Prefeitura diz que metrô não pode ter tarifa mais cara do que a de ônibus

salvador
14.09.2014, 08:15:00
Atualizado: 14.09.2014, 08:23:51

Prefeitura diz que metrô não pode ter tarifa mais cara do que a de ônibus

"Nós estamos falando de um metrô de 5 km que vai custar quase R$ 4. A população não pode pagar esse preço", diz Fábio Mota

No que depender da prefeitura, quem utilizar o metrô de Salvador a partir do início da operação comercial, anunciada pelo governo para o dia 31 de outubro, não vai pagar mais do que R$ 2,80, o valor de uma tarifa de ônibus.

De acordo com o secretário municipal de Urbanismo e Transporte (Semut), Fábio Mota, a prefeitura já fez o estudo de integração com o Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus (STCO) e,somente quando tiver certeza de que a população não vai desembolsar R$ 3,90 por um trecho de pouco mais de seis quilômetros, vai implementar esse projeto.

“A prefeitura quer que o povo seja beneficiado. E nós estamos falando de um metrô de cinco quilômetros que vai custar quase R$ 4. A população não pode pagar esse preço”, disparou.

No dia 31 de outubro, o governo do estado pretende iniciar a cobrança do metrô que passa pela Avenida Bonocô. Prefeitura só aceita fazer integração se tarifa custar até R$ 2,80. Foto: Almiro Lopes/Arquivo CORREIO

Um dos pontos do impasse atual entre os governos do estado e município está na integração entre os meios de transporte. Para o subsecretário da Semut, Orlando Santos, a integração que está sendo planejada vai trazer prejuízos à população.


“O usuário vai ter que pegar um ônibus, parar em uma estação e vai ser obrigado a pegar o metrô para ir para outra estação, e lá pegar outro ônibus se for preciso para chegar ao seu destino, disse Orlando. “A prefeitura não vai admitir que quem paga R$ 2,80, e pega dois ônibus com o Bilhete Único, fique obrigado a pagar R$ 3,90 para agradar os empresários que exploram o metrô”.

‘Teto’
O secretário de Desenvolvimento Urbano do estado, Manuel Ribeiro, não confirma que a tarifa de R$ 3,90 e o plano de integração já estejam estabelecidos. “Esse valor é um teto de uma tarifa para 40 quilômetros de metrô”, afirmou. Ele disse que o valor poderá ficar abaixo do teto admitindo a possibilidade do valor ficar em R$ 2,80. “Depende da minha demanda, de que tipo de integração a gente vai conseguir fazer com a prefeitura. Falamos ontem exaustivamente sobre isso, acho que agora já é hora de sentarmos em uma mesa de negociação”, argumentou.

Como alternativa, Ribeiro disse que pode criar um sistema auxiliar de alimentação do metrô com ônibus administrados pelo estado. “Mas essa é uma medida extrema, e não é de nosso interesse. Eu sou favorável a uma negociação para atender à demanda do metrô. Porque é um absurdo se investir como se investiu para ter um metrô ocioso”, disse.

A estação do Campo da Pólvora é uma das seis que o metrô de Salvador possui. Governo promete mais. Foto: Arquivo CORREIO 


Segundo Fábio Mota, a prefeitura já fez o estudo necessário para a criação do plano de ação de integração dos modais. Mas ainda não obteve informações do governo sobre as demandas necessárias para o metrô. “Até hoje, o estado não nos mostrou quantas pessoas comporta em cada estação para sabermos quantas linhas serão necessárias”.

Para Orlando Santos, a integração precisa ser dimensionada para ver se as estações comportam o número de ônibus necessário para atender a população. “Não adianta a gente imaginar que vai cortar ônibus no Retiro, porque a estação pode não ter a capacidade para receber esse número de veículos”, explicou.

Entrave
O preço da tarifa é o maior entrave. A prefeitura está irredutível quanto ao valor de R$ 2,80. Orlando Santos explica que não há a possibilidade de extinguir linhas de ônibus para que as pessoas paguem um valor mais alto para usar outro meio de transporte.

“Não vamos cortar as linhas que passam no metrô, de forma a obrigar o usuário a usar o metrô se ele continuar caro. Vamos manter a linha e o usuário escolhe se vai querer descer e ir para o metrô ou continuar no ônibus até o seu destino final”.

Para não encarecer demais a tarifa, Manuel Ribeiro admite que governo pode usar subsídios. “Eles (a prefeitura) já estão supondo que eu vou pedir a integração fechada, e também estão supondo o valor da tarifa. Existe a possibilidade de R$ 2,80, só que a prefeitura tem que lembrar que esse preço da passagem de ônibus é até 31 de dezembro, porque depois deve aumentar para mais de R$ 3”, disparou.

Empresa ainda tem uma série de pendências legais
Outro problema que assombra o metrô de Salvador são as pendências da CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pela construção e operação do modal, com a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município. Segundo Orlando Santos da Semut, a CCR ainda não sanou uma série de pendências legais que impedem a liberação das estações. “Se a prefeitura quisesse prejudicar o funcionamento do metrô, a gente embargava todas as estações, mas estamos sendo pacientes porque não queremos prejudicar o metrô”, afirma.

O secretário de Desenvolvimento Urbano do estado, Manuel Ribeiro, diz que a concessionária entregou tudo o que era necessário para a emissão dos alvarás e do habite-se da estação, mas não obteve sucesso. “É só olhar as estações que estão com o alvará de funcionamento. Se existe alguma coisa lá, é uma exigência demasiada. A concessionária entregou tudo que foi pedido, mas por algum mistério ainda não conseguiu nada”, ironizou.

De acordo com Silvio de Souza Pinheiro, superintendente da Sucom, ao todo a CCR tem 15 processos com complexidades diversas. “Tem desde termos de conclusão de obra, que equivale ao habite-se, até estações que precisam de um documento final da prefeitura dizendo que estão aptas a funcionar”, explicou. Ele ainda esclareceu que quando as pendências são apresentadas, a concessionária tem até 20 dias para apresentar a solução para os problemas apontados, mas não soube informar se o prazo dos 15 processos já expiraram.

A CCR Metrô Bahia foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento dessa edição.



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