Por onde anda Simone Moreno, a cantora que fez a Bahia tremer antes dos terremotos?

entretenimento
05.09.2020, 05:55:00
(Foto: Divulgação)

Por onde anda Simone Moreno, a cantora que fez a Bahia tremer antes dos terremotos?

Cantora que vive há 18 anos em Estocolmo deu entrevista exclusiva falando sobre o terremoto na Bahia e seu maior sucesso

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Assim que os jornais, as rádios e as TVs começaram a noticiar desde o dia 29 de agosto, sobre os terremotos acontecidos nas cidades de São Miguel das Matas e Amargosa, respingando até em Salvador, imediatamente muita gente lembrou de um “estrondoso” sucesso de 1988 gravado pela cantora Simone Moreno, vocalista da Banda Novos Bárbaros: A Terra tremeu. Durante a semana os terremotos continuaram acontecendo ao ponto de as duas cidades do interior decretarem situação de emergência. Esse fato inusitado “tremor de terra” na Bahia (apesar de já ter ocorrido em menor intensidade em outra época) e a lembrança da música fizeram com que muita gente se perguntasse: por onde anda Simone Moreno?

Como eu sabia que Simone está morando em Estocolmo, na Suécia, mas sempre vem a Salvador rever amigos e parentes, entrei em contato com ela, que já estava a par do que estava acontecendo e até brincou dizendo que os fãs estavam chamando o terremoto de “Simone Moreno”. Aproveitei e fiz uma entrevista na qual ela fala desde os tempos dos Novos Bárbaros até os dias atuais no distante país nórdico europeu.


CORREIO: Você soube que a Terra tremeu na Bahia este ano?

SIMONE MORENO - Sim, eu li nas redes sociais essa estranha notícia no domingo à noite. No começo eu pensei que fosse brincadeira. Mas a Terra tremeu de verdade na Bahia, deve ter sido assustador para os baianos. Mas teve uma coisa divertida nesse acontecimento, meus amigos e fãs começaram a brincar com a canção do bloco afro Muzenza ”A Terra tremeu”, que eu gravei em 1988 e ainda estão dizendo que a culpa é minha e que eles vão chamar o terremoto de Simone Moreno. Rsrsrs..

       Simone Moreno e sua banda sueca (Miki Anagrius/Divulgação)


CORREIO: Você imaginou que um dia a terra ia tremer por aqui?

SIMONE MORENO - Mas a verdade é que a terra já tinha tremido comigo no Carnaval! Rsrs.. Brincadeiras à parte, não eu nunca pensei que esse fenômeno um dia podia acontecer na Bahia. Eu espero que as famílias que perderam suas coisas por causa desse terremoto, consigam ajuda de algum modo.

CORREIO: Por causa desse tremor muita gente lembrou da gravação da música A Terra tremeu feita por você com a Banda Novos Bárbaros. Que lembranças você tem dessa gravação e desse sucesso que foi na época?

SIMONE MORENO - A Terra tremeu, composição de Sacramento, foi uma das canções mais tocadas no Carnaval de 1988. Lembro da Praça Castro Alves lotada, num sábado de Carnaval quando eu chegava com o trio Novos Bárbaros e uma multidão cantava A Terra tremeu comigo, inesquecível. Sempre houve essa troca de amor e alegria com meu público e eu sentia um prazer imenso em reverberar a mensagem do Muzenza. Foi com A Terra tremeu que a minha trajetória profissional de cantora realmente começou, depois eu comecei a fazer divulgação no eixo Rio e São Paulo.

CORREIO - Ha quanto tempo você está morando na Suécia e como é sua vida profissional e pessoal por aí?

SIMONE MORENO - Estou morando na Suécia  há 18 anos, mudei pra cá por amor e não me arrependo, me apaixonei pelo pai do meu filho Rufus que hoje está com 12 anos. Nós não somos mais um par mas continuamos a fazer música juntos.

Minha vida profissional continua e muito bem. Sem a música não consigo respirar direito. Esses 18 anos tem sido muito enriquecedores na minha vida pessoal e artística. Quando cheguei aqui ninguém me conhecia mas os tempos da internet já tinham começado então não foi difícil ter acesso e conhecer o meu trabalho do Brasil e a minha história. Tenho uma banda maravilhosa que já me acompanha desde o começo do trabalho aqui, com músicos competentes e sensíveis que amam a nossa música e cultura.

Já lancei dois CDs aqui e estou acabando de gravar o terceiro que será lançado em outubro no outono daqui. Eu tenho conseguido construir um público fiel e a imprensa sempre se refere a mim como, a rainha do samba. Eu estou muito feliz e orgulhosa de representar a minha cultura na Suécia e na Europa. Levando a nossa música suingada para alegrar e esquentar corações pelo mundo à fora.

Ao longo desses dezoito anos que vivo aqui, eu recebi convites de produtores e DJs para produzir música juntos e misturar o samba-reggae com ritmos eletrônicos, como por exemplo a house. O resultado é muito suingue afro com abatida da house. Então, aqui eu posso me dar o direito de voar e experienciar novos estilos sem limites e isso é muito divertido. Eu canto em clubes de house e tenho esse trabalho paralelo na Suécia e na Estônia. É a música brasileira atravessando os oceanos.


CORREIO:  Como está sua ligação com a Bahia?

SIMONE MORENO - A minha ligação com a Bahia sempre foi de amor, desde o meu nascimento e eu sempre vou amar minha terra e reverenciar as minhas raízes. Na Bahia eu tive o prazer de experienciar produtores e músicos muito profissionais, compositores maravilhosos. Acho que fiz um trabalho muito bom e marcante na Bahia com o Novos Bárbaros.

Eu estou feliz e orgulhosa de representar a minha cultura na Europa. Mas na verdade eu nunca me senti tão livre pra fazer música como durante esses anos na Suécia. Aqui eu não sinto a pressão de fazer uma música pra tocar no rádio, por exemplo. Quando mudei para a Suécia, eu me sentia como uma refugiada da música. Exatamente por causa dessa sensação de liberdade de compôr que eu sinto. A saudade que eu sinto da Bahia tem me dado muita inspiração também.

Martin Luther King já dizia: ”Eu tenho um sonho!” Eu posso dizer também que eu tenho um, o grande sonho de retornar para o meu querido público da Bahia e do Brasil. O carinho e respeito verdadeiros que eu recebo dos meus fãs pelas redes sociais todos os dias, é impagável e cantar na minha terra e poder abraçar esse público de novo vai ser uma realidade maravilhosa!

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