira alguns relatos.

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