Por onde anda Sandro Becker, cantor referência do chamado 'forró malícia'?

entretenimento
30.04.2022, 10:59:00
(Foto: Divulgação)

Por onde anda Sandro Becker, cantor referência do chamado 'forró malícia'?

Sucesso nos anos 80, cantor que é dono de restaurante em Natal planeja turnê na Bahia

Alagoano de União dos Palmares, Sandro Becker é a maior referência do chamado “forró malícia’, e um dos últimos grandes nomes da geração de artistas que sempre marcou presença nos festejos juninos. Há tempos atrás, antes de surgirem as chamadas festas de camisa no São João, seria inimaginável um arraiá sem Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Marinês e sua Gente, Jackson do Pandeiro (todos já nos deixaram) e Sandro Becker.

Com 43 anos de carreira, morando em Natal, no Rio Grande do Norte, onde mantém um restaurante bem badalado – “Casa do Matuto”, de comida regional e muito forró –, além de apresentar um programa semanal “Forró Total”, na TV Metropolitana, Becker tem um público imenso na Bahia, e essa admiração por aqui continua firme e forte.

Ele está pronto para encarar mais uma maratona após dois anos de muito estrago feito na área musical por essa pandemia do covid-19. 

Como não lembrar de hits como 'Tico Mia', 'Selma', 'Não fure Quinho não', 'Aracaju Aracaju', 'Toma banho de mar no norte depois vai tomar no sul', cantadas a plenos pulmões nos tempos em que não havia filtros nas composições. Em conversa com o Baú do Marrom, ele não escondeu o prazer em poder retornar normalmente às atividades, falou de suas atividades extra musicais e lamentou o fato de artistas de sua geração ainda terem que lutar para ser reconhecidos.

“Mesmo assim, depois de dois anos parados, quase três anos, ainda estamos tendo dificuldades nas contratações. No Brasil tem aquela coisa: artista com 43 anos de carreira é velho, está fora de moda. Eu me sinto tão jovem quanto o João Gomes, Zé Vaqueiro ou Tarciso do Acordeon... [risos] Estou sempre me reciclando, gravando coisas novas e acompanhando o público jovem”. Confira o bate-papo.

CORREIO - Você tem uma forte ligação com a Bahia. Fale quando isso começou e quais os planos para tocar em território baiano em 2022?
Sandro Becker -
Em 1979 gravei meu primeiro disco (LP) pela Tapecar – Som Livre. Viajei para fazer divulgação por todas as capitais do Norte e Nordeste. Chegando na Bahia, senti que o meu trabalho teve a maior aceitação e o público baiano me abraçou como se eu fosse nascido na Bahia. Uma troca de energias maravilhosa. De lá para cá são 43 anos de convivência. Meu empresário, minha produção de shows e meus músicos, exceto o sanfoneiro, são todos da Bahia. A nossa agenda de shows nos festejos juninos desse ano é 90% em território baiano. Graças a Deus.

CORREIO - Como é voltar a fazer shows no São João depois de dois anos de pandemia?
Sandro Becker -
Mesmo assim depois de dois anos parados, quase três anos, ainda estamos tendo dificuldades nas contratações. No Brasil tem aquela coisa: artista com 43 anos de carreira é velho, está fora de moda. Eu me sinto tão jovem quanto o João Gomes, Zé Vaqueiro ou Tarciso do Acordeon... Estou sempre me reciclando, gravando coisas novas e acompanhando o público jovem. Gravo o forró autêntico durante toda a minha carreira mas, sempre antenado no mercado. Esse ano gravei o meu 43° CD, “Sandro Becker – Forró, Piseiro e Vaquejada”.

CORREIO - Você sempre foi conhecido por seus forrós de letras picantes e bom humor. Com as mudanças do mundo, você tirou essas músicas do repertório, a exemplo de 'Julieta', 'Tico mia'?
Sandro Becker - Eu sempre tive o cuidado com meu repertório, com as músicas que gravo e até com o que eu falo nas entrevistas e nos shows. Minhas letras são engraçadas, uso e abuso da cacofonia, das brincadeiras e dos “implícitos da língua portuguesa”. Não gosto do palavrão ou da coisa explícita como alguns artistas da nova geração tem feito, usado, falado e cantado no momento. Portanto, essa coisa do “Politicamente Correto” não me preocupa e nem me atinge. Aliás, eu acho esse tal de politicamente correto um chatice. Sou a favor da Liberdade de Expressão. Abaixo a Censura.

CORREIO - Qual a diferença do Sandro Becker cantor para o apresentador e dono de restaurante em Natal?
Sandro Becker -
Amigo, Sandro Becker é um só em qualquer lugar ou situação. Como cantor, apresentador de rádio e TV ou como empresário sou eu mesmo: simples, carinhoso com quem trabalha comigo e com o público. Trato meus colaboradores com respeito, carinho e atenção, até porque, para fazer algo dar certo, ninguém faz sozinho. Em equipe fica mais fácil e melhor. Só tem uma coisa que eu sou chato e cobro deles: não beber ou usar qualquer tipo de droga para trabalhar. Se isso acontecer, não trabalha comigo.

CORREIO - Quem são os ídolos do forrozeiro Sandro Becker?
Sandro Becker -
Meu ídolo, o maior amor da minha vida, é Jesus Cristo. Os artistas que eu admiro e que sempre tive como espelho: Luiz Gonzaga que foi meu incentivador, meu companheiro e meu amigo até Deus o chamar; Lindolfo Batista, para quem não sabe era o Lindu, cantor e sanfoneiro do Trio Nordestino, que também era produtor musical da gravadora Copacabana e foi meu produtor e amigo. Ivon Cury, o maior showman do Brasil; Chacrinha, que muito me ajudou no rádio e na TV; Silvio Santos, meu segundo pai, e Faustão, meu amigo de longas datas, desde a época do programa Balancê no rádio e do programa Perdidos na Noite, na Band. Fausto Silva, uma das pessoas mais generosas que já conheci!

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