Próximo de vencer prazo para desocupação, Cepe teme encerrar as atividades

esportes
20.11.2021, 06:00:00
Cepe ocupa grande terreno no bairro de Stella Maris há 34 anos (Divulgação)

Próximo de vencer prazo para desocupação, Cepe teme encerrar as atividades

Clube tem influência na formação de atletas em Salvador, além de promover integração através do esporte; Petrobras pediu o terreno

Um dos principais espaços para desenvolvimento de atletas em Salvador, o Clube dos Empregados da Petrobras (Cepe), que fica no bairro de Stella Maris, vive um momento de incerteza quanto à continuidade do seu funcionamento.

Na última terça-feira (16), aconteceu a segunda reunião entre a direção do Cepe e representantes da Petrobras para tratar sobre a solicitação de desocupação emitida pela estatal em 22 de julho, que não demonstra interesse em continuar com o espaço existente há 34 anos no bairro.

A piscina olímpica, os campos de futebol ou a quadra de basquete que se tornaram a casa de talentos do esporte baiano também são afetados e ficam sem expectativa de uso. O presidente do Cepe, Dejair Santana, relata que essa foi uma notícia inesperada por parte da direção, associados e esportistas do clube. 

"Ficamos muito surpresos com esse aviso. Principalmente porque estávamos retomando nossas atividades após esse período de pandemia, já que, até então, tínhamos aberto apenas uma ou duas vezes o clube. E logo depois quando abrimos de vez recebemos essa notícia”, descreve.

O espaço do Cepe abriga diversas práticas esportivas para atletas e associados (Fotos: Divulgação/Cepe)

Em paralelo à luta pela permanência do terreno, o Cepe mantém a tradição de fornecer fortes nomes em esportes olímpicos. Atualmente, o principal é o nadador Guilherme Caribé, de 18 anos, medalha de ouro e recordista juvenil dos 50m livre no Sul-Americano, disputado no Peru neste mês.

Em entrevista exclusiva, Caribé comentou sobre a perda que o fechamento do Cepe representa para os atletas. “Foi o local onde eu fui criado, lapidado como nadador. É difícil não interferir na nossa rotina, porque é perto da minha casa, tenho a facilidade de ir para lá treinar. Fomos pegos de surpresa e estamos vendo o que conseguimos fazer”, relatou.

No total, entre espaços de lazer e para prática de esportes, são cinco piscinas, quatro campos de futebol, duas quadras poliesportivas, quadra de tênis e arena de vôlei de praia. 

O iminente fechamento do clube mobilizou parte da comunidade esportiva, como o também nadador Allan do Carmo, de duas participações olímpicas no currículo (em Pequim-2008 e Rio-2016) e que teve o local como sua primeira casa dentro do esporte. “O Cepe tem uma importância para o bairro de Stella Maris e regiões próximas, muita gente vai perder qualidade de vida com a saída do Cepe”, analisou.

O nadador Allan do Carmo é uma das figuras do esporte que apoiam a manutenção do Cepe (Foto: Sátiro Sodré)

Esse também é um ponto levantado pelo presidente Dejair Santana. Ele lembra que são mais de 5 mil associados, milhares de familiares beneficiados com o espaço, além de cerca de 200 empregos diretos e indiretos gerados.

Para ele, o fechamento da unidade é “jogar por água abaixo” o trabalho dos atletas. “Não há uma contrapartida deles [Petrobras], não há encaminhamento para outros clubes ou em manter vínculo com esses atletas. Além disso, lá é um espaço social de interação, temos associados mais idosos em depressão por conta dessa situação”, afirmou.

Procurada pela reportagem, a Petrobras declarou que ainda não tem um posicionamento sobre a situação.

Conversas de longa data

A situação incômoda vivida pelos associados começou em julho, quando a direção do clube recebeu a informação de que a Petrobras pedia a entrega do terreno em um prazo de até 120 dias.

Dois meses após o primeiro comunicado, em 24 de setembro, um representante do Cepe esteve com o chefe de gabinete do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, no primeiro contato para tratar da manutenção da unidade de Salvador.

Após aquela conversa, Santana diz que não houve retorno da empresa e representantes do Cepe voltaram a entrar em contato neste mês de novembro, a poucos dias de expirar o prazo de 120 dias para a desocupação.

"Depois de novas tentativas de abrir negociação, no dia 12 deste mês recebemos um telefonema da Petrobras. Marcaram uma reunião para o dia 16, online, e apresentamos a eles um pedido de suspensão desta notificação, para que pudéssemos conversar melhor”, explica. O presidente do Cepe pede que “o bom senso reine e que eles suspendam essa notificação. Assim nós poderemos sentar e fazer a manutenção do clube junto a eles”.

Até o momento da publicação desta matéria, a Petrobras ainda não retornou o contato da reunião do dia 16 de novembro.

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