Projeto registra musicalidade tradicional de origem afro-baiana

entretenimento
05.06.2019, 10:00:00
Marujada do Divino Espírito Santo de Paratininga (Samuel Macedo/divulgacao)

Projeto registra musicalidade tradicional de origem afro-baiana

Produzido pelo músico Betão Aguiar, coleção registra universo sonoro do candomblé, da capoeira e das marujadas

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Muito se conhece sobre a música baiana, mas pouco se sabe sobre de onde vêm as influências que faz o estado ser um grande palco de ritmos que se misturam e criam o que a gente ouve no dia a dia.

Com o intuito de chegar à raiz de importantes fontes  da musicalidade afro-baiana, o  músico e pesquisador   Betão Aguiar mergulhou no universo do candomblé, da capoeira e das cheganças, através do  projeto Mestres Navegantes.

Durante um ano e meio, Betão, a capoeirista e diretora de cinema Gabriela  Barreto e o contramestre Rosildo do Rosário    se dividiram entre terreiros de candomblé, rodas de capoeira e grupos das cheganças para entender a essência da  musicalidade baiana. O projeto conta ainda com as pesquisas do antropólogo e etnomusicólogo francês Xavier Vatin, ex-diretor da UFRB. 

cds
A música do candomblé está presente através de terreiros como o Ilê Kaio Alaketu, de Mãe Preta (Foto: Samuel Macedo/divulgação) 

O trabalho resultou numa coleção com  sete CDs, que já estão  disponíveis a partir de hoje, gratuitamente,  na plataforma digital SoundCloud.
O projeto  começou  em 2008 e teve sua primeira edição oficial em 2011, abordando a musicalidade da região de São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo. Depois  passou pelo Cariri, no sertão do Ceará, pela Ilha do Marajó, no Pará,  e chegou à Bahia, onde está na segunda edição.  

 Betão Aguiar conta que  sempre quis  trazer o Mestres Navegantes para a Bahia, muito por conta da sua relação com o estado. Ele  é filho do cantor e músico Paulinho Boca de Cantor e já trabalhou com Carlinhos Brown, Caetano Veloso e Baby do Brasil. “Sempre tive vontade de levar o projeto para Bahia”, eitera Betão.

Na primeira coletânea baiana, o projeto foi focado nos sambas de rodas e sambas rurais do Recôncavo. Desta vez,   está dividido em três   discos de candomblé, dois de  capoeira e dois de  chegança.

Foram 16 comunidades religiosas e mestres representantes da diversidade musical baiana, cada um mostrando a sua essência da forma mais natural possível. “Uma honra conhecer essa Bahia de perto”, afirma  Betão.
 
As gravações foram feitas nos locais onde os grupos geralmente se reúnem. Enquanto um gravava, o outro assistia e outro ensaiava. Levar todos para um estúdio perderia o “quente” da apresentação e para o músico e pesquisador, o projeto é para causar um sentimento sensorial. “Todo o projeto é pensado para causar um sentimento sensorial nas pessoas”, destaca.  

 Os discos ficam disponibilizados no SoundCloud e é uma forma de levar a cultura baiana e brasileira   para o mundo. No total, todos os discos produzidos  já somam  mais de 150 mil plays de diferentes países.  O conteúdo está disponível também para download.

Além dos discos, serão lançados dois minidocs em homenagem aos mestres BuleBule e Dona Cadu, nomes que estavam presentes na primeira coletânea baiana. O Mestres Navegantes - Bahia Volume 2 tem patrocínio da Natura e FazCultura.

*Com orientação da editora Ana Cristina Pereira

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