Registros do rock baiano estão em exposição da fotógrafa Sora Maia

entretenimento
08.03.2022, 06:00:00
O vocalista da banda The Honkers, Rodrigo Sputter dá um mosh durante show da The Dead Billies no Hotel Pelourinho (Fotos: Sora Maia)

Registros do rock baiano estão em exposição da fotógrafa Sora Maia

A profissional do CORREIO lança exposição virtual com registros feitos por ela entre 1993 e 2003

As fotos estão com a marca do tempo e até apresentam algumas manchas e leves ranhuras. Mas se é pra fazer uma viagem até o rock soteropolitano dos anos 90 e começo dos anos 2000, isso dá até um certo charme no material. São cerca de 50 imagens, que revelam flagras de bandas como The Dead Billies e Retrofoguetes e artistas como Pitty e Nanci Viégas. Tudo isso estará disponível a partir desta quinta-feira na internet, para quem quiser lembrar de grandes momentos do rock local.

Foto da contracapa do Cd Obrigado Vasquez da Dois Sapos e Meio

É a exposição Virando o Tabuleiro, que reúne cliques de Sora Maia, fotógrafa que estreou na profissão há quase 30 anos. Nesse período, além de ter registrado imagens históricas dos nossos roqueiros, Sora, que hoje trabalha no CORREIO, passou por veículos como o jornal Bahia Hoje e também fez importantes registros do teatro baiano.

Mas fotografar o rock tinha um significado especial para ela, afinal, acabou se tornando amiga dos músicos e ia às apresentações para curtir, além, claro, de fotografar. Como raramente era contratada, fazia esse registro muitas vezes apenas por interesse pessoal.

É inevitável, portanto, que a exposição virtual esteja impregnada de critérios pessoais e Sora reconhece isso: "Mais que um registro documental, eu queria que as fotos tivessem um impacto visual. Não pretendo que seja uma mostra definitiva do rock da Bahia. Mas esse é o rock que eu vi e fotografei".

Para a mostra, Sora separou apenas imagens registradas em película, que marcam o início de sua carreira na fotografia. Assim, segundo ela, conseguiria uma unidade estética. Fez questão de manter as imperfeições nas imagens porque, inicialmente, eliminá-las seria custoso e tomaria muito tempo. "Além disso, meus filhos disseram que essas manchas davam um certo charme", diz a fotógrafa.

Mas Sora, surpreendentemente, não era muito afeita ao rock. Sua família, como muitas dos anos 1970, gostava mesmo de MPB e foi isso que ela curtiu até o auge da adolescência. O universo roqueiro só a conquistou quando já se aproximava dos 20 anos, quando um primo que tinha uma banda praticamente lhe apresentou o ritmo.

Pitty em ensaio caseiro, entre 95/96

Foi mais ou menos entre 1985 e 1986 que ela começou a "transição" da MPB para o rock. "Eu não toco nada e uns amigos tentaram me transformar em baixista, mas não deu certo. Aí, pra não ficar de groupie [as fãs que "grudam" nas bandas e as acompanham até em viagens], peguei uma câmera e comecei a fotografar as bandas".

Mas como uma mulher transitava num universo que, se hoje ainda é predominantemente masculino, era mais ainda há 30 anos? "É um meio machista sim. Mas, como eu era mais velha que a maioria dos músicos da época e tinha uma câmera na mão, acabava ficando numa posição 'respeitosa'", argumenta.

Sora não nega que ouvia muitos comentários machistas sobre as mulheres. "Diziam que fulana tava fazendo isso ou aquilo porque devia estar 'pegando' alguém. Mas acho que aquela geração, ainda assim, era mais livre que a minha. Mas o rock é machista sim, como um reflexo da sociedade", revela a fotógrafa de 53 anos. 

O lançamento da mostra acontece às 20h30 numa live nesta quinta-feira, no canal do Virando o Tabuleiro, no YouTube. estarão presentes, além de Sora, Rogério Bigbross, dos jornalistas Ednilson Scarmento e Thainá Dayube e dos músicos Rex e Jorge King Cobra a partir das 20h30. O produtor Big foi um consultor voluntário do projeto e Ednilson é o revisor das descrições Pra Cego Ver, que acompanharão alguns dos cards e fotos da exposição, enquanto Thainá cuida das redes sociais.

A Mostra tem o apoio Financeiro da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia,  Ministério do Turismo e Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal, viabilizado pela Lei Aldir Blanc através do Prêmio Cultura na Palma da Mão.

O quê – Exposição Virtual Virando o Tabuleiro – O Rock que eu Vi da fotógrafa Sora Maia
Quando – Quinta-feira (10) às 20h30 no canal Virando o Tabuleiro do Youtube
Onde – no Instagram@virandootabuleiro e no facebook – fb.com/virandootabuleiro

Sora Maia, por volta de 1993 (foto: acervo pessoal)


 

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