Quando as loiras baianas 'invadiram' o Folianópolis e causaram uma confusão

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10.07.2021, 05:25:00
Atualizado: 10.07.2021, 12:36:58
(Ilustração: Luana Medeiros)

Quando as loiras baianas 'invadiram' o Folianópolis e causaram uma confusão

Funcionário de hotel em Floripa se mostrou surpreso quando viu três foliãs animadíssimas para o Folianópolis, mas que não eram do sul do pais e, sim, da Bahia

Ao lado do Fortal, em Fortaleza, e do Carnatal, em Natal, o Folianópolis (mais novo dos grandes carnavais fora de época) faz a trilogia das festas fora de Salvador preferida pelos foliões.

O Folianopólis tem uma particularidade. É realizada na capital dita 'mais europeia' do Brasil, num estado onde é muito forte a presença de alemães, italianos, russos, ucranianos e portugueses, estes principalmente dos Açores. Daí que os nativos da ilha de Floripa são conhecidos como “manezinhos”.

Outra curiosidade do Folianópolis, que acontece em novembro, é que as atrações são todas baianas oriundas da cena axé. Artistas e bandas de outros segmentos como sertanejo e o chamado forró eletrônico até tentaram se apresentar, mas nesse quesito, os organizadores são unânimes: micareta (como também é chamado o Carnaval fora de época) tem que ser animado por artistas do Carnaval de Salvador.

Esse diferencial fica realçado porque as atrações são do estado mais negro e miscigenado do Brasil. E assim tem sido ao longo desses 15 anos que possivelmente não serão comemorados agora por causa da pandemia.

A primeira edição ocorreu em 2006, nos dias 12 e 13 de maio, na Passarela do Samba Nego Quirido. O evento começou na sexta-feira com Ivete Sangalo a bordo do trio elétrico Maderada. No sábado, o Asa de Águia entrou na passarela no maior trio elétrico do mundo, o Dragão da Folia.

Há uns 10 anos (desde que passou a acontecer em novembro), eu costumo ir cobrir o evento a convite da ALL Produções, onde encontro os sócios catarinenses Dorani, Artêmio e Renato e os baianos Ney Avila, Cassio Franco e Flávio Maron.

O evento é muito bem organizado, além de Floripa ser uma cidade muito bonita e cheia de atrativos. Mas teve um ano que aconteceu uma cena muito engraçada e que eu sempre que conto aos amigos, todos dão risada.

Era meio da tarde quando estava voltando de um almoço para colocar o abadá e a credencial, e esperar a van que nos levaria para a festa que normalmente começa no início da noite. Eu costumo ficar hospedado no mesmo hotel onde o staff já me conhece e sempre sou bem tratado.

Quando me aproximei da recepção para pegar a chave do quarto, um funcionário muito simpático comentou: "Seu Marrom, estava querendo lhe ver para tirar uma dúvida." Eu, como bom baiano, mandei: "Me diga!"

O Corredor da Folia no Folianópolis (Foto: Divulgação)

Ele falou: "tem três moças bem animadas, simpáticas e me falaram que são baianas. Queria saber se o senhor as conhece."

Em meio ao diálogo eis que surgem lépidas e fagueiras as três moças. Todas loiras e já arrumadas para a festa. Ao me verem gritaram: “Marrom, meu lindo, olha nós aqui. A gente lia tanto você comentando sobre o Folianópolis que resolvemos vir conferir. Será que vamos arrasar?" Eu disse "claro: baiano faz sucesso em qualquer lugar."

Eu não as conhecia, mas elas foram logo dizendo: "viemos de Salvador só para isso. Trazer o axé da Bahia." Eu dei o maior apoio e ficamos de nos encontrar na folia, caso elas fossem para o camarote ou no café da manhã.

Já no clima, seguiram para a portaria do hotel onde um carro esperava por elas, que saíram na maior animação e prontas para botar pra ferver atrás dos trios de Ivete, Asa e Saulo, entre outros.

Quando as moças se afastaram eu falei: "elas são baianas mesmo." Aí o rapaz, com ar de surpresa, comentou: "Eu pensei que elas fossem aqui do Sul do país e estavam tirando onda." E arrematou: "na Bahia tem loiras?"

Eu dei uma gargalhada e respondi: "também. A Bahia é um caldeirão onde você encontra pretos, mulatos, brancos, loiras e até marrons". E a conversa rolou solta.

Só para arrematar, aí vem o lado bem humorado do baiano. Eu e um grupo de jornalistas fomos para uma macarronada que acontece no sábado do Folianopolis, num espaço muito badalado em Jurerê Internacional. Lá chegando, entre loiros e loiras, eu vi um grupo também muito animado que me reconheceu. Eram os baianos no maior fuzuê. Aí um deles cochichou no meu ouvido: “Marrom, nós estamos aqui por cota”, e foi uma gargalhada geral.

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