PSDB anuncia que vai permanecer no governo Temer

brasil
13.06.2017, 08:13:00
Atualizado: 13.06.2017, 08:15:03

PSDB anuncia que vai permanecer no governo Temer

Principal partido da base de apoio, o PSDB anuncia que vai permanecer no governo Temer, pelo menos por enquanto

Principal fiador do presidente Michel Temer no Congresso Nacional, o PSDB decidiu na noite de ontem, em reunião ampliada da executiva nacional e de demais lideranças do partido, que vai permanecer na base aliada. Os tucanos adotaram o discurso de que não podem desembarcar agora do governo, sob o argumento de que um eventual rompimento com Temer poderia prejudicar a aprovação das reformas da Previdência e trabalhista.

Na reunião, prevaleceu o entendimento de que, enquanto as reformas estiverem tramitando no Congresso Nacional, o PSDB deve continuar ao lado de Temer. Nos bastidores, tucanos também defendem que, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolver Temer da cassação, a legenda deve agora aguardar a possível denúncia contra o presidente que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode apresentar até o fim de junho. 

Ex-ministro das Relações Exteriores de Temer, o senador José Serra (SP) foi o primeiro a anunciar a decisão. Ele afirmou que a maioria dos tucanos decidiu se manter na base aliada até que novos fatos surjam. “O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo. Se os fatos mudarem, terão outras análises”, afirmou o parlamentar. “É um governo que tocou adiante compromissos que assumiu conosco. Isso é visto como algo positivo”, acrescentou. 

Tasso Jereissati, Geraldo Alckmin, Marconi Perillo, Bruno Araújo e João Doria foram algumas das estrelas do partido na reunião da executiva (Foto: André Dusek)

Presidente interino

A reunião foi comandada pelo presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e contou com as presenças de várias lideranças do partido. Entre elas, a do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a do prefeito da capital paulista, João Doria. Os quatro ministros da sigla – Bruno Araújo (Cidades), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Luislinda Valois (Secretaria de Direitos Humanos) –  também participaram. Com a decisão, os quatro permanecerão nos cargos.

Na reunião, as lideranças tucanas se revezaram no microfone. De acordo com relatos de presentes, em seus discursos, o governador de São Paulo e o senador José Serra (SP) defenderam que o partido permanecesse aliado, por enquanto, para ajudar o Palácio do Planalto a aprovar a reforma da Previdência, que sequer foi votada no plenário da Câmara, e trabalhista, que já foi aprovada pelos deputados e que tramita no Senado. 

Alckmin afirmou que o PSDB deveria “observar” o cenário político até a conclusão da votação das reformas. Conforme relatos, o governador ainda propôs antecipar a eleição para escolher novos membros da executiva nacional do partido, entre eles, o substituto definitivo do senador afastado Aécio Neves (MG). O parlamentar mineiro está licenciado da presidência nacional da legenda desde 18 de maio, após ser atingido pela delação de executivos do frigorífico JBS. 

A eleição do substituto definitivo de Aécio está prevista somente para maio de 2016. Senadores e deputados querem antecipar o pleito para o segundo semestre deste ano. A estratégia é tirar o mineiro do foco político para que a legenda possa tentar “renovar” sua imagem para as eleições de 2018. Segundo Serra, praticamente todos os presentes na reunião concordaram que o senador Tasso Jereissati (CE), atual presidente interino da sigla, deve permanecer.

Aécio nos bastidores

Mesmo ausente da reunião, Aécio também trabalhou, nos bastidores, para evitar o desembarque do PSDB do governo agora. A avaliação de “aecistas” é a de que, se os tucanos romperem com Temer agora, o PMDB, partido do presidente e dono das maiores bancadas no Congresso Nacional, trabalhará a favor da cassação do mandato dele no Conselho de Ética do Senado.

João Doria também defendeu a permanência do PSDB no governo durante a reunião. Segundo relatos de presentes, o prefeito destacou que o partido precisa manter o compromisso com a governabilidade e com as reformas. Afilhado político de Alckmin, o tucano também acenou para o governador em seu discurso. Disse os dois são “indivisíveis”.

O Palácio do Planalto apelou para Alckmin e Doria para manter o PSDB no governo.

Partido na Bahia queria a saída da base

Contrariando decisão da executiva nacional, o PSDB na Bahia decidiu, ontem, se posicionar favorável à saída do partido da base do presidente Michel Temer (PMDB) por conta das acusações de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça no caso da JBS.

A decisão segue posição já adotada pelo presidente estadual da sigla, deputado federal João Gualberto, que articulou um dos pedidos de impeachment de Temer, mesmo sendo da base aliada. A decisão contraria a  que foi tomada ontem em Brasília.

Com isso, o ministro baiano Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) deve permanecer no cargo."A maioria votou pelo afastamento, mas deixando claro que apoiamos tudo de bom para o Brasil", disse o vereador César Leite, um dos que votaram favoravelmente  à saída do governo federal. 

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