Povo de santo se une e realiza atos de combate à intolerância religiosa

salvador
21.01.2019, 13:44:00
Atualizado: 21.01.2019, 17:07:46
Manifestação na Pedra do Xangô, em Cajazeiras X (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO )

Povo de santo se une e realiza atos de combate à intolerância religiosa

Lagoa do Abaeté e Pedra de Xangô foram os palcos escolhidos

Os terreiros de candomblé realizaram nesta segunda-feira (21) diversos atos para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado nesta data, em todo o país. Em Salvador, o som dos atabaques foi ouvido também na Lagoa do Abaeté e na Pedra de Xangô, locais sagrado para o povo de santo, em Itapuã e Cajazeiras X.

Há 19 anos, um grupo de pessoas invadiu o terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, em Itapuã, e depredou o templo. Dois meses depois, a yalorixá responsável pela casa, Mãe Gilda dos Santos, passou mal ao ver uma reportagem que a chamava de macumbeira e charlatã. Era 21 de janeiro de 2000. Sete anos depois, uma lei tornou a morte dela símbolo da resistência e Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Os pais e filhos de santo chegaram cedo à Pedra de Xangô. Vestidos de branco, eles levaram flores brancas para depositar no templo, no mesmo local onde, em dezembro de 2018, um grupo de pessoas lançou mais de 100 kg de sal como agressão às religiões de matriz africana.

Mãe Iara de Oxum durante ato na Pedra de Xangô (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

A representante da Associação Pássaros das Águas e que cuida da preservação do local, Mãe Iara de Oxum, afirmou que, além de ofender os religiosos do candomblé, o ato prejudicou a natureza. Ela acredita que a melhor forma de enfrentar o preconceito é conhecer a religião e ensinar às crianças o respeito por todos os tipos de credo.  

“Nossa religião é feita basicamente do meio ambiente, das pedras, das águas e das matas. Sem água, não há axé; sem folhas, não há axé; sem altar, não há axé; sem amor, não há axé. A gente precisa se amar mais. Respeitamos os evangélicos e a igreja católica, não saímos panfletando nas ruas, chamando as pessoas para a nossa religião, porque o livre arbítrio e o respeito são fundamentais. É disso que precisamos”, afirmou.

A celebração começou com a formação de uma roda, onde os cânticos e danças tradicionais do candomblé tomaram forma. Depois, representantes de terreiros e autoridades públicas falaram sobre a importância da data e da luta contra a intolerância religiosa.

Denúncias 
A titular da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, contou que o Centro de Referência Nelson Mandela registrou 47 casos de intolerância e outros 84 de racismo em 2018. Foi o maior número de ocorrências desde que o órgão foi criado, em 2013. Este ano já são quatro casos registrados de agressões por conta de religião.

“São 488 casos (desde 2013), sendo 155 de intolerância religiosa e 276 de racismo, além de 57 casos correlatos. A divulgação do Centro de Referência e as campanhas têm estimulado as denúncias, mas a gente entende que ainda há uma subnotificação, portanto, é importante as pessoas denunciarem. É a partir desses números que a gente aprimora os instrumentos de acompanhamento e assessoramento”, afirma a secretária.

Pedra de Xangô foi alvo de vandalismo em dezembro (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

A filha de Mãe Gilda, Mãe Jaciara Ribeiro, participou da cerimônia na Pedra de Xangô. O ato foi encerrado com o depósito das flores no altar, uma corrente de mãos dadas e pedidos de paz. Fogos de artificio chamaram a atenção para o evento.

Às 15h, haverá uma celebração também no terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare, a Casa do Mensageiro, em Barra do Pojuca, na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador. O templo foi invadido por homens armados no começo do mês, durante uma cerimônia religiosa. Os bandidos agrediram e roubaram os religiosos.

Mãe Iris acredita que a data é uma referência de luta (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

Com 20 anos de axé, a Mãe Iris de Iemanjá, 70 anos, contou que são muitos os casos de intolerância, mas que poucos são noticiados. Ela acredita que o povo brasileiro está mais preconceituoso e pediu paz.

“Por isso, datas como essa são tão importantes. É um dia de luta para a gente. Hoje, estou representando minha Mãe Maria José, do terreiro Ilê Axé Oyá Deji, da Base Naval, que não pôde vir por problemas de saúde, mas gostaria muito de estar presente. Estamos todos unidos em prol do bem”, afirmou.

Como denunciar
As denúncias de intolerância e racismo devem ser registradas nas delegacias, com essas denominações, e podem ser informadas também ao Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, na Avenida Sete de Setembro.

O atendimento também é realizado através do telefone (71) 3117-7448, no site da Sepromi ou presencialmente, das 8h às 12h e das 14h às 18h. O centro oferece orientação jurídica, atendimento psicológico e encaminha as vítimas para os órgãos competentes. Tudo de forma gratuita.


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