Rafael Cardoso e Leandra Leal falam ao CORREIO sobre terror O Rastro

variedades
15.05.2017, 07:00:00

Rafael Cardoso e Leandra Leal falam ao CORREIO sobre terror O Rastro

Atores estrelam filme dirigido pelo estreante J.C. Feyer e que estreia nesta quinta (18)
Rafael Cardoso vive o médico João, que se angustia pelos corredores do hospital decadente (Foto:divulgação)

Um dos jovens galãs da TV Globo, onde foi destaque em novelas como Império (2014) e Além do Tempo (2015), o ator gaúcho Rafael Cardoso, 31 anos, tem apenas seis filmes na bagagem, mas mostra que talento também não lhe falta no cinema. Em O Rastro, ele interpreta João Rocha, um médico que, pouco a pouco, vai perdendo o controle da situação.

Em 2009, você estreou bem no cinema vivendo um romance homossexual incestuoso no filme Do Começo ao Fim. Agora, tem outro personagem dramaticamente complexo. Como foi interpretar João Rocha em O Rastro? 

Obrigado. Ontem mesmo eu estava falando com Aluizio Abranches (diretor de Do Começo ao Fim). O Rastro foi um processo intenso e diferente de tudo que eu já havia feito na carreira, um personagem cheio de minúcias e num filme com ritmo eletrizante e cenas assustadoras. Foi apenas um mês e pouco de preparação, mas comecei a pensar no personagem desde que li o roteiro. E foi bom demais participar de um filme de terror.

Além do lado psicológico do personagem, tem algumas cenas de muito esforço físico, com o médico caindo no chão, sangrando. E a preparação para essas sequências?  

Foi tranquilo, estava tudo junto no pacote e não usei dublê. Ficar atormentado, surta, era parte do personagem e embarquei junto. Acho que foi a minha experiência mais complexa, mesmo porque cinema é diferente de televisão, você tem mais tempo para se preparar para uma cena. Na TV, às vezes, são 27 ou 30 cenas para gravar em um dia. Você decide em quais cenas vai se concentrar melhor, quais vão exigir mais de você.

Me surpreendeu o toque de crítica social e política que o filme vai revelando, especialmente na parte final. Outra coisa é a boa química entre você e Leandra Leal, cuja personagem é sua mulher na história. Ajuda atuar com alguém que você já tem afinidades? 

Sim, acho que o clima de naturalidade vem mais tranquila. Tenho intimidade com Leandra, uma atriz incrível.

Na preparação para o filme, que é um rara produção brasileira de terror nos últimos tempos, você assistiu produções estrangeiras do gênero? 

Sim, todos vimos filmes como O Iluminado, O Sexto Sentido, Seven e The Babadook.

Grávida, Leila (Leandra Leal) acaba também  contaminada pelo desespero do marido, o médico João Rocha (Foto:divulgação)

Uma das melhores atrizes de sua geração, a carioca Leandra Leal, 34 anos, nasceu em berço artístico e há muito tempo brilha na televisão e no cinema. Este ano, ela vive também a estreia como diretora com o premiado documentário Divinas Divas, sobre a primeira geração de artistas travestis no Brasil. O filme com Rogéria e Divina Valéria, entre outros, chega às telonas dia 22 de junho. Em O Rastro, Leandra é Leila, esposa do médico João Rocha (Rafael Cardoso), e grávida do primeiro filho.

É verdade que você aceitou fazer O Rastro logo que soube que ele começaria com sua personagem, grávida, estirada numa poça de sangue?  
Sim, topei na hora. Sou apaixonada por filmes de terror, então, como recusar um filme de terror psicológico brasileiro com uma cena dessa, protagonizada por mim, logo na abertura? (risos)

Como fã de filmes de terror, desde os de Jason e Freddy Krueger até produções mais sofisticadas do gênero, o que te agrada em O Rastro?  
Geralmente, adoro ver filmes de terror no final da tarde, em casa. É uma hora perfeita. Filmes de terror permitem que você sinta medo de forma segura (risos). É um dos meus gêneros preferidos. Além de ter um toque brasileiro no roteiro, que é o drama dos hospitais públicos, O Rastro mistura terror psicológico, sobrenatural e político. A situação da saúde pública brasileira, por si só, mete medo. E a fotografia e o desenho do som do filme são maravilhosos.

Sua personagem fica a maior parte da história longe da loucura hospitalar onde vive João. Me soa como a normalidade na vida cada vez mais perturbada dele.  
A função dela é puxar o marido para a vida real, onde o casal espera o primeiro filho. Nós nos preparamos durante um mês para criar essa conexão familiar.

Você acha que o nosso público tem preconceito contra produções brasileiras de terror? Temos pouquíssimos filmes do gênero, inclusive.
Não, o público brasileiro não tem preconceito contra filmes nacionais de terror. Acho que o buraco dessa questão é mais embaixo, é uma série de coisas que vão desde a captação de recursos até a distribuição dos filmes, passando por qualidade de produção, de roteiro. Não vamos culpar o público por isso.

*O jornalista viajou a convite da Imagem Filmes 

***

Em tempos de desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informações nas quais você pode confiar. E para isso precisamos de uma equipe de colaboradores e jornalistas apurando os fatos e se dedicando a entregar conteúdo de qualidade e feito na Bahia. Já pensou que você além de se manter informado com conteúdo confiável, ainda pode apoiar o que é produzido pelo jornalismo profissional baiano? E melhor, custa muito pouco. Assine o jornal.


Relacionadas