Presidente do Valencia condena racismo: 'Não deve ser tolerado'

esportes
05.04.2021, 16:00:00
Em treino nesta segunda-feira (5), elenco do Valencia fez um ato em apoio a Diakhaby (Foto: Valencia CF/Divulgação)

Presidente do Valencia condena racismo: 'Não deve ser tolerado'

Dirigente saiu em defesa do zagueiro Diakhaby, que abandonou duelo contra o Cádiz alegando ter sido alvo de ofensa racista

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O presidente do Valencia, Anil Murthy, demonstrou apoio ao francês Diakhaby, vítima de supostas ofensas racistas no duelo com o Cádiz, em jogo do Campeonato Espanhol, no domingo (4), e promete ir às últimas consequências para que Juan Cala seja punido por ter supostamente chamado seu jogador de "negro de merda". Ele cobra as autoridades que tomem medidas drásticas no combate à discriminação racial pelo bem do futebol.

"Ontem (domingo, 4), no nosso jogo contra o Cádiz, assistimos a um flagrante incidente de racismo. Não há outra maneira de descrevê-lo. Nosso jogador, Mouctar Diakhaby, foi alvo de um insulto racial extremamente grave de Juan Cala", protestou Anil Murthy. "Embora Cala possa negar, todos nós somos capazes de reconhecer um olhar de culpa e acreditamos em Mouctar completamente", enfatizou.

"Este tipo de comportamento não deve ser tolerado no futebol e na sociedade em geral, e nós, do Valencia, condenamos qualquer forma de racismo e apoiamos totalmente o nosso jogador".

Cala vai se pronunciar oficialmente nesta terça-feira (6), mas disse após o jogo que "não vai se esconder" e que deve ser absolvido. "Aparentemente, a presunção da inocência não existe nesse país", disse o defensor do Cádiz, se dizendo vítima de uma acusação injusta.

O Valencia não acredita nas palavras de Cala e vai buscar uma punição na Justiça. "Não deve haver dúvidas de que o Valencia vai defender Diakhaby ao máximo e lutar para garantir que eventos tão lamentáveis não se repitam", disse o presidente, revelando já ter conversado com a liga que organiza o Campeonato Espanhol sobre o ocorrido e exigindo uma completa investigação.

"Falamos com LaLiga esta manhã para encorajá-los a também levar a investigação até o fim. Este incidente não pode ser deixado para trás e não pode ser repetido com nenhum outro jogador de nenhuma outra equipe", observou.

"Estamos tristes porque, após o incidente, não houve reação para interromper o jogo e que foram os nossos jogadores que saíram do campo. Não pode haver falta de ação diante desses tipos de situações".

Anil Murthy cobrou seriedade das autoridades do futebol espanhol para que sirvam de exemplo ao mundo da bola. "A partir de agora, gostaríamos de ver algum tipo de reação para mudar esses protocolos, a fim de proteger aqueles que estão vulneráveis. Se não mudarmos isso, será um mau exemplo para todos", exigiu.

"Isso deve mudar. Mudanças foram feitas em outras ligas, e agora o mesmo deve ser feito na Espanha. Não podemos fechar os olhos a algo tão sério como o racismo", seguiu, indignado de o Valencia ser obrigado a retornar a campo. "É hora de mudar e o Valencia irá dar o seu contributo ao nosso jogador e à luta contra o racismo. Um passo atrás na luta contra o racismo foi dado ontem".

Entenda o caso
O Cádiz recebeu o Valencia em casa pelo Campeonato Espanhol e, aos 29 minutos de jogo, um desentendimento entre dois atletas gerou uma intensa discussão no gramado. Defensor do time visitante, o francês Mouctar Diakhaby alegou ter sido alvo de ofensa racista vinda de um adversário. A equipe de Valência chegou a se retirar de campo, mas cerca de 10 minutos depois voltou ao gramado já sem a presença de Diakhaby.

Logo no início da discussão, o zagueiro chegou a reclamar ao árbitro sobre o incidente. Porém pouco depois ele resolveu deixar o gramado. Os demais companheiros do Valencia o acompanharam na decisão. A partida ficou paralisada por alguns minutos e depois foi reiniciada sem a presença do francês. Durante a interrupção, o Valencia substituiu o zagueiro e o reserva Hugo Guillamon entrou em seu lugar.

A página oficial do Valencia nas redes sociais se posicionou contra o episódio. No Twitter, o clube espanhol afirmou que a decisão de o time voltar a campo teve início após um pedido feito pelo próprio francês.

"O jogador, que recebeu um insulto racista, pediu aos seus companheiros que voltassem a campo para lutar", explicou o clube. "A equipe se reuniu e decidiu voltar para lutar pelo nosso escudo, mas reafirma que condena o racismo de todas as formas", acrescentou.

Diakhaby acusa o zagueiro Juan Cala de ter sido o autor da ofensa racista. Durante a discussão entre os dois, o árbitro espanhol David Jimenez chegou a mostrar o cartão amarelo ao jogador do Valencia. Nas redes sociais, o Cádiz não chegou a comentar o episódio e apenas relatou que o time adversário havia abandonado o gramado, sem mencionar mais detalhes sobre a causa da decisão.

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