Próxima novela das seis tem Dom Pedro II no centro da trama

entretenimento
27.07.2021, 06:00:00
Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes), Dom Pedro II (Selton Mello); Teresa Cristina (Letícia Sabatella) e Tonico (Alexandre Nero) (Fotos: João Miguel Júnior/Globo)

Próxima novela das seis tem Dom Pedro II no centro da trama

Selton Mello interpreta o rei em Nos Tempos do Imperador

Elenco, diretor e criadores da próxima novela das seis, Nos Tempos do Imperador, participaram nesta segunda-feira (26) de um bate-papo com a imprensa. Nos Tempos do Imperador é criada e escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão e tem direção artística de Vinícius Coimbra. O trio trabalhou junto em Novo Mundo, que foi exibida em 2017 e mostra o reinado de Dom Pedro I.

"Logo que acabou Novo Mundo, a Globo nos pediu uma continuação", disse Thereza Falcão.

Enquanto Novo Tempo tinha como mote a história de Dom Pedro I (Caio Castro), Nos Tempos do Imperador tem Dom Pedro II, interpretado por Selton Mello, como protagonista. Será a primeira novela inédita da Globo desde que a pandemia chegou ao Brasil, em março de 2020. 
Além de Selton Mello, estão no elenco Mariana Ximenes, Letícia Sabatella, Alexandre Nero, Gabriela Medvedovski, José Dumont, Roberto Bonfim, entre outros.

"Dom Pedro II era muito querido e a gente escolheu destacar a relação dele com ensino, cultura, patrocínio à ciência. Estamos carentes de um líder que pense no Brasil", pontua Thereza Falcão.

Alexandre Nero dá vida ao vilão Tonico, que pretende se candidatar a deputado na Bahia e que representa o pior lado possível dos brasileiros.

"O Tonico é um personagem ficcional, mas é assustadoramente real. Não tenho como defender de forma alguma. Ele é a personificação do mal. Não adianta olhar só pra fora, ele também está em cada um de nós. Nós fomos criados dessa forma. O país é racista, escravocrata. Ele fala coisas absurdas", disse Alexandre Nero

Selton Mello retorna a uma novela depois de 21 anos. A última que ele fez havia sido A Força de um Desejo, de 1999. Nas últimas duas décadas, o ator se dedicou mais ao cinema, quando atuou em filmes como Lavoura Arcaica e O Cheiro do Ralo. Selton também fez sua estreia na direção, no longa-metragem Feliz Natal (2008). Na TV, atuou em séries como Os Maias e A Cura.

Selton observou que Dom Pedro assumiu o reinado ainda adolescente, aos 14 anos. O ator estreou na TV aos nove anos de idade, na Bandeirantes: "Eu também comecei criança e de alguma forma, me identifico com esse cara [D. Pedro I]. Admiro muito quem faz muita novela. É insano o trabalho. 30 cenas por dia. Isso é muito bom. É a minha escola, foi onde eu comecei. Estou voltando pra esse lugar. Me agrada bastante essa maratona".

Mariana Ximenes interpreta a Condessa de Barral, por quem o Imperador se apaixona, mesmo sendo casado com Teresa Cristina (Letícia Sabataella). A Condessa é contratada pelo rei para ser a preceptora de suas filhas. “A Condessa é uma personagem que representa essa mulher contemporânea”, conta ela. A atriz leu o livro Condessa de Barral, a Paixão do Imperador, de Mary del Priore, para encontrar referências para sua interpretação.
Na novela, a jovem Pilar (Gabriela Medvedovski) enfrenta, desde pequena, o peso de ser uma mulher do século XIX e tenta convencer o pai Eudoro (José Dumont), fazendeiro e coronel da Bahia, a deixá-la estudar. 

Mas Eudoro promete casar a filha com Tonico. A possibilidade de um casamento sem amor faz com que Pilar decida fugir, pois seu maior sonho é ser médica. Para trás, ela deixa sua irmã Dolores (Julia Freitas/Daphne Bozaski). No meio da fuga, ela conhece outro fugitivo: o escravizado Jorge/Samuel (Michel Gomes), um homem corajoso e honesto, que acredita na integração entre negros e brancos, luta para se tornar livre, como a maioria dos negros que vive na mesma situação. O casal vai lutar por seus sonhos, movidos pela paixão que nutrem um pelo outro, mas também desejam fazer a diferença na vida das pessoas. Ela deseja se tornar médica. Ele quer mudar a sociedade. 

Dani Ornellas interpreta Cândida, que vive em uma área conhecida como Pequena África, reduto de negros livres e fugitivos que precisam de proteção. Cândida é a líder espiritual do local.

“Estou impactada com o clipe. Minha mãe era professora de história e ela dizia coisas que não estavam escritas nos livros, como Tereza de Benguela. Onde estão essas histórias que cresci ouvindo?", questionou durante a entrevista, depois de assistir a um clipe que resumia a novela.

Segundo Thereza Falcão, Nos Tempos do Imperador vai mostrar os negros de uma maneira diferente daquela a que pessoas se acostumaram a ver nas novelas: “A gente queria muito, muito, muito trazer personagens negros que não fossem a ideia das personagens escravizados, como costumamos ver. A gente conseguiu chegar a um lugar diferente, porque vamos ver personagens negros, complexos, livres e fazendo sua procura pela abolição, para lembrarmos que a abolição não é resultado de uma canetada”.
 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas