Revitalização do Centro Histórico evoluiu pouco depois de um ano

salvador
28.10.2010, 10:15:00

Revitalização do Centro Histórico evoluiu pouco depois de um ano

Prefeitura tem R$ 20 milhões em caixa para investir na área, mas falta projeto

Alexandre Lyrio e Jorge Gauthier | Redação CORREIO
alexandre.lyrio@redebahia.com.br, jorge.souza@redebahia.com.br

De um ano para cá, o CORREIO virou líder de vendas, o novo Mercado do Peixe foi erguido, as barracas de praia foram definitivamente demolidas e o Bahia, vejam só, está perto de voltar para a primeira divisão. Já o Pelourinho...

Bem, esse continua praticamente o mesmo. O Pelô, que rendeu a série de reportagens finalizada em outubro do ano passado, indicada anteontem ao Prêmio Embratel de Jornalismo, ainda está longe de voltar a seus dias de glória.

O CORREIO voltou ontem ao Centro Histórico para conferir como estão os cinco principais pontos atacados na série de mais de 30 matérias: o crack e a multiplicação de pedientes, a abordagem dos ambulantes, a infraestrutura precária, a violência e o comércio decadente. 

Pelo visto, o suplício continua. Moradores e comerciantes relatam melhorias na iluminação, coleta de lixo, padronização dos ambulantes e... só. “Avançou muito pouco, apesar de estar mais iluminado e limpo. As matérias de vocês abriram os olhos, mas ainda falta muita coisa”, afirmou Clarindo Silva, comerciante da Cantina da Lua.

Conseguir andar mais de cem metros sem ser abordado é missão difícil. “O que a gente pede é pra retirar os pedintes. Essa ‘sacizeirada’ toda aí tem que acabar”, diz Carlos Pereira, o Big, artista plástico do Pelourinho.

CRACK
É, aliás, graças ao crack que a segurança continua a preocupar. Diferente do que se imagina, há policiamento suficiente. São 452 PMs e 100 guardas municipais. Os ataques a turistas e visitantes normalmente ocorrem em vias que dão acesso ao Pelô.

A repressão policial costuma ser estéril quando se combate um problema que é social. “O Pelourinho é uma ilha cercada de crack por todos os lados”, disse, no ano passado, um morador da região.

A situação hoje é bem parecida. Ruas como das Flores, do Bispo, da Oração e 28 de Setembro continuam cheias de usuários. “Antigamente, o turista podia rodar isso aqui tudo. Agora a gente já orienta que eles não entrem em determinados lugares”, disse Manoel de Jesus, que há 50 anos tem barbearia no Pelô.

Cerca de 70 lojas e restaurantes fecharam as portas desde 2005. Pontos tradicionais da gastronomia, como o Bacalhau do Firmino e o La Lupa, deixaram o lugar.


PREJUÍZOS
Quanto aos ambulantes, já há vendedores credenciados e treinados.  Mas o chamado “golpe da fitinha”, quando o vendedor amarra uma fita do Bonfim num turista sem que ele veja e depois cobra por ela, ainda é visto. “Deviam deixar o turista mais à vontade”, reclamou Manuel Teodoro, visitante de Sergipe, que teve uma fita amarrada no punho. Mas os 138 padronizados reclamam daqueles que se infiltram para vender sem autorização.

A instalação da subprefeitura no Pelô, após a série de reportagens, não parece ter surtido o efeito esperado. “A limpeza foi o ponto que teve maior avanço. Mas, o ano eleitoral atrapalhou que déssemos andamento maior em outras áreas, disse José Augusto Leal, subprefeito do Pelô.

VIOLÊNCIA
Mantenha distância. É o que deveria estar estampado na entrada de algumas ruas do Pelô. Ataques a turistas são constantes nas ruas que fazem o entorno do Pelô, cheias de usuários ávidos por uma pedra. Policiamento não é exatamente o problema.

“Temos policiamento a pé, até as seis da manhã. Há policiais em 12 viaturas e quatro motociclistas diuturnamente. Nosso batalhão está preparado para dar tranquilidade a quem circula nessa área. Não temos registros de homicídio”, destacou o tenente-coronel José Jorge Nascimento.


Já a Guarda Municipal, segundo o secretário de Serviços Públicos (Sesp), Fábio Mota, conta com  um efetivo de 100 guardas em três turnos que colaboram a manutenção da ordem e preservação do patrimônio público. Segundo a prefeitura, na próxima semana será aberta licitação para compra de 12 câmeras de monitoramento. Hoje, só  duas funcionam.

 Mas, os 452 homens do batalhão da PM e a quase uma centena de guardas pouco podem fazer contra uma praga social. Se prende o usuário, ele volta a agir logo que é solto. “O Pelourinho é uma ilha cercada de crack por todos os lado”, disse um morador.

R$ 20 milhões para o Pelô estão parados
A prefeitura de Salvador ainda não usou os R$ 20 milhões que foram destinados para a cidade em agosto de 2009  pelo governo federal por falta de um projeto que ordene os gastos. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, o dinheiro já está na conta do município que ainda realiza estudos para formatar o projeto. A verba foi garantida pelos senadores Antonio Carlos  Júnior (R$ 18 milhões) e João Durval (R$ 2 milhões).

O vice-prefeito Edvaldo Brito, que ano passado recebeu a função de xerife do Pelourinho do prefeito João Henrique após série de matérias do CORREIO, vem presidindo reuniões temáticas para discutir ações para a região, somando mais projetos.

Ontem, em reunião, ficou decidido com metas incrementar as ações da subprefeitura do Pelourinho, requalificar a Terça da Bênção, reorganizar a Praça  da Sé, melhorar a fiscalização de ambulantes, combater a poluição sonora e visual e implantar o sistema viário, projeto que foi enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em agosto passado. Na área cultural, segundo o governo do estado, estão sendo realizados cerca de 80 eventos por mês.


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