Projeto vai reformar os arcos da Ladeira da Conceição; veja como vai ficar

salvador
25.12.2014, 09:32:00
Atualizado: 25.12.2014, 10:12:41

Projeto vai reformar os arcos da Ladeira da Conceição; veja como vai ficar

Projeto de requalificação dos Arcos da Montanha, na Ladeira da Conceição, prevê reforma de fachada e interiores

Marca registrada da Ladeira da Conceição desde o século XIX, os Arcos da Montanha vão passar por uma requalificação total, em breve. O projeto, desenvolvido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional (Iphan), foi finalizado na semana passada.  

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Construídos na segunda metade do século XIX, arcos da Ladeira da Conceição sofreram mudanças ao longo do tempo e precisam de reforma. A última foi em 1991 (Foto: Reprodução/Iphan)

“Os arcos foram feitos com a melhor tecnologia da época, mas estão em um estado absurdo de degradação. Essa é uma obra que beneficia não apenas a sociedade, mas diretamente as pessoas que estão ali, porque vai trazer mais segurança e qualidade de vida e de trabalho”, explica o superintendente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim. 

O prazo para que a requalificação dos arcos seja concluída é de 12 meses. No entanto, não há uma previsão de quando as intervenções devem começar, já que o início espera acordo da prefeitura com os ocupantes dos arcos (veja abaixo), segundo o superintendente.

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Projeto do Iphan prevê modernização tanto das fachadas como dos espaços internos dos imóveis, que terão novas instalações. Ideia é modernizar o espaço (Foto: Reprodução/Iphan)

Enquanto isso não for definido,  a licitação para escolher a empresa que fará a reforma não pode ser lançada. “Estamos aguardando esse acordo, porque os ocupantes tradicionais precisam sair provisoriamente e retornar depois, porque é impossível fazer essa obra por etapas. Isso tornaria o custo extremamente elevado, então precisamos  fazer todos os serviços de cada tipo de uma só vez”, explicou Amorim.

“Eles (os arcos) estão  interligados de alguma forma, por isso, se mexer em um só, pode ter consequências para todos os outros”, complementou. A reforma faz parte da recuperação do frontispício de Salvador e deve custar R$ 3,5 milhões, com recursos do PAC Cidades Históricas, programa do governo federal.

Projeto prevê instalação de escadas novas dentro de alguns arcos
(Foto: Reprodução/Iphan)

Conceito

Dos 17 arcos existentes, dois são fechados e nunca foram ocupados (os dois à esquerda, nas imagens ao lado). Eles devem continuar assim, mas a estrutura deve ser recuperada, especialmente com sustentação e conserto de eventuais rachaduras e fissuras.

Já os outros 15 arcos — que estão ocupados — terão toda a parte elétrica, hidráulica e sanitária reformada (só para dar uma ideia, hoje, a maioria dos arcos tem instalações improvisadas, feitas pelos próprios ocupantes). Além disso, a estrutura também vai mudar: os imóveis vão ganhar mezaninos, cozinhas, escadas, bem como áreas comerciais e industriais.

Arcos mais altos poderão receber até mezaninos durante a reforma
(Foto: Reprodução/Iphan)

“É um projeto de restauro. Reconstruímos cada escada, andar onde puder ter, e a parte de se trabalhar propriamente dita”, afirmou Carlos Amorim. Existe um padrão para todos os arcos, segundo o coordenador do PAC Cidades Históricas na Bahia, Mário Vitor Bastos. “Claro que cada projeto é único, mas dentro do mesmo conceito, a fim de melhorar a situação lá”, disse.

Logo após os dois arcos fechados, vêm outros quatro imóveis que passarão pelas mudanças mais radicais. Esses arcos, segundo o superintendente do Iphan, foram descaracterizados ao longo dos anos. Por isso, vão ganhar uma fachada diferente dos outros.

“Estamos propondo uma recomposição da leitura original, mas com uma linguagem contemporânea. Vamos fazer sacadas, varandas e refazer escadarias. A escada de um deles (o Arco 26), inclusive, já até desabou”, conta Amorim.

A marmoraria que fica logo embaixo dos arcos finais também será reformada. Enquanto isso, a casa (um imóvel verde que pode ser visto nas fotos atuais) que fica ao lado deve deixar de existir. “A marmoraria vai ficar na parte moderna e a pessoa que vive na casa poderá voltar para um arco recuperado, salubre, com condições de ser habitado”, explicou o superintendente.

Ideia é unir  função original, de sustentação, com traço e uso modernos
(Foto: Reprodução/Iphan)

Usos

Se tem uma coisa que o Iphan garante é que o uso original dos arcos - a sustentação da Ladeira da Montanha - não vai mudar. Além disso, ainda que os 15 arcos ganhem um ar mais moderno, a tradição também deve ser preservada.

“A proposta é unir a feição original com o contemporâneo. Os arcos vão ficar num estado espetacular”, garante o superintendente do Iphan. Logo que os arcos foram criados, há quase 150 anos, eles sequer serviam para ocupação.

Porém, isso mudou ao longo dos anos. Hoje, alguns dos comerciantes que ocupam os imóveis dizem que suas famílias já estão ali há quase 100 anos. 

Comerciantes que ocupam arcos querem garantia de que retornarão

Entre os comerciantes que ocupam os Arcos da Montanha, a preocupação é uma só: a saída, que é uma das condições para o início das obras de requalificação. O serralheiro José dos Santos, 57 anos, do Arco nº 6, tem medo de que, após o período das obras, os comerciantes não possam retornar ao seu local de trabalho.

Ocupantes aprovam reforma do local, mas temem não poder voltar
(Foto: Almiro Lopes)

“Se alguém garante que vamos voltar, eles precisam documentar isso para provar que a gente volta. De boca, não adianta”, diz. Por conta disso, alguns sugerem que a saída dos trabalhadores seja feita por etapas.

“Os arcos estão precisando. Nos últimos anos, ninguém nunca nem deu uma tinta. Se eles ainda estão de pé, é porque nós conservamos bem. Então, tem que fazer a reforma, mas se sairmos todos daqui, acho que ninguém deixa voltar”, lamenta a marmorista Simone Venâncio, 34, que fica no Arco nº 12.

Além disso, os comerciantes reivindicam que, durante as obras, sejam realocados para locais onde possam trabalhar. “Se tivesse um galpão, outro lugar para ir, tudo bem. Mas sair assim não é viável, porque não temos segurança”, afirma o serralheiro Jorge Luís, 40, do Arco 16.

Através da assessoria, a prefeitura — que é  responsável pelo despejo e  realocação dos moradores — informou que não há nenhuma decisão tomada sobre o assunto.


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